Novembro Azul: campanha de prevenção ao câncer de próstata estimula olhar geral para a saúde masculina

O aposentado Luís Hernandes da Silva Vieira, de 66 anos, nunca havia sentido sintoma algum relacionado ao câncer de próstata antes de receber o seu diagnóstico em janeiro deste ano. Pensando na sua saúde, há mais de 10 anos ele realiza periodicamente diversos exames de rotina. Em um deles, o PSA (Antígeno Prostático Específico), teste de sangue que serve para rastrear alterações na próstata, registrou um nível que chamou a atenção dos médicos.

Na segunda biópsia que fez, descobriu ser de alto nível para o câncer. "Não teria descoberto nunca", reconhece Luís, se não tivesse feito o procedimento. Entre o diagnóstico e a cirurgia para retirar o câncer – a prostatectomia radical –, foram três meses de espera, mais rápido do que ele imaginava. O procedimento, feito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), ocorreu no dia 7 de abril, e o aposentado recebeu alta no dia 13. Ele não precisou de quimioterapia nem radioterapia. Agora, Luís realiza acompanhamento do PSA a cada três meses, e o último resultado apontou nível mínimo.

Campanha incentiva prevenção e estimula homens a fazerem exames de rastreio

O caso de Luís pode ser considerado fora da curva, já que muitos homens ainda evitam fazer exames médicos por conta de tabus ligados à masculinidade. Com o objetivo de estimular o autocuidado e a realização de exames regulares, especialmente entre aqueles que costumam adiar consultas médicas e avaliações de rotina, o Hospital Santa Casa de Porto Alegre dá início à campanha deste ano voltada à prevenção e ao diagnóstico precoce do câncer de próstata.

Com o tema “Sua saúde tem prioridade”, a iniciativa busca, durante todo o mês de novembro, promover ações internas e preparar conteúdos educativos nas redes sociais, com informações sobre a importância da prevenção, dos exames regulares e dos hábitos de vida saudáveis. Além das iniciativas digitais, o hospital realizará palestras e encontros realizados em parceria com especialistas e instituições convidadas.

O câncer de próstata permanece como o segundo tipo de câncer mais comum entre os homens no Brasil e no Rio Grande do Sul. Dados do Instituto Nacional do Câncer registram em torno de 70 mil novos casos de câncer de próstata a cada ano, e 14 mil mortes relacionadas, e no Estado, estima-se a incidência de 3.510 novos casos a cada ano.

Ernani Rhoden, chefe do serviço de urologia da Santa Casa, ressalta que a campanha deste ano vem com o câncer de próstata como carro-chefe, mas ampliando para os aspectos gerais da saúde masculina, considerando que o homem ainda tem resistências a procurar atendimento médico ou fazer exames de rotina.

“O diferencial da campanha deste ano é chamar a atenção para uma uma ação mais ampla, mais global. Não focada única e exclusivamente na questão do câncer de próstata, mas sobre os aspectos gerais da saúde do do homem, como o tabagismo, alcoolismo, aspectos relacionados à saúde cardiovascular, exames gerais, trabalhar faturas de risco de cistos, e incluindo o câncer de próstata”, explica.

O médico pontua que o tumor vem crescendo com mais frequência, e o Rio Grande do Sul é um dos estados com maiores índices da doença por conta da maior longevidade, em que as pessoas podem ser mais acometidas. Ernani ressalta que todos os tratamentos que podem oferecer cura estão vinculados com o diagnóstico precoce.

"O diagnóstico precoce envolve justamente diagnosticar a doença em um estágio que ela seja muito pouco sintomática. O câncer de próstata pode ser completamente assintomático". Já em quem apresenta sintomas, os mais comuns podem ser dificuldade para urinar, mais idas ao banheiro durante a noite e presença de sangue na urina ou no sêmen. A doença apresenta maior risco a pessoas com mais de 45 anos de idade, afrodescendentes e aos que têm histórico familiar, com duas a três vezes mais chances.

O Laboratório de Análises Clínicas da Santa Casa processa, em média, mais de 900 exames de PSA por mês. Em novembro, o crescimento da procura chega a 10%. Em outubro, setembro e agosto, foram realizados 971, 911 e 883 exames, respectivamente.

O procedimento de análise é realizado em um sistema de automação, por meio de uma esteira robótica, que permite fazer identificação do paciente, reação das análises e liberação automática de resultados, que ficam prontas no mesmo dia. Nos sistemas de análise, é possível verificar nas amostras das coletas qualidade, características e diferentes dados para fins de rastreabilidade e segurança do paciente.

Além do PSA, outro exame para rastreio é o de toque retal, em que são examinadas as características da próstata e a presença ou não de assimetrias, além de possíveis nódulos e alterações da consistência na glândula. Matheus Strapasson, médico residente no Serviço de Urologia da Santa Casa, lembra que o exame de toque retal não é uma segunda opção de exame, mas complementar.

“Uma parte dos cânceres de próstata não vão ter alteração do PSA, de 10 a 20% dos casos. O toque retal é um exame complementar, que às vezes, mesmo sem ter alteração do PSA, pode-se palpar um nódulo e identificar uma doença”, explica. “Com esses dois exames, você consegue, na maioria dos casos, detectar precocemente a doença e oferecer para o paciente a possibilidade de tratamento com intenção curativa”, complementa Ernani.

A cirurgia para a retirada do câncer, hoje, pode ser feita de diferentes maneiras: pela técnica robótica, videolaparoscópica e a técnica aberta, convencional. No SUS, estão disponíveis a aberta e laparoscópica, e a mais utilizada é a aberta. Existem, também, tratamentos complementares, como a radioterapia e o bloqueio hormonal, esse pode ser feito no futuro caso necessário. Mas, até o momento, a cirurgia se mostrou resolutiva, explica Matheus. “A gente fica em acompanhamento por cinco anos. Nesse meio-tempo que, vê se vai necessitar algum tratamento adicional, mas até o momento a doença é controlada”, complementa.

Após passar pela doença, Luis orienta seus parentes e amigos para que façam os exames regularmente. “Tem muitos que pergunto a idade, pergunto se tem feito esses exames, nunca fizeram. Eu digo: ‘olha, é bom vocês procurarem’. A idade requer, se não te cuidar, não adianta”, completa.

“Tem muitos homens que têm vergonha de fazer o exame de toque, principalmente. Eu pedia para fazer. Quando fazia o exame de sangue, na consulta com o médico, dizia: ‘Vou fazer o exame de toque para ver ele também como está’.Não tenho restrição nenhuma contra isso. Não vou deixar de ser mais homem ou menos homem por causa de um exame de toque. Quero é cuidar da minha saúde. Como vai ser feito? Não sei. Tem que ser feito”, diz Luís.

Para reduzir riscos, as principais recomendações médicas incluem exames periódicos e o cultivo de hábitos saudáveis. Além do PSA e do toque retal, a adoção de hábitos saudáveis é uma importante forma de prevenção, com uma alimentação balanceada, rica em frutas, legumes e grãos integrais, aliada a atividades físicas regulares, contribui para a proteção da saúde da próstata e para o fortalecimento do sistema imunológico. Evitar o consumo excessivo de álcool e o tabagismo são outros fatores essenciais para reduzir os riscos de desenvolver câncer de próstata e outras condições de saúde.

Fonte: Correio do Povo

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