[Câncer de Mama] Fabiana - Faby.

Aprendendo com Você
  • Instituto Oncoguia - Comece fazendo uma breve apresentação sobre você? idade, profissão, se tem filhos, casadoa, onde você mora... Fabiana - Me chamo Fabiana, tenho 33 anos, solteira, sou administradora, moro em Guaiuba -CE. Fui diagnosticada aos 31 anos, em 2022. 
  • Instituto Oncoguia - Como foi que você descobriu que estava com câncer? Você apresentou sinais e sintomas do câncer? Quais? Fabiana - Descobri no exame do toque, mas só percebi que havia algo de errado seis meses depois - por ter a mama grande, achei que era uma landra.
  • Instituto Oncoguia - Você enfrentou dificuldades para fechar o seu diagnóstico? Se sim, quais? Fabiana -

    Os médicos queriam que eu apenas observasse o caroço, mas eu sentia que havia algo errado. Decidi seguir minha intuição. Por causa da minha pouca idade, e diante da demora pelo SUS, paguei a biópsia particular. E então veio o resultado: câncer de mama invasivo, triplo negativo.

  • Instituto Oncoguia - Como você ficou diante do diagnóstico? Quer nos contar o que sentiu, o que pensou? Fabiana - Medo, vazio, uma sensação constante de despedida. Eu olhava ao meu redor e parecia estar em um mundo isolado. Do lado de fora, todos seguiam com a vida, enquanto eu me sentia parada, estacionada em um vazio profundo.
  • Instituto Oncoguia - Qual foi a sua maior preocupação neste momento? Fabiana - Deixar minha mãe e meu irmão. Não foi medo da morte, mas a tristeza de saber do sofrimento deles ao ver a minha possível partida.
  • Instituto Oncoguia - Você já começou o tratamento? Em que parte do tratamento você se encontra nesse momento? Se já finalizou, conte-nos um pouco sobre como foi enfrentar todos os tratamentos? Fabiana -

    Passei por cerca de 18 sessões de quimioterapia — havia semanas em que era apenas a quimio branca, e outras em que eu fazia a combinação da branca com a vermelha. Fiz uma cirurgia (quadrantectomia) e 22 sessões de radioterapia.

    Minha caminhada, comparada à de muitas pessoas, foi considerada leve. E devo isso a Deus e aos profissionais incríveis que Ele colocou no meu caminho.

    Estou há 1 ano e 5 meses em remissão — exatamente o tempo desde o fim da radioterapia.

  • Instituto Oncoguia - Em sua opinião, qual é/foi o tratamento mais difícil? Por quê? Fabiana - Para mim, a radioterapia foi a parte mais difícil do tratamento. Era todos os dias, e eu morava um pouco longe. Saía de casa às 10h da manhã e, muitas vezes, só voltava às 23h. Minha alimentação ficou mais complicada nesse período, além da queimadura na pele, que causava bastante incômodo.
  • Instituto Oncoguia - Você sentiu algum efeito colateral do tratamento? Como lidou com isso? O que te ajudou? Fabiana -

    Durante as quimioterapias, perdi o cabelo e me sentia bastante cansada, com um pouco de enjoo nos três primeiros dias. Mas me alimentava bem, comia em pequenas porções para evitar vômitos.

    Já na radioterapia, senti mais os efeitos — a combinação do tratamento com as longas viagens me deixava ainda mais cansada. Com o tempo, fui conhecendo melhor o meu corpo e aprendendo como lidar com cada situação.

  • Instituto Oncoguia - Como foi/é a sua relação com seu médico oncologista? Fabiana - Não gostava muito dele no começo, infelizmente ele era bem apático, depois melhorou, e agora foi trocado e a que está é muito boa, antecipada e não deixa passar nada. Estou amando.
  • Instituto Oncoguia - Você se relacionou com outros profissionais? Se sim, quais e por quê? Fabiana - Sim, sigo varios mastologista, oncologistas, enfermeiros, nutricionistas, gosto de estar bem informada, respeitando a particularidade da minha vivência.
  • Instituto Oncoguia - Você fez ou faz acompanhamento psicológico? Se sim, conte-nos um pouco sobre a importância desse profissional nessa fase da sua vida. Fabiana - Não cheguei a fazer terapia, mas sei o quanto ela é importante — especialmente para quem tem dificuldade em digerir o diagnóstico. Eu sofri muito no início, mas depois Deus me deu forças. Consegui ressignificar minha trajetória e enfrentar tudo com fé, resiliência e o apoio da minha rede de amor, que foi essencial nesse processo.
  • Instituto Oncoguia - Como está a sua vida hoje? Fabiana - Estou bem, graças a Deus. Ainda sigo arrumando a bagunça que o câncer deixou. Todos os dias enfrento, com garra, o chamado "fantasma do câncer". Não vivo em função do próximo exame, vivo um dia de cada vez, respeitando meu tempo e dando um novo significado à minha vida sempre que necessário.
  • Instituto Oncoguia - Você continua trabalhando ou parou por causa do câncer? Fabiana - Parei, mas acredito que logo, logo volto ao mercado de trabalho, com garra e fé. Eu ainda tenho muita saúde para correr atrás dos meus sonhos.
  • Instituto Oncoguia - Você buscou seus direitos? Se sim, quais? Fabiana - Eu era CLT, então busquei o auxílio-doença. Mas, desde o início, foi um processo muito humilhante. O primeiro pedido que fiz só foi aprovado mais de 1 ano e 6 meses após o diagnóstico. Infelizmente, a lei no papel é linda, mas na vida real, é profundamente desrespeitosa e humilhante.
  • Instituto Oncoguia - Que orientações você daria para alguém que está recebendo o diagnóstico de câncer hoje? Fabiana -

    Não sufoque o que está sentindo. Chore, se dê um tempo. Mas não deixe que os maus sentimentos e pensamentos te engulam ou você pode acabar paralisando e deixando de seguir adiante. Seguir é preciso.

    Não se compare. A sua história é única. Cada paciente tem suas particularidades, seus tempos, seus caminhos. Você terá DIAS e dias, e está tudo bem.

  • Instituto Oncoguia - Você tem alguma sugestão a nos dar? Fabiana - Não parem. Continuem. Se expandam. Vocês são muito necessários. Vocês representam acolhimento, segurança e inspiração.
  • Instituto Oncoguia - O que você acha que deveria ser feito para melhorar a situação do câncer no Brasil? Deixe um recado para os políticos brasileiros! Fabiana - Com toda certeza, não basta ter leis no papel — elas precisam ser efetivamente garantidas. Também é essencial ter uma fiscalização que funcione de verdade no SUS. O programa, em si, é excelente, mas a cada dia que passa está mais sucateado. Os impostos que pagamos são mais surrupiados do que investidos.
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