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[Câncer de Mama] Camila F. L. Almeida

Aprendendo Com Você



Essa entrevista foi preenchida em 09/07/2020

Camila F. L. Almeida
  • Instituto Oncoguia - Quem é você? (idade, profissão, tem filhos, casada, cidade e estado?) Camila - 32 anos, administradora, sem filhos, união estável, São Paulo, SP
  • Instituto Oncoguia - Como foi que você descobriu que estava com câncer? Camila - Eu comecei a notar um caroço na minha mama esquerda em Agosto de 2018 que eu não me lembrava de ter antes. Nessa época morava no Quênia e busquei uma médica que decidiu acompanhar a evolução do nódulo por alguns meses. Assim que ela percebeu que ele estava aumentando disse que deveríamos tirá-lo, apesar de achar de que era benigno (eu fiz uma biópsia por punção que não acusou malignidade). Retirei o nódulo no final de 2018 com essa médica e quando eu voltei para o Quênia depois das férias de final de ano no Brasil em Janeiro de 2019 o resultado da biópsia tinha saído e era um câncer de mama.
  • Instituto Oncoguia - Você apresentou sinais e sintomas do câncer? Quais? Camila - Sim, o caroço que já podia ser notado e apalpado e eu senti algum incômodo e queimação na região antes da cirurgia.
  • Instituto Oncoguia - Quais dificuldades você enfrentou para fechar o seu diagnóstico? Camila - A maior dificuldade foi ter recebido o diagnóstico fora de casa, no Quênia, que é um país com uma infraestrutura de saúde pior que a do Brasil. A biópsia foi feita sem a análise imuno histoquímica então eu e meu parceiro voamos para o Brasil com o meu material para que o diagnóstico e estadiamento fossem completados aqui. Demorou para eu saber exatamente o tipo do câncer e ter um diagnóstico completo e isso me trouxe bastante ansiedade.
  • Instituto Oncoguia - Como você ficou quando recebeu o diagnóstico? O que sentiu? No que pensou? Camila - Acho que reagi relativamente bem e meu parceiro teve a mesma impressão porque recebeu a notícia junto comigo. Eu sabia que tinha alguma chance de ser um diagnóstico de câncer do jeito que a médica me olhou e me deu oi quando cheguei então fui me preparando para o que ela poderia vir a me dizer enquanto esperava ela me chamar para a consulta. Em um primeiro momento eu senti medo e ansiedade porque não tive um diagnóstico completo logo de cara e também fiquei triste. Mas depois pensei que eu tinha a força que eu precisava para encarar a situação e também muita gente querida que iria me apoiar no Brasil durante todo o tratamento. Depois do choque inicial eu fiquei bem, otimista e forte e decidi me preparar da melhor maneira possível para o que estava por vir.
  • Instituto Oncoguia - Qual foi a sua maior preocupação neste momento? Camila - No momento do diagnóstico foi não saber exatamente o tamanho do problema, como seria o tratamento, como ficaria minha vida depois, quanto tempo eu me trataria e por aí vai. Foi basicamente não saber muitas coisas e só saber que eu estava com a doença. Também fiquei preocupada em como eu iria lidar com largar toda a minha vida no Quênia para voltar para o Brasil, como eu e meu parceiro iríamos continuar trabalhando de longe e como as pessoas ao meu redor e próximas de mim iriam reagir à notícia. O primeiro momento de descoberta naturalmente traz muitas preocupações, mas quando tudo começa a se esclarecer e se encaminhar tudo melhora e se ajeita.
  • Instituto Oncoguia - Você já começou o tratamento? Em que parte do tratamento você se encontra nesse momento? Se já finalizou, conte-nos um pouco sobre como foi enfrentar todos os tratamentos? Camila - Eu comecei o tratamento em fevereiro de 2019. Ele consistiu de 10 sessões de quimioterapia combinadas com anticorpos monoclonais. A quimioterapia acabou no final de Agosto de 2019, mas eu continuo me tratando com os anticorpos monoclonais a cada 21 dias de forma contínua. Em Setembro de 2019, por apresentar manifestação da doença na pele da mama eu realizei sessões de radioterapia que acabaram no final de 2019 e foram bem sucedidas. Aliás todos os tratamentos foram bem sucedidos, tive uma resposta boa felizmente.
