[CÂNCER DE ENDOMÉTRIO] Rita de Cássia Barbosa Barros

Instituto Oncoguia - Você poderia se apresentar? Rita de Cássia

Rita de Cássia - Primeiramente, quero agradecer pela oportunidade de partilhar a minha experiência. Sou Rita de Cássia Barbosa Barros, casada, 47 anos, professora, carioca, moro no Rio de Janeiro, quinta filha de uma super família com 8 filhos. Tenho pais maravilhosos, 16 sobrinhos lindos e um sobrinho neto lindão!

Instituto Oncoguia - Como foi que você descobriu que estava com câncer?


Rita de Cássia - Todos os anos, sempre, estava em dia com meus exames ginecológicos e sob os cuidados do meu super médico, ginecologista e cirurgião Dr. Pedro Paulo de Melo Nora. Fazia exercícios, com caminhadas matinais diárias, não fumava e nem bebia. Até os últimos exames preventivos e de imagem que fiz em 2010, nada havia acusado ou surgido.

No dia 19 de agosto de 2011, um sábado, amanheci com uma dor aguda e terrível na panturrilha da perna direita. Fui a uma emergência ortopédica e o médico que me examinou disse que não parecia ser nada. Então, passando mal, fui a uma emergência hospitalar, no hospital evangélico, no bairro da Tijuca. O médico que me atendeu imediatamente disse que eu estava com trombose e me internou. No dia 22 de agosto daquele ano eu entrava para o centro cirúrgico para suturar a safena direita, pois havia um trombo solto. O cirurgião vascular que operou disse que eu poderia ter tudo, menos câncer, pois eu não estava abatida e estava acima do peso. Daí uma série de tromboses começaram a acontecer nas minhas duas pernas. Tão graves que eu não consegui andar por um bom tempo. E fiquei internada apenas tomando anticoagulante. Não fui bem cuidada nesse hospital.

Cada vez me sentindo pior, no dia 21 de setembro daquele ano eu deixei esse hospital, muito mal. Então eu pedi uma indicação para o meu ginecologista.  Ele me colocou nas mãos do cirurgião vascular Dr. Fabio de Almeida Leal, no dia 23 de setembro de 2011. Nesse dia eu fui internada no hospital clinica Grajaú, no Rio de Janeiro. Foi uma sexta-feira. Chegando lá, uma série de exames esperava por mim, do exame de sangue à tomografia. Fiquei sob os cuidados de outro super médico, Dr. Vinicius Menezes, diretor clinico do hospital, cardiologista e clínico geral que assumiu pessoalmente o meu caso. E comecei a ser acompanhada por ele e pelo Dr. Fábio Leal. Eles me reviravam do avesso. No decorrer de minha estadia lá, fazendo vários exames, eu tive um ciclo menstrual hemorrágico. Fui submetida á uma curetagem, perdi muito sangue e fui para o CTI. Fiquei lá por dois dias e depois voltei para o quarto. Estava com várias tromboses nas duas pernas, mas isso estava controlado. Então, a equipe decidiu colocar um filtro na veia cava, por segurança.

Nas duas primeiras semanas de outubro eu recebi o diagnóstico de que eu tinha câncer no endométrio. Ainda no mês de outubro de 2011 eu fiz uma histerectomia total. foi quando, durante a cirurgia realizada pelo Dr. José Roseira, ele descobriu câncer em um ovário, num estágio mais adiantado. Depois da cirurgia fiquei três dias no CTI, estava muito fraca.

Tive alta no dia 01 de novembro e em 10 de novembro de 2011 comecei a quimioterapia sob os cuidados da super doutora Regina de Oliveira Hércules na oncoclinica aqui no Rio de Janeiro, unidade Copacabana, mas depois de uma aplicação, minhas plaquetas foram a 30, tive uma intercorrência renal e voltei para o hospital. Lá, fui submetida a uma cirurgia para retirar um cálculo de 6 mm que obstruiu a passagem para a bexiga. Voltei pra casa dia 31 de dezembro e retomei a quimioterapia.
 
