Câncer de intestino é evitável? Entenda a relação entre a doença e a dieta

O câncer colorretal está entre os mais comuns na população — e sua incidência continua crescendo, especialmente entre adultos jovens. Esses dados merecem mais atenção porque grande parte desses casos poderia ser evitada com mudanças no estilo de vida, entre elas, a alimentação.

As evidências científicas que temos até o momento mostram que padrões alimentares podem influenciar a probabilidade de desenvolver tumores no intestino. São exemplos: a associação entre o consumo frequente de carnes processadas e o aumento do risco para a doença, além do efeito protetor de dietas ricas em fibras.

Para além de definir quem é morno ou vilão nessa história, os cientistas têm focado na forma como a alimentação molda o sistema digestivo ao longo dos anos. E é justamente nesse ambiente que parte importante da prevenção começa.

Por que a dieta importa

Em cerca de 70% dos casos, o câncer colorretal está relacionado a fatores ambientais, ou seja, alimentação, sedentarismo, tabagismo e consumo excessivo de álcool.

• O sistema gastrointestinal funciona como a principal barreira física, química e imunológica contra toxinas e outras substâncias, além de absorver nutrientes.

• É nesse sistema que a alimentação diária exerce um de seus efeitos mais relevantes: a saúde da microbiota intestinal.

• O desequilíbrio da microbiota (disbiose) pode contribuir para o aparecimento de diferentes doenças, como a obesidade, o diabetes e o câncer colorretal. As explicações são da nutricionista Lian Costa, chefe da unidade de nutrição clínica do HUB/EBSERH/UFPA/Ebserh.

As bactérias que vivem no intestino desempenham importante papel para nossa saúde.

Obesidade e inflamação

Adotar um padrão alimentar equilibrado também colabora para a manutenção de um peso saudável, o que pode reduzir o corpo contra tumores associados à obesidade e ao sobrepeso, inclusive o câncer colorretal.

Parte dessa relação ainda está sendo investigada. No entanto, já se sabe que o excesso de gordura corporal facilita um estado de inflamação crônica, além de alterações metabólicas, como a resistência à insulina.

“A combinação de fatores como alimentação, desequilíbrio da microbiota, inflamação e metabolismo pode influenciar o desenvolvimento desse tumor ao longo do tempo.”

O que aumenta o risco

Dados do relatório “Dieta, Nutrição, Atividade Física e Câncer: uma perspectiva global”, do World Cancer Research Fund e American Institute for Cancer Research, mostram uma associação entre o consumo excessivo de carne processada e vermelha e o aumento do risco para o câncer colorretal.

Mas é importante lembrar da máxima de que a diferença entre o veneno está na dose. Afinal, a carne vermelha pode e deve estar inserida em uma dieta saudável porque se trata de uma fonte de nutrientes como proteínas e vitaminas do complexo B, além de minerais, como o ferro e o zinco.

“O consumo importante é a quantidade de carne vermelha e carne processada que você consome. A ordem não é eliminá-las por completo, mas moderar o consumo.”

— Mariely Ribeiro Feitosa, médica e coordenadora do Ambulatório de Oncologia Colorretal do HC-FMRP/USP.

• Carne vermelha é aquela que possui alta concentração de mioglobina, proteína encontrada na musculatura de animais, que tem função de armazenar oxigênio e dá cor à carne (carne bovina, de cordeiro, porco, cabrito, etc.).

• Carne processada é o alimento modificado por práticas como a cura, fermentação, defumação ou adição de conservantes químicos que realçam o sabor ou aumentam a sua durabilidade (salame, bacon, presunto, salsicha, mortadela, hambúrguer industrializado etc.).

• Na hora do preparo da carne, prefira o cozimento, evitando altas temperaturas.

Dieta saudável na prática

Para ter uma alimentação equilibrada e garantir o consumo de nutrientes essenciais e de fitoquímicos compostos bioativos naturais presentes nos vegetais, é preciso colocar no prato mais alimentos naturais e minimamente processados, conforme sugere o Guia Alimentar para a População Brasileira.

Entram nessa lista:

• Verduras e legumes (alface, couve, brócolis, espinafre, abobrinha etc.)

• Leguminosas (feijões, ervilha, lentilha etc.)

• Frutas

• Grãos integrais (arroz, aveia)

• Alimentos lácteos (iogurte, queijo, leite, etc., preferencialmente magros)

• Carne vermelha (em geral, cerca de 500 g por semana, preferencialmente cozida — o que equivale a 1 bife do tamanho da palma da mão por dia)

• Peixes (em geral, ao menos duas vezes na semana)

• Carnes de aves (retirando pele e gorduras)

A quantidade de consumo diário de cada grupo de alimentos é individual e deve atender às necessidades de cada pessoa, a depender de suas condições de saúde.

• Para pessoas saudáveis, a recomendação é consumir 3 porções de hortaliças (verduras e legumes) e 3 porções de frutas todos os dias.

E dá-lhe fibras

Encontradas em alimentos como verduras, legumes, frutas, nozes, sementes e grãos integrais, as fibras não são “processadas” pelo sistema digestivo até chegarem ao intestino grosso, onde são fermentadas pelas bactérias existentes no órgão.

Os especialistas explicam que esse mecanismo tem efeito protetor porque “as fibras contribuem para o bom funcionamento intestinal e isso reduz o tempo de contato com substâncias que podem elevar o risco de câncer”, esclarece Thaís Martiniano Mola, coordenadora de nutrição clínica do A.C.Camargo Cancer Center.

• 30 GRAMAS DE FIBRAS POR DIA é a recomendação de consumo para adultos saudáveis, o equivalente a uma porção de leguminosas, três porções de frutas, três de legumes e verduras, além de cereais integrais (arroz, aveia etc.).

Consumir 90 g de fibras ao dia pode reduzir de 12% a 17% o risco de câncer colorretal, segundo dados publicados no periódico médico Jama.

Boa hidratação vem junto com o consumo de fibras. Isso facilita o resultado esperado para as quantidades de ingestão sugeridas.

Laticínios têm seu valor

Leite, iogurte e queijo magros entram na lista dos alimentos relacionados ao menor risco de câncer colorretal. Uma revisão de estudos publicada pela revista científica Advances in Nutrition mostrou que o consumo mais elevado de laticínios, em torno de 400 g por dia, pode reduzir a incidência de tumores no intestino em 13%. Esse efeito pode ser progressivo, conforme a ingestão desse grupo de alimentos aumenta.

Tal benefício pode estar associado ao cálcio — nutriente abundante no leite e em seus derivados —, que poderia até influenciar a redução de lesões (pólipos adenomatosos) que podem evoluir para a doença.

Melhor prevenir...

A prevenção do câncer colorretal não requer soluções radicais, mas constância. As medidas para isso podem ser adotadas a qualquer tempo ao longo da vida e se resumem em colocar mais movimento no dia a dia, manter um peso saudável e comer alimentos saudáveis.

Lembre-se: não existe uma dieta única que sirva para todos. Caso sinta dificuldade de organizar seu cardápio diário e seja possível para você, busque a orientação de profissionais qualificados. A chance de sucesso é grande.

Fonte: UOL Viver Bem

 

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