Devaneios
Rolando o feed na rede social, me deparo com o falecimento de Oscar Schmidt, o “Mão Santa” do basquete brasileiro. Fiquei pensando, será que fora o tumor no cérebro? Enfim... Depois dessa publicação, muitas outras inundaram as redes sociais: homenagens, sua história, seu legado...
Refletindo sobre sua trajetória no basquete, quem é 40+, deve ter visto um ou outro jogo dele, seja na seleção brasileira ou no Clube de Regatas Flamengo (sim, nem tudo é perfeito hhahahaha_ sentindo agora os flamenguistas leitores a me xingarem). Brincadeiras à parte, imagino que poucos atletas representaram tão bem o nosso país.
Ainda sobre sua trajetória, ele fora chamado em 1984 para jogar na NBA, a Liga de Basquete Americana, mas recusou, para continuar a defender a Seleção Brasileira de Basquete. Imagine jogar com atletas como Michael Jordan, Magic Johnson, Charles Barkley, entre outros. Deixou de ganhar em valores atuais, talvez 1 a 8 milhões por ano. E sim, Oscar comandando nossa seleção ganhou dos americanos em 1987, no Panamericano de Indianápolis.
Mas, sim e o que nós cidadãos comuns temos a ver com tudo isso? Justamente pensando nesse exemplo eu penso no campo cientifico brasileiro, quantos e quantos cientistas, médicos, pesquisadores vivem com bolsas irrisórias, com cortes de verbas e talvez até recebendo propostas de Universidades em outros países para continuarem com seus estudos e se mantém no Brasil. Magia? Não. Eu diria que um força sobre-humana para fazer ciência, mesmo num país que historicamente pouco investiu em ciência, em acesso e formação educacional ao seu povo. De 2021 para cá houve um aumento de 2 para 12 bilhões de reais de investimento na ciência.
Os números atuais mudaram? Sim, mas ainda há o que se fazer. Precisamos de mais incentivo, de mais recursos, para criarmos mais “Jaquelines” por aí (não, não é a do vôlei, é a Gois) que junto com a Dra Esther Sabino sequenciaram o genoma do coronavírus em 48 horas. Isso sem mencionar outros grandes feitos na história da ciência nacional.
E eu não tinha como não pensar sobre pesquisa, sobre escassez de recursos, sobre medicamentos e