Em 03 de março de 2012 coloquei o cateter e, em resumo, fiquei internada de agosto de 2011 a março de 2012. Nesse período eu tomei 4 transfusões de sangue.

Instituto Oncoguia - Como você ficou quando recebeu o diagnóstico?


Rita de Cássia - Como se fosse uma paulada que eu não sabia de onde vinha. Soube do diagnóstico durante a internação. Fiquei apavorada achando que ia morrer. Já tinha várias tromboses! Dois tipos de câncer ao mesmo tempo! Endométrio e ovário!

Instituto Oncoguia - Qual era a sua maior preocupação neste momento?


Rita de Cássia - Se eu iria sobreviver.

Instituto Oncoguia - O que aconteceu depois disso?

Rita de Cássia - Como disse, mesmo em meio às intercorrências, durante o período que estive internada, comecei a quimio e decidi lutar pela minha vida. Eu fazia e faço, exatamente, tudo o que meus médicos mandam. Fui fiel às orientações e tratamentos.

Outra coisa muito importante e vital: tive apoio integral do meu marido, da minha família e de meus amigos que não saíram do meu lado. Tive acompanhamento espiritual porque sou católica e a fé que tenho, em Deus e na virgem Maria, foi fundamental para mim.  Também foi feita uma corrente de orações e positividades, pessoas que eu nem conheci rezaram por mim, das mais diversas formas.  

Instituto Oncoguia - Você já começou o tratamento?

Rita de Cássia -
Fiz quimioterapia de novembro de 2011 a julho de 2012. Em agosto de 2012 entrei para o acompanhamento trimestral.

Instituto Oncoguia - Em sua opinião, qual é o tratamento mais difícil?

Rita de Cássia -
As cirurgias que fiz foram os tratamentos mais difíceis, porque eu tenho uma hiperalgesia e senti muitas dores. Bom, os efeitos da qumioterapia são muito pesados, mas reconheço que a tecnologia e o tratamento estão muito avançados e tudo concorre para diminuir o mal estar que os medicamentos causam, mas iniciar a terapia psicológica foi difícil também. Todo paciente precisa de suporte para enfrentar essa doença de frente.

Instituto Oncoguia - Você teve efeitos colaterais?


Rita de Cássia -
Tive sim: falta de apetite, enjoos, queda de cabelo total, dores no corpo, constipação e muita prostração. O pior foi a prostração. Eu fazia quimio às quartas-feiras e só conseguia me levantar da cama no domingo. Durante a quimio, eu tive três processos infecciosos, mas foram debelados rapidamente porque eu contei com a atuação veloz e cuidadosa dos médicos que me acompanhavam.

Instituto Oncoguia - Como foi a relação com o seu médico?


Rita de Cássia -
Uma relação sensacional com todos os médicos que cuidaram do meu caso. Além de me tratarem com total respeito e humanidade, não deixavam que eu ficasse na ignorância, me deram todas as informações e esclarecimentos dos quais eu necessitava. Agiram em prol da minha cura rapidamente. Amo todos eles!

Na verdade, quero deixar aqui o meu agradecimento e carinho especial. Tenho que citar essa equipe de super médicos: Dra. Regina de Oliveira Hércules, da Oncoclínica onde me trato, Dr. Pedro Paulo Nora, meu ginecologista, Dr. Vinicius Menezes, diretor clinico do hospital clinica Grajaú, Dr. Fábio Leal, cirurgião vascular, Dra. Natalia Gil, minha terapeuta, Dra. Monica Santos, minha nutricionista.

E um beijo especial para toda a equipe de enfermagem da Oncoclínica de Copacabana e toda equipe do receptivo de lá, e para a equipe de enfermagem do hospital clinica Grajaú, que cuidaram de mim, por tanto tempo, com carinho e competência no momento que eu mais precisei.

Instituto Oncoguia - Com que outro profissional você se relacionou?

