[Câncer de Mama Avançado] Carla Polidoro

Aprendendo com Você
  • Instituto Oncoguia - Comece fazendo uma breve apresentação sobre você? idade, profissão, se tem filhos, casadoa, onde você mora... Carla - Me chamo Carla Polidoro, tenho 49 anos, casada, tenho 2 filhos de 24 e 22 anos meus eternos BBs, moro em Itapeva interior de SP. Sou Fisioterapeuta há 15, pós graduada em Geriatria, Docência, Oncologia e Uroginecologia. Trabalho com Atendimento Domiciliar. 
  • Instituto Oncoguia - Como foi que você descobriu que estava com câncer? Você apresentou sinais e sintomas do câncer? Quais? Carla -

    No dia 24 de agosto de 2019, às 10 horas da manhã, tirei o pijama, tomei banho e me vesti normalmente. Às 22 horas, no mesmo dia, ao tomar outro banho, percebi uma mancha na lateral da mama direita. Não doía, não incomodava, mas me chamou a atenção.

    Procurei orientação de uma amiga médica radiologista, que disse acreditar ser apenas uma micose. Mesmo assim, como já tinha uma consulta marcada com a mastologista, resolvi aproveitar e fazer uma ultrassonografia. Durante o exame, a radiologista encontrou um nódulo de 0,6 cm, impalpável, e solicitou uma biópsia do tipo core. Essa iniciativa foi decisiva, pois a mastologista só realizou o procedimento após a solicitação e insistência da radiologista que foi um verdadeiro anjo nessa história.

    No dia 24 de setembro de 2019, fiz a biópsia. O resultado saiu em 4 de outubro de 2019, tudo de forma particular. A partir daí, começou a minha saga.

  • Instituto Oncoguia - Você enfrentou dificuldades para fechar o seu diagnóstico? Se sim, quais? Carla -

    O diagnóstico foi feito totalmente de forma particular. Com o resultado em mãos, como eu não fazia consultas pelo SUS, entrei em contato com o Hospital Amaral Carvalho, em Jaú. Contei minha situação e informei o diagnóstico. Eles disseram que havia vaga e me orientaram sobre o passo a passo para chegar até lá com todos os exames que eu já possuía.

    A maior dificuldade que encontrei foi com os profissionais do posto de saúde e da central de regulação do município. Parecia haver má vontade em resolver o caso. Queriam que eu passasse novamente por consultas e realizasse exames, mesmo eu já tendo tudo pronto, conforme solicitado pelo hospital.

    Questionei essa demora, lembrando que estávamos no mês do Outubro Rosa e que não acreditava no que estava acontecendo. Eu já tinha meio caminho andado, mas o processo estava sendo travado por despreparo e falta de comprometimento.

    Depois de muita insistência, consegui encaminhar tudo. Esse processo levou cinco dias, entre 4 e 9 de outubro de 2019. No dia 15 de outubro, o Hospital Amaral Carvalho me ligou agendando a consulta para 1º de novembro de 2019.

    Cheguei à consulta já com tomografias e cintilografia óssea em mãos. O diagnóstico mostrava um nódulo menor que 1 cm, com estrógeno de 5%, progesterona de 20%, HER2 negativo e Ki-67 de 90%. Saí de lá com a cirurgia de quadrantectomia agendada para 2 de dezembro de 2019.

    No entanto, nesse intervalo, o câncer se multiplicou na mesma mama, e a cirurgia precisou ser suspensa. No mesmo dia em que seria operada, iniciei a quimioterapia neoadjuvante, que não trouxe efeito colateral, mas também não reduziu o tumor. Tivemos que interromper o tratamento, tentamos a radioterapia neoadjuvante sem sucesso e, diante da progressão da doença, foi necessária a realização de uma mastectomia de urgência.

     

  • Instituto Oncoguia - Como você ficou diante do diagnóstico? Quer nos contar o que sentiu, o que pensou? Carla - De início, chocada mas em silêncio, enfrentando com minhas dúvidas e sentimentos relatado somente para Deus, tinha umas demandas pessoais a resolver que acabei não dando tanta importância ao câncer, mas sempre tratando...
  • Instituto Oncoguia - Qual foi a sua maior preocupação neste momento? Carla - Estar bem, não fazer loucura e não me automedicar ou fazer uso de chás milagrosos, procurei observar meu organismo quais respostas no tratamento e foi a melhor escolha, hoje tenho certeza disso.
  • Instituto Oncoguia - Você já começou o tratamento? Em que parte do tratamento você se encontra nesse momento? Se já finalizou, conte-nos um pouco sobre como foi enfrentar todos os tratamentos? Carla -

    Estou em acompanhamento há seis anos. Fiz quimioterapia e radioterapia neoadjuvantes, seguidas de mastectomia radical com linfadenectomia à esquerda, com a retirada de 16 linfonodos, sendo 2 deles metastáticos, em 16 de março de 2020.

    No dia 26 de junho de 2020, houve recidiva na cicatriz, e precisei passar por nova cirurgia. Pouco depois, em 9 de julho de 2020, iniciei o uso de capecitabina (3.500 mg por dia), seguida de radioterapia adjuvante.

