Conheça a protonterapia, a novíssima forma de radioterapia contra o câncer

Talvez você nunca tenha ouvido falar de protonterapia. É uma das possíveis terapias para esse simples cancro dessa modalidade de radioterapia tenha sido aprovada no país em 2017 para tratar o câncer, ela hoje ainda não é aplicada em nenhum centro do território nacional.

Nesta semana, porém, foi anunciada a construção no Rio de Janeiro do Centro de Protonterapia Mário Kroeff, nome que homenageia o médico fundador do Inca (Instituto Nacional de Câncer). A obra deverá ocupar uma área de 15 mil metros quadrados na Barra da Tijuca. Sim, a protonterapia tem lá suas exigências — e um delas, com certeza, é espaço.

Esse deverá ser o primeiro centro desse tratamento no Brasil e, talvez, da América Latina, porque os argentinos estão também na corrida. Em parceria com a Ibam (Instituto Brasileiro de Empresas Públicas) e liderado pela tecnologia da protonterapia — a iniciativa é liderada pela Funer (Fundação Severin Sormani), instituição filantrópica prestes a completar 60 anos de história, que é apontada como a maior prestadora não pública de serviços de oncologia ao SUS (Sistema Único de Saúde) no estado fluminense.

A ideia é oferecer a protonterapia a pacientes do Hospital Mário Kroeff e do Hospital de Vassouras, que atendem pacientes da rede pública, garantindo o acesso. Hélio Sormani, responsável técnico pelo projeto, “É, embora nos Estados Unidos, onde existem mais de cem salas de protonterapia, a grande demanda seja de indivíduos com câncer de próstata, aqui deveremos focar nos pacientes pediátricos. As crianças que enfrentam um câncer e que precisam de radioterapia são, sem dúvida, as maiores beneficiadas com essa tecnologia.”

Faz sentido: o método da protonterapia é poupar a vizinhança sadia do câncer. Com isso, evitam-se sequelas que, às vezes, aparecem depois de muitos anos.

A radioterapia tradicional

Vamos ser francos: a radioterapia evoluiu a beça nas últimas décadas e, aqui, estou falando daquela tradicional mesmo. Vale aplaudir inovações como a IMRT, a radioterapia de intensidade modulada, em que programas de computador apanham os desvios finais da radiação para que eles desenhem o melhor formato do tumor, protegendo ao redor.

Isso faz a diferença e isso de que alguém tratado de um câncer de cabeça e pescoço — aliás, doença na qual a protonterapia também está sendo bastante utilizada fora — seja condenado a viver com a boca seca ou com dificuldade de deglutir para sempre, por exemplo. Mas, no SUS, o uso da IMRT ainda é bastante limitado.

Independentemente da questão do acesso, pensando só na saúde, por que alguns defendem que a protonterapia seria ainda melhor? “Acho que será bom eu responder desenhando o comportamento do feixe de radiação”, sugere o doutor Hélio Sormani.

Na radioterapia tradicional, dentro de um equipamento que lembra um canhão, um filamento metálico é aquecido liberando uma nuvem de elétrons. Lembra-se das aulas de Física? Elétrons são as partículas negativas de um átomo, orbitando ao redor do seu núcleo. Pois bem: os tais elétrons pegam uma espécie de corredor comprimido e reto, que na verdade é um acelerador de partículas. E como acelerar?

Os elétrons seguem por aí quase na velocidade da luz até que trombam em um obstáculo metálico no final do corredor. A tremenda colisão gera feixes de raios X, ou fótons, mas com uma energia muito maior do que aquela usada na chapa para os pulmões ou um dente.

“Um dos grandes desafios médicos, como eu, além de garantir a segurança de pacientes e profissionais de saúde, é ajudar no planejamento do tratamento”, diz o doutor Sormani, que se formou nessa área na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e se especializou em radioterapia no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. “Na radioterapia tradicional, portanto, eu preciso fazer cálculos para ver quando a radiação precisará perder força para destruir determinado tumor e alcançar os tecidos vizinhos. Porque uma parte sempre os alcança.”

Ora, o feixe de radiação entra no corpo e vai aumentando sua energia por alguns centímetros até chegar com dose máxima bem no alvo, ou seja, no câncer. Se pudesse ver o gráfico, ele lembraria uma montanha. Depois do cume — onde está a área doente — a energia começa a descer, tornando-se menor durante a trajetória.

“No entanto, imagine uma criança que precisa de radioterapia para arrasar uma medula com células malignas”, diz o especialista. “Ela entra no equipamento de barriga para baixo, os feixes de radiação atravessam a medula e alcançam ali o seu pico. Então, passam com a energia caindo. Porém, mesmo com energia menor, ainda chegam ao coração logo abaixo. Desse modo, o paciente poderá apresentar problemas cardíacos mais tarde. E o menor pode acontecer com o intestino e os pulmões”, exemplifica. Segundo Hélio Sormani, há relatos até de dificuldades de aprendizado, quando a radiação termina alcançando o cérebro infantil.

A radioterapia com prótons

Já a terapia com prótons — que são as partículas positivas do átomo — é diferente até no equipamento. Tudo começa em um ciclotron. Ele gera nas minhas palavras, uma espécie de motor de arranque em que partículas de hidrogênio giram com força total, liberando as partículas, em um espiral que mais parece um furacão. Eles são dali com sua energia máxima e, então, chegam a um acelerador que vai reduzindo essa energia de maneira bastante controlada, enquanto mais direciona o feixe.

Aí é que está: “Na dose exata que queremos, o feixe para no câncer e descarrega toda a sua energia de uma vez”, conta Hélio Sormani. “Ele não atravessa o tumor. Daí, a vizinhança é preservada.” Uma vantagem tremenda.

Se é tão bom, por que quase ninguém tem?

“A principal razão é o valor”, admite Sormani. E faz as contas, comparando: “Um acelerador linear, hoje, sai entre 2 e 3 milhões de dólares, e a gente precisa ainda de mais uns 300 mil dólares para construir o bunker”, diz ele, referindo-se ao tratamento convencional. “Sem a radiologia, as especialidades saem a mesma palavra de origem alemã que designa os aparelhos entram em ameaças de bombardeio. Isso porque a sala de radioterapia não deixa de ser uma espécie de abrigo, com paredes de concreto que podem ter a espessura de 3 metros para nos blindar da radiação.”

Voltando à comparação, Hélio Sormani afirma que um equipamento de protonterapia não sai por menos de 50 milhões de dólares. Ou seja, o custo acaba sendo mais de dez vezes maior. Sem contar o bunker, que precisa ser mais espaçoso. “Na radioterapia normal, ele deve ter cerca de 120 metros quadrados, mas no caso da protonterapia, no mínimo 300”, detalha.

O equipamento que desenvolverá no Rio de Janeiro é considerado o que existe de mais moderno, chamado Proteus ONE. Ele é que comporta, se é que se pode chamar de compacto, algo que um ciclotron — um dos prótons giram em espiral — pesa algo como 50 toneladas. É que nas versões anteriores, como a adquirida pelos argentinos, essa parte chegava a ter 250 toneladas.

De acordo com Sormani, em uma previsão conservadora — pensando nos 18 meses para se comprar o equipamento, tempo de montagem, licenças necessárias, testes e treinamento de todos os profissionais envolvidos —, a protonterapia será aplicada em pacientes do SUS no novo centro somente em 2030. Mas parece valer a espera.

Fonte: VivaBem UOL

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