Aumento de casos de câncer de mama expõe desigualdades regionais

O Brasil deve registrar 78.610 novos casos de câncer de mama a cada ano do triênio 2026-2028. A estimativa apresentada pelo Inca (Instituto Nacional de Câncer) contrasta com o levantamento anterior e indica aumento na ocorrência da doença. Em comparação ao período 2023-2025, o crescimento chega a 5 mil novos casos anuais.

De acordo com Guilherme Novita, presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), há diversos fatores que respondem por esta projeção. “A melhoria nos registros populacionais para câncer é um deles”, afirma. No entanto, reforça o mastologista, políticas públicas e ações efetivas para ampliar o rastreamento, agilizar os diagnósticos e tratamentos são fundamentais, especialmente quando se consideram as desigualdades regionais no País.

O câncer de mama é a neoplasia maligna mais incidente, respondendo por 30% dos cânceres diagnosticados em mulheres brasileiras. Ao projetar um crescimento no número de casos entre 2026 e 2028, o Inca acende um alerta para a necessidade de ações que intensifiquem a prevenção e o diagnóstico precoce da doença.

Segundo o presidente da SBM, é preciso considerar algumas situações condicionadas ao aumento de cerca de 5 mil novos casos anuais projetado para o triênio. “Temos uma causa que é o envelhecimento da população”, pontua. A idade acima de 50 anos é fator de risco, refletindo o acúmulo de exposições hormonais e alterações biológicas do envelhecimento. “Há que considerar também as ações que permitem maior visibilidade aos registros populacionais da doença. Não menos relevante é a ampliação no rastreamento do câncer de mama, especialmente com a recomendação do Ministério da Saúde para a realização da mamografia a partir dos 40 anos de idade.”

A estimativa para 2026 chama a atenção para as variações significativas do câncer de mama entre as regiões do Brasil. O maior risco estimado é observado na região Sudeste, com 40.560 novos casos. No Sul, são 12.550. O Centro-Oeste aparece com 5.420, o Nordeste, com 17.130, e o Norte, 2.950 novos casos.

As projeções regionais, na avaliação de Novita, refletem desigualdades. De acordo com o mastologista, enquanto em determinada região, até mesmo por condições geográficas, o acesso à mamografia ainda pode ser um obstáculo, em outra localidade do Brasil, o problema se concentra em políticas de rastreamento que contemplam precariamente a população mais jovem. “Em outras regiões, ainda, há dificuldade para realização de biópsia, acesso a medicação de qualidade, desafios para a reconstrução mamária, cumprimento de legislação, entre outros fatores”, diz. “Mais pontualmente no Sudeste, os problemas se relacionam a outras políticas públicas. Podemos enumerar ainda, a título de exemplo, a qualidade de imagens obtidas nos exames e o conhecimento no momento de interpretar os diagnósticos.”

A necessidade de um olhar regionalizado para o enfrentamento do câncer de mama tem mobilizado ações por parte da Sociedade Brasileira de Mastologia. Com a participação de especialistas e pacientes, estratégias de comunicação que contemplam mulheres de todas as idades, classes sociais e regionalidades se propõem a levar mensagens extremamente confiáveis e claras sobre prevenção, diagnóstico e tratamento.

“Esta estratégia também é uma forma que encontramos para interagir com as realidades regionais”, observa Guilherme Novita. “Ao tomar conhecimento de pontos cruciais que refletem diferenças e desigualdades no enfrentamento do câncer de mama em cada região do País, a SBM também tem a oportunidade de trabalhar por políticas públicas que reduzam a projeção de novos casos de uma doença de alta incidência não só no Brasil, mas em todo o mundo”, conclui.

Fonte: Medicina S/A

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