Sala de espera

A sala de espera da consulta parece ter um relógio próprio. Os minutos passam devagar, arrastados, quase como se o tempo também estivesse prendendo a respiração junto com cada pessoa ali.

As cadeiras alinhadas guardam histórias que ninguém conhece por completo. Há olhares perdidos no chão, mãos apertando exames já amassados de tanto serem lidos, pernas que balançam sem perceber numa tentativa silenciosa de aliviar a ansiedade que insiste em ocupar o peito inteiro.

Tem quem mexa no celular sem realmente prestar atenção em nada. Tem quem encare a porta do consultório como se dela pudesse sair, a qualquer instante, uma sentença capaz de mudar tudo. E, no meio daquele silêncio cheio de pensamentos barulhentos, os olhares se cruzam.

Não é preciso dizer palavra alguma.

Existe uma espécie de linguagem invisível entre quem espera. Um olhar cansado encontra outro igualmente assustado e, por alguns segundos, parece acontecer um acordo silencioso: “vai dar tudo certo”. Mesmo sem certeza. Mesmo com medo. Mesmo tentando ser forte enquanto o coração dispara.

A sala de espera é um lugar estranho. Ali convivem esperança e desespero na mesma intensidade. Pessoas diferentes, histórias diferentes, mas sentimentos tão parecidos que quase podem ser tocados.

E a espera… ah, a espera parece não ter fim.

Cada vez que a porta abre, todos levantam os olhos ao mesmo tempo. O nome chamado nunca é o nosso na velocidade que desejamos. As vezes quem sai do consultório, sai com olhos marejados ou com sorriso nos lábios. E as vezes com os dois ao mesmo tempo, olhos marejados de felicidades juntamente com sorriso nos lábios. E enquanto isso, seguimos ali, contando segundos, criando cenários na cabeça, tentando controlar pensamentos que insistem em correr mais rápido que a realidade.

Mas talvez a maior verdade daquela sala seja justamente essa: ninguém sai dali igual a como entrou. Porque esperar por uma consulta, por um resultado, por uma resposta, é também enfrentar silenciosamente os próprios medos.

Vanessa Costa, bióloga, integrante do Comitê de Pacientes Oncoguia, mãe do Gabriel, da Luisa e do Heleno.

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