  • Instituto Oncoguia - Em sua opinião, qual é o tratamento mais difícil? Por quê? Camila - Na minha opinião é a quimioterapia por conta dos efeitos colaterais e do cansaço emocional que ela me trouxe. Existe todo um estigma negativo sobre a quimioterapia então você já começa sabendo que pode ser que ela seja bem difícil. Para minha sorte eu não sofri tanto no começo, mas depois que as minhas 8 sessões iniciais foram por mais 2 sessões, eu comecei a apresentar sintomas pelo acúmulo da medicação no corpo e no final só queria que acabasse. A parte da queda de cabelo e sobrancelha também mexe com a gente. Eu tive o privilégio de poder fazer a crioterapia que me ajudou com isso, mas trouxe um incômodo adicional durante as aplicações. No final acho que foi difícil porque os efeitos se acumularam e a parte emocional ficou um pouco abalada com a perda de cabelo, dor e cansaço. Principalmente quando essa dor começou a me impedir de seguir a rotina que estava seguindo no começo do tratamento.
  • Instituto Oncoguia - Você sentiu algum efeito colateral diante ao tratamento? Como lidou com isso? O que te ajudou? Camila - Sim, senti. Por conta da Quimioterapia tive bastante queda de cabelo e sobrancelha, mesmo fazendo a crioterapia. E no final do tratamento sofri com dores nas pernas devido ao inchaço e acúmulo de líquido. Fora isso fiquei com um pouco de irritação na boca e garganta. Mas não tive problemas de enjoo e pude comer super bem durante todo o tratamento. Eu lidei bem com os efeitos, a parte da dor nas pernas foi a mais chata porque qualquer movimento acabava incomodando, mas eu sabia que estava acabando e isso me deu forças para aguentar. Eu fiz muita meditação e yoga e cuidei muito de mim durante toda a quimioterapia e isso com certeza deixou as coisas mais fáceis. Continuei me exercitando e fazendo todas as atividades que sempre fiz e isso me fazia sentir mais forte, foi super importante.
  • Instituto Oncoguia - Como foi/é a sua relação com seu médico oncologista? Camila - Muito boa. Desde o princípio meu médico foi transparente comigo sobre como seria meu tratamento, quais os resultados esperados, o que podia dar certo e errado, etc. Ele também sempre se preocupou e ainda se preocupa muito com os efeitos colaterais dos remédios que tomei e tomo e também com a minha qualidade de vida: ele não me vê só como paciente mas também como uma pessoa e me trata como tal. Isso faz toda a diferença. Em um certo momento ele também me ajudou em decisões importantes de vida como decidir onde morar durante e depois do tratamento e por isso eu valorizo bastante a opinião dele. Sinto que ele cuida não só do problema de saúde mas também leva em consideração coisas importantes no âmbito da minha vida pessoal.
  • Instituto Oncoguia - Você se relacionou com outros profissionais? Se sim, quais e por quê? Camila - Sim, me relacionei com uma nutricionista, com um psicoanalista e com um acupunturista com frequência durante toda a quimioterapia e radioterapia. Também tive acompanhamento próximo da minha ginecologista / mastologista. Decidi usar outros profissionais porque acredito de verdade que o tratamento vai muito além de tomar os remédios de quimioterapia e os anticorpos monoclonais. Como paciente ativa é meu dever cuidar de tudo que está sob meu controle para ter melhores resultados com os remédios como minha saúde mental, meu bem estar físico e espiritual, minha nutrição, meu sono. Sem esse cuidado holístico com certeza eu não teria passado tão bem pelo tratamento e diminuído a intensidade dos efeitos colaterais dos remédios que tomei e tomo.
  • Instituto Oncoguia - Você fez ou faz acompanhamento psicológico? Se sim, conte-nos um pouco sobre a importância desse profissional nessa fase da sua vida. Camila - Fiz e continuo fazendo. A terapia teve uma importância muito grande porque era durante as minhas sessões que eu conseguia falar sobre os problemas relacionados ao diagnóstico e tratamento e sobre os altos e baixos de todo o processo com alguém neutro, ou seja, com alguém que não se sentiria triste ou mal por me conhecer e ter um relacionamento comigo. Naquele espaço eu conseguia e ainda consigo falar abertamente sobre tudo: medos, angústias, ansiedade, sem sentir que eu preciso diminuir as coisas e sem ter a necessidade de ter que parecer forte e bem o tempo todo. Esse acompanhamento também te ajuda a visitar e questionar outras questões da sua vida que é algo que eu não teria feito se não fosse pelo diagnóstico da doença e por ter tido um ano bastante focado no meu tratamento e bem estar emocional.
