Álcool aumenta risco de câncer? Por que o beber socialmente engana

O consumo de álcool está associado ao aumento do risco de diversos tipos de câncer e deve ser evitado como medida de prevenção, inclusive em baixas doses.

Álcool x câncer

O Inca (Instituto Nacional de Câncer) estima 781 mil novos casos de câncer por ano no Brasil no triênio 2026–2028. Excluídos os tumores de pele não melanoma, são 518 mil casos anuais. VivaBem ouviu especialistas para explicar como o fator de risco destacado nas recomendações oficiais: o consumo de álcool.

Segundo especialistas, a ligação entre álcool e câncer está entre as mais bem documentadas na literatura científica. Walter da Costa, gerente médico da A.C.Camargo Cancer Center, afirma que essa associação é sustentada por estudos populacionais, análises de dose-resposta e pela compreensão dos mecanismos biológicos envolvidos.

“A ligação entre álcool e câncer é uma das associações mais bem estabelecidas da epidemiologia do câncer.”
— Walter da Costa

Segundo ele, bebidas alcoólicas são classificadas como carcinógeno do grupo 1 pela Iarc (Agência Internacional para Pesquisa em Câncer), categoria que reúne agentes com evidência suficiente de causar câncer em humanos.

Na prática clínica, o tema aparece com frequência. Mariana Lioni, oncologista e diretora médica do Oncoguia, afirma que pacientes costumam perguntar se existe um consumo seguro, se o tipo de bebida faz diferença e se o álcool interfere no tratamento.

“A nossa recomendação é que não existe um consumo 100% isento de risco. Quanto menor o consumo, menor o risco.”
— Mariana Lioni

Não é o tipo de bebida, é o álcool puro

O risco não está ligado ao rótulo da bebida, mas à quantidade de etanol ingerida. “O que vale para a cerveja, uma taça de vinho ou uma dose de destilado pode conter quantidades semelhantes de álcool, dependendo da graduação e do volume.”

A explicação ajuda a desmontar um dos mitos mais frequentes: o “beber socialmente”. “É o que diz a oncologista Maria Alzira Rocha, integrante do Comitê Científico do Instituto Oncoguia: ‘Câncer e bebida do Hospital A.C.Camargo. Esse ‘beber social’ varia muito entre as pessoas. Às vezes, quem só bebe no fim de semana acaba tendo um consumo excessivo sem perceber’”, afirma.

Quais cânceres têm associação mais clara

De acordo com os especialistas, o álcool está associado a um conjunto conhecido de tumores. Mariana Lioni cita cânceres de cabeça e pescoço (boca, faringe e laringe), esôfago, fígado, mama e colorretal como os mais frequentemente relacionados ao consumo.

Maria Alzira Rocha, por sua vez, destaca que os cânceres de boca, garganta e esôfago aparecem de forma clássica em pessoas com consumo excessivo e prolongado. Já alerta ainda para perfis que passam despercebidos. “Há pacientes com alta escolaridade e vida funcional preservada que mantêm um padrão de consumo elevado e acabam não sendo percebidos como grupo de risco.”

O que acontece no organismo

O principal mecanismo biológico é o metabolismo do álcool no fígado. Alessandra Rascovski, endocrinologista e diretora médica da clínica Alma Soma, explica que o processo gera acetaldeído, uma substância tóxica.

“O álcool é transformado em acetaldeído, uma molécula que pode causar danos ao DNA, inflamação e estresse oxidativo.”

— Alessandra Rascovski

Walter da Costa reforça que o acetaldeído é mutagênico, ou seja, é capaz de induzir mutações. O efeito é mais evidente em tecidos que entram em contato direto com o álcool, como boca e esôfago.

Quando fatores se somam, o risco se multiplica

O álcool raramente atua sozinho. Especialistas afirmam que a combinação com tabagismo é especialmente preocupante. A obesidade também é um agravante por favorecer inflamação crônica, resistência à insulina e alterações hormonais, mecanismos associados a diferentes tipos de câncer.

Para pacientes em tratamento oncológico, o álcool não invalida a terapia, mas pode dificultar o processo. Segundo Lioni, o consumo pode prejudicar a adesão, aumentar efeitos colaterais e interferir no metabolismo de medicamentos, já que muitas drogas são processadas pelo fígado.

“O álcool não anula o tratamento, mas pode atrapalhar”, afirmou. Em alguns casos, a suspensão do consumo facilita o controle de náusea, fadiga e outros efeitos adversos.

Fonte: Viva Bem UOL

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