Outubro Rosa além do câncer de mama: por que prevenir HPV é tão importante

Uma das campanhas de saúde mais conhecidas do mundo, o Outubro Rosa foi criado para chamar atenção para a importância da prevenção e diagnóstico precoce do câncer de mama. Com o passar do tempo, o movimento cresceu e passou a olhar para a saúde feminina de forma mais ampla.

Hoje, uma das discussões mais relevantes é sobre o câncer de colo do útero, um dos quatro tipos com maior incidência entre mulheres no Brasil, que pode ser evitado com uma medida simples a vacinação.

Segundo o Ministério da Saúde, o câncer de colo do útero causa, em média, 20 mortes por dia no país e deve registrar mais de 17 mil novos casos por ano no triênio 2023-2025. Mas, diferentemente dos tumores de mama, que podem ser causados por uma grande variedade de fatores, esse tem, em 99% dos casos, a mesma origem: uma infecção persistente por HPV (papilomavírus humano). Por isso, é uma doença com alto potencial de prevenção.

HPV e câncer de colo de útero: qual é a relação?

O HPV é um grupo de vírus com mais de 200 tipos diferentes. Transmitido principalmente por contato direto com a pele ou mucosas — especialmente pela via sexual —, ele já esteve presente em mais de 80% da população, segundo estudos. Na maioria dos casos, o próprio sistema imunológico elimina o vírus sem causar sintomas.

Cerca de dez tipos, no entanto, merecem atenção especial porque oferecem maior risco de infecções persistentes, que podem favorecer o desenvolvimento de lesões cancerígenas —entre eles, os tipos 16 e 18 são responsáveis por aproximadamente 70% dos casos de câncer de colo de útero diagnosticados.

A ginecologista Luciana Nicastro, do Hospital e Maternidade Sepaco, explica que, nas células do colo uterino, eles podem provocar mutações nos genes. Essas alterações dependem de fatores como o subtipo do vírus e a imunidade de cada pessoa, e acabam estimulando a proliferação desordenada dessas células, o que leva à formação do tumor.

"Ao prevenir a infecção, estamos atuando diretamente para evitar o desenvolvimento de lesões que podem evoluir para um câncer invasivo, que é uma doença grave e com alto potencial de mortalidade", afirma Eduardo Batista Cândido, presidente da Comissão Nacional Especializada em Ginecologia Oncológica da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações em Ginecologia e Obstetrícia).

Além do câncer de colo de útero, o HPV também está entre os principais responsáveis pelo aumento dos casos de câncer de ânus, vulva, vagina, pênis e orofaringe (região que inclui a garganta, a base da língua e as amígdalas). Pode causar ainda verrugas genitais, conhecidas como condilomas acuminados, que causam dor e desconforto e afetam a vida social e sexual.

Como se prevenir

É consenso na comunidade médica: a vacina é a forma mais eficaz de prevenção contra o HPV porque oferece proteção elevada contra os principais tipos associados ao desenvolvimento de cânceres e verrugas.

Atualmente, a vacina está disponível gratuitamente em dose única, para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, além de públicos específicos acima dessa faixa. Até dezembro de 2025, a imunização foi ampliada para jovens de 15 a 19 anos, com o objetivo de aumentar a cobertura nacional. Segundo dados oficiais, em 2024, 82% das meninas até 14 anos e 67% dos meninos foram vacinados.

Ana Paula Beck, ginecologista do Einstein Hospital Israelita, explica que essa faixa etária é prioritária porque, entre ela, a resposta ao imunizante é mais eficaz. Além disso, a proteção é mais efetiva antes das primeiras experiências sexuais, quando o organismo ainda não teve contato com o vírus.

Mas isso não significa que quem já iniciou a vida sexual não se beneficie da vacina. "Embora a eficácia possa ser menor em quem já teve contato com algum tipo de HPV, a vacina ainda protege contra os outros subtipos virais com os quais a pessoa não teve contato", recomenda Cândido, da Febrasgo.

Maria dos Anjos Neves Sampaio Chaves, médica ginecologista do Delboni Salomão Zoppi, reforça que a prescrição para a vacina pode ser dada até para pessoas com mais de 45 anos, idade considerada por muitos como limite para a imunização. Para ela, cada mulher tem que ser individualizada de acordo com sua história clínica, sua sexualidade, seu momento de vida e seu histórico familiar.

Outras formas de prevenção

Além da vacinação, a realização de exames regulares continua sendo um dos principais aliados na prevenção do câncer de colo de útero. O papanicolau, exame ginecológico simples realizado em consultório ou laboratório, ajuda a detectar alterações nas células do colo do útero antes que evoluam. Vale lembrar que é possível prevenir 100% dos casos de câncer quando essas alterações são identificadas e tratadas em estágio inicial.

Há ainda o teste DNA HPV, que detecta a presença do material genético do vírus nas células e identifica seu subtipo. Se o resultado for positivo para aqueles de alto risco, o médico pode acompanhar a paciente de perto e agir antes que a infecção se transforme em um tumor. Este ano, o exame começou a ser oferecido pelo SUS e deve, aos poucos, substituir o papanicolau na rede pública.

Outra medida importante é o uso de preservativo nas relações sexuais. Embora não elimine totalmente o risco de transmissão —já que o vírus pode estar presente em áreas não cobertas —, esse cuidado reduz significativamente as chances de transmissão, segundo especialistas.

Fonte: Viva Bem UOL

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