  • Instituto Oncoguia - Como está a sua vida hoje? Camila - Minha vida hoje está muito boa. Saí do meu emprego no Quênia e aceitei um novo desafio profissional em uma empresa na área da saúde que é uma área muito próxima de mim e da minha vida. Isso me motiva bastante. Além disso voltei a morar no Brasil e tenho uma rotina bastante ativa com exercício físico constante e adotando as mesmas práticas que me ajudaram durante o ano da quimioterapia como meditação e yoga. Faço tudo que quero e que me deixa feliz e por isso não posso reclamar.
  • Instituto Oncoguia - Você continua trabalhando ou parou por causa do câncer? Camila - Continuo trabalhando, mas agora em uma empresa aqui no Brasil. Durante o tratamento eu trabalhei remotamente e continuei no mesmo emprego que tinha no Quênia. A empresa de lá foi super compreensiva e me deixou trabalhar menos horas e de forma remota durante todo o ano, isso me ajudou e me deixou focar no tratamento e em estar bem e foi fundamental para que eu passasse bem por tudo.
  • Instituto Oncoguia - Você buscou seus direitos? Se sim, quais? Camila - Felizmente não tive essa necessidade.
  • Instituto Oncoguia - Quais são seus projetos para o futuro? Camila - É engraçado que quando eu penso em futuro eu sinto que meus projetos não são diferentes dos que eu tinha antes do diagnóstico. Eu acho que o diagnóstico não muda quem você é, mas te deixa mais próximo de quem você quer ser de verdade. As distrações de antes como sei lá, a próxima promoção ou a próxima conquista deixam de fazer sentido porque não importam tanto quanto você um dia pensou. Meus projetos são simples: continuar vivendo uma vida boa e equilibrada e me aprofundar na meditação e na minha espiritualidade. Além disso quero ser mais ativa na parte do voluntariado, conseguir ajudar as pessoas com a minha história e doar energia para causas de importância.
  • Instituto Oncoguia - Que orientações você daria para alguém que está recebendo o diagnóstico de câncer hoje? Camila - A primeira coisa que eu diria é para ela aceitar todos os sentimentos ruins que o diagnóstico vai trazer em um primeiro momento. Suprimir o medo e a ansiedade e a tristeza não faz bem e é parte do processo passar por isso. Quanto menos você suprime mais rápido isso passa e você pode cultivar o que realmente precisa para passar por tudo: otimismo, força, alegria, se permitir ser vulnerável e receber ajuda e por aí vai. Essa situação me fez descobrir uma força que eu não sabia que tinha e essa descoberta é muito bonita, acho que qualquer pessoa que receba o diagnóstico tem que abraçar essa descoberta e esse processo e se cercar de amor, além de buscar ser o melhor possível em tudo que puder controlar como saúde mental, nutrição, saúde física, espiritualidade (se fizer sentido para a pessoa), etc.
  • Instituto Oncoguia - Como você conheceu o Oncoguia? Camila - Eu já não me lembro, acho que vi algum cartaz de alguma campanha na clínica onde faço meu tratamento, o CPO. E aí busquei o perfil no instagram e consumi o conteúdo do site.
  • Instituto Oncoguia - O que você acha que deveria ser feito para melhorar a situação do câncer no Brasil? Deixe um recado para os políticos brasileiros! Camila - Eu tenho uma posição muito privilegiada e não tive nenhum problema com meu tratamento no Brasil por ter convênio particular. Eu sei que falta muita informação e acesso aos tratamentos de qualidade para as pessoas com mais necessidade e que dependem da saúde pública. Temos um longo caminho pela frente e dada a seriedade da doença e a dificuldade de passar por ela e pelo tratamento eu realmente espero que as políticas ligadas à saúde deem a atenção que a doença merece para as pessoas que precisam.


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