Fumar não afeta só pulmão e aumenta risco de câncer de colo de útero

O tabagismo é reconhecido como o principal vilão do câncer de pulmão, mas seu efeito vai muito além. Estudos mostram que mulheres fumantes têm duas vezes mais risco de desenvolver câncer de colo de útero, em comparação com quem não fuma. Isso acontece porque, ao entrarem no organismo, as substâncias tóxicas do cigarro se espalham por todos os órgãos e têm impacto abrangente, atingindo diversos tecidos.

Quarto tipo de tumor mais comum entre as mulheres, o câncer de colo de útero — ou câncer cervical — tem como principal causa a infecção pelo HPV (papilomavirus humano), que provoca lesões que podem sofrer mutações e gerar um tumor.

Quando a mulher tem o hábito de fumar, o tabaco atua como um potente cofator junto ao vírus. Especialistas explicam que as substâncias absorvidas pelos pulmões viajam pela corrente sanguínea e chegam ao colo do útero. Além de estarem carregadas de elementos carcinogênicos, elas vão prejudicar a capacidade de defesa das células locais e, assim, facilitar a persistência do HPV, acelerando a evolução para lesões cancerígenas.

O cigarro altera a capacidade do nosso sistema imunológico de combater o vírus", reforça Samantha Cabral, oncologista clínica do Hospital Sírio-Libanês.

Renato Moretti Marques, vice-presidente da Comissão Nacional Especializada em Ginecologia Oncológica da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), complementa que estudos indicam que o risco aumenta proporcionalmente à quantidade de cigarros que a mulher fuma. "Quanto mais exposição ao cigarro, maior o risco de desenvolver lesões pré-cancerosas e cancerosas."

Tabagismo dificulta o tratamento oncológico

Os especialistas alertam ainda que a mulher que fuma com frequência poderá ter mais dificuldades durante o tratamento, caso venha a desenvolver um câncer cervical.

Marques diz que o efeito do tabaco no tratamento especificamente do câncer de colo do útero ainda não foi amplamente estudado, mas que é consenso que o tabagismo afeta a saúde de forma global e que mulheres que fumam têm piores resultados em tratamentos oncológicos de modo geral, independentemente do tipo de câncer.

Fumantes têm mais dificuldades do ponto de vista anestésico, da recuperação pós-operatória e também têm a vascularização periférica prejudicada, fator que pode levar a uma menor resposta à radioterapia e à quimioterapia. "Isso é um problema porque os dois grandes pilares do tratamento desse câncer são cirurgia e radioterapia", fala o especialista.

Como prevenir o câncer de colo do útero

O principal diferencial do câncer cervical para outros tumores malignos é o grande potencial de prevenção.

O HPV é transmitido pelo contato direto entre pele e mucosa, especialmente pela via sexual. Glauco Baiocchi Neto, líder do Centro de Referência em Tumores Ginecológicos do A.C. Camargo, explica que, como o desenvolvimento da doença depende quase totalmente da infecção pelo vírus, a vacina oferece proteção eficaz e duradoura e representa a melhor estratégia.

Os especialistas alertam que é preciso aumentar a cobertura vacinal de crianças e adolescentes no país, para reduzir os números de casos nas próximas décadas. "É importante lembrar que a vacina contra o HPV previne não só o câncer de colo do útero, mas diversos outros tipos, como os de vagina, vulva, ânus, boca, e, nos homens, o de pênis", complementa Baiocchi Neto.

As mulheres também devem realizar acompanhamento regular, com acesso ao exame molecular de DNA-HPV, que detecta a presença do vírus antes do aparecimento de lesões. O teste foi incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) em 2025.

E para as mulheres tabagistas, parar de fumar é fundamental. Os estudos indicam que ex-fumantes continuam apresentando risco aumentado de desenvolver lesões cancerígenas por mais de uma década após a pausa, podendo levar até 15 anos para que o efeito do tabaco deixe de ser um cofator para o surgimento desse câncer. Mas, com o passar do tempo, o perigo vai diminuindo, por isso é importante parar o quanto antes.

Fonte: Viva Bem UOL

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