Esperançar
Antes que maio termine, eu preciso escrever sobre uma causa, uma saudade e um legado.
Maio é o mês de conscientização sobre o câncer de ovário. Longe dos holofotes, ele não é tão silencioso como dizem. Na maioria dos casos, pode dar muitos sinais. O seu corpo vai tentar te dizer que alguma coisa não está bem. E você precisa estar atenta.
Dor e inchaço abdominal persistente, sensação de saciedade - mesmo comendo pouco, necessidade frequente de urinar, cansaço constante, dor na relação sexual e alterações intestinais são sintomas sussurrantes. De paciente para paciente: Ouça o seu corpo. Não ignore nenhuma alteração que dure mais de 2 semanas.
Antes que maio termine, eu preciso falar da saudade que carregamos ao continuar. A partida de vozes ativas e importantes da causa, deixou nossa própria voz embargada, mas não nos calou. Seguimos com elas e por elas. Seguimos por nossas filhas, sobrinhas, amigas. Seguimos acreditando e lutando por um cenário diferente e mais justo para as mulheres diagnosticadas.
Antes que maio termine, ainda precisamos nos lembrar de quem nos ensinou a viver além do câncer de ovário. A viver muito, e a viver bem, até o fim. Também precisamos celebrar quem (sobre)VIVE todos os dias. São milhares de mulheres que ainda estão aqui, superando estatísticas, acumulando anos de sobrevida, contando milagres diários, ressignificando o maternar, fortalecendo quem chegou, num movimento contínuo de esperança e VIDA compartilhada.
Então, antes que maio termine, mesmo sabendo que você pode ler tudo isso em qualquer mês, eu quero te lembrar que no meio de tantas cores, temas e meses que se atropelam, num mar de rosa ou azul, você não está sozinha! Persista.
Seguiremos falando sobre o câncer de ovário porque muitas mulheres ainda precisam saber. Seguiremos falando por quem partiu e por quem ainda está aqui. Seguiremos falando até que mais mulheres, independente de onde moram e da cor da sua pele, sejam diagnosticadas cedo e recebam tratamentos mais modernos. Seguiremos falando para que, juntas, aos poucos, comecemos a mudar estatísticas e nos juntemos a um novo cenário: o de mulheres que vivem e seguem, apesar do câncer de ovário.
Bônus: O Oncoguia tem um espaço especial, acolhedor e exclusivo para mulheres diagnosticadas com câncer de ovário. Quer fazer parte? Fale comigo! ♡
Quézia Queiroz é Jornalista, Membro do Comitê de Pacientes Oncoguia, teve câncer de ovário e carrega a causa e a saudade no mesmo coração.
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- Um fenômeno chamado fake news
- Câncer com ascendente em tanta coisa
- Ressignificando a jornada oncológica com a comunicação não-violenta
- Entre ramos e folhas
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