    Em 6 de janeiro de 2021, realizei linfadenectomia à direita, com retirada de 9 linfonodos, sendo 1 metastático. Em março do mesmo ano, fiz novamente radioterapia e, em seguida, retomei o uso da capecitabina.

    Em agosto de 2022, realizei a reconstrução mamária pelo método TRAM e segui em tratamento com capecitabina até 27 de junho de 2025.

    No momento, estou em pausa da medicação. No final do ano, repetirei os exames para avaliar a necessidade de retomar o tratamento.

  • Instituto Oncoguia - Em sua opinião, qual é/foi o tratamento mais difícil? Por quê? Carla -

    A radiodermite que tive durante o último protocolo de radioterapia foi muito intensa. Fiz três ciclos ao todo: no primeiro, estavam previstas 25 sessões, mas consegui realizar apenas 11 por causa da queimadura e da dor. No segundo, fiz 20 sessões, e no terceiro, 21. A reação na pele foi dolorosa e exigiu cuidados constantes durante todo o processo.

  • Instituto Oncoguia - Você sentiu algum efeito colateral do tratamento? Como lidou com isso? O que te ajudou? Carla -

    Os médicos dizem que sou um caso atípico, pois não apresentei nenhum efeito colateral. O que me ajudou foi o fato de não ter raspado a cabeça. Tive apenas queda de cabelo, mas não cheguei a ter alopecia, e também não perdi os pelos do corpo.

    Essa reação foi o que ajudou minha oncologista a perceber que a quimioterapia não estava surtindo efeito sobre o tumor.

  • Instituto Oncoguia - Como foi/é a sua relação com seu médico oncologista? Carla - Muito boa. Ela escuta o que eu falo sobre meu corpo, isso ajudou muito a descobrir as metástase regionais logo em seguida e entrar com cirurgia e tratamento rápido.
  • Instituto Oncoguia - Você se relacionou com outros profissionais? Se sim, quais e por quê? Carla -

    Sim, pedi auxílio psicológico para compreender todo o processo que estava vivenciando, principalmente porque eu tendia a minimizar o câncer. Com o acompanhamento, consegui encontrar respostas para muitos dos meus porquês.

  • Instituto Oncoguia - Você fez ou faz acompanhamento psicológico? Se sim, conte-nos um pouco sobre a importância desse profissional nessa fase da sua vida. Carla - Como referi acima, foi essencial para entender e dar sentido para minha vida e lidar com todas as situações, principalmente por eu ter prognóstico paliativo sem nunca ter me sentido doente apesar de todas as 6 cirurgias que fui submetida por causa do câncer. 
  • Instituto Oncoguia - Como está a sua vida hoje? Carla -

    As pessoas costumam dizer: “Nossa, nem parece que você tem câncer.” E eu respondo: eu trato um diagnóstico, eu não sou ele.

    Ou seja, trato uma doença sem me sentir doente, e é assim que levo todos os meus dias. Não negligencio minha vida, vivo da melhor forma possível. No momento, não faço uso de nenhuma medicação, pois a única doença que trato é o câncer. Cuido-me com uma alimentação saudável, pratico exercícios que revigoram meus dias, bebo bastante água e cultivo alegria, energia e, acima de tudo, muita vida.

  • Instituto Oncoguia - Você continua trabalhando ou parou por causa do câncer? Carla -

    Quando recebi o diagnóstico, decidi vender meu consultório e me dedicar inteiramente a mim e ao tratamento. Fiquei cinco anos afastada e, durante esse período, aproveitei para estudar. Fiz pós-graduação em Docência, Uroginecologia e Oncologia, áreas que se conectam com a minha formação em Fisioterapia Geriátrica.

    Neste ano resolvi voltar a trabalhar, mas tem sido desafiador. É como recomeçar do zero na profissão: conquistar novamente um espaço, buscar oportunidades e reconstruir a agenda de pacientes. Assim como no tratamento, é um recomeço vivido um dia de cada vez.

  • Instituto Oncoguia - Você buscou seus direitos? Se sim, quais? Carla -

    Sim, recebi o benefício previdenciário e o seguro de vida após o laudo que confirmou limitação permanente dos membros superiores, em razão do risco de linfedema e trombose decorrentes das linfadenectomias bilaterais. Também obtive isenção do imposto de renda.

    A única situação que não compreendi foi a condição de pessoa com deficiência, concedida em 2021. Após um ano, no momento da renovação, ela foi retirada, sob justificativa médica de que eu não me enquadrava mais nos critérios.

  • Instituto Oncoguia - Que orientações você daria para alguém que está recebendo o diagnóstico de câncer hoje? Carla - Respira, não pira! Um passo de cada vez, estou aqui se precisar e se não precisar também. Estamos juntas!
  • Instituto Oncoguia - O que você acha que deveria ser feito para melhorar a situação do câncer no Brasil? Deixe um recado para os políticos brasileiros! Carla -

    A política costuma se apropriar do movimento de combate ao câncer para promoção própria. Acredito que ações concretas voltadas ao acesso real a exames e biópsias seriam muito mais eficazes para a causa do que apenas a divulgação. É claro que a comunicação é importante para alcançar as pessoas, mas, infelizmente, ainda há muitos locais com carência de acesso a um diagnóstico e tratamento rápidos.

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