Rita de Cássia -
Me relacionei com meu advogado, porque tive problemas iniciais com meu plano de saúde que tentou não autorizar alguns exames importantes como a ressonância ou o doppler das pernas. Eu, com várias tromboses nas duas pernas. Isso foi desgastante, mas meu advogado soube me orientar e tomar as providências legais para garantir meu direito contratual de cobertura.

Instituto Oncoguia - Você fez acompanhamento psicológico?

Rita de Cássia - Sim e continuo fazendo, com minha super terapeuta Dra. Natalia Gil, da Oncoclínica.

Instituto Oncoguia - E com nutricionista?


Rita de Cássia - Comecei esse acompanhamento nutricional depois da quimio, com minha super nutricionista Dra. Monica Santos, da Oncoclínca.

Instituto Oncoguia - Você está em tratamento ou já finalizou?

Rita de Cássia - Iniciei o tratamento em novembro de 2011 e encerrei em julho de 2012. Agora estou no acompanhamento trimestral.

Instituto Oncoguia - Como está a sua vida hoje?

Rita de Cássia -
Acho que me tornei uma militante no combate contra o câncer.
 
Hoje eu me organizo trimestralmente (risos), por enquanto os lugares que mais frequento são os consultórios dos médicos. Os exames trimestrais, lido com tranquilidade, com as consequências da quimio também e vivo um dia de cada vez. Minha alimentação mudou pra melhor, faço hidroginástica todos os dias e decidi evitar todo tipo de estresse possível.

Instituto Oncoguia - Conte-nos sobre seu trabalho e planos para o futuro.

Rita de Cássia -
Estou retomando meu trabalho aos poucos. Eu trabalho com relações internacionais e educação superior. Os planos são modestos: conseguir retomar o meu lugar no mercado de trabalho e terminar a escrita da minha tese de doutorado que foi interrompida quando tudo aconteceu.

Instituto Oncoguia - Que orientações você daria para alguém que está recebendo o diagnóstico de câncer hoje?

Rita de Cássia - Bem, eu posso sugerir as coisas que foram importantes pra mim: buscar esclarecimento nas fontes confiáveis, pedir ajuda de família e amigos, ser completamente obediente ao tratamento, fazer acompanhamento psicológico, se alimentar muito bem pra manter a força, descansar o máximo que puder e ter esperanças, porque o câncer pode ser curado! Eu fui curada, como muitas pessoas foram e estou aqui, contanto história.

Instituto Oncoguia - Qual a importância da informação durante o tratamento de um câncer?

Rita de Cássia - Importância vital, a informação esclarece e coloca o paciente oncológico e sua família a par da realidade. Câncer não é mais uma sentença de morte.

Instituto Oncoguia - Você buscou se informar? De que maneira?

Rita de Cássia - Busquei informação diretamente com os meus médicos, evitei sites não confiáveis e literaturas duvidosas.

Instituto Oncoguia - Como você conheceu o Oncoguia?  

Rita de Cássia - Quando eu me senti mais reestabelecida, voltei a usar a internet e vi uma propaganda de vocês no Facebook. Acessei, curti e agora sou uma seguidora do portal.

Instituto Oncoguia - Você tem alguma sugestão a nos dar?

Rita de Cássia - Tenho: continuem alimentando o portal com informações de qualidade, publicando depoimentos e prestando esse serviço maravilhoso. Parabéns à toda equipe Oncoguia.

Instituto Oncoguia - Você sabia que possuímos um trabalho focado na melhoria da situação do câncer no Brasil? Estamos sempre em contato com políticos e gestores que podem ajudar a melhorar as políticas públicas brasileiras relacionadas ao câncer. Se você fosse mandar um recado para um político, o que você gostaria que mudasse ou melhorasse considerando tudo o que você passou?  

Rita de Cássia -
Que uma lei ordenasse que nenhum plano de saúde questionasse, demorasse ou deixasse de autorizar os tratamentos, procedimentos e medicações aos pacientes que pagam regularmente suas mensalidades. E que os serviços públicos de saúde para pacientes com câncer agissem sem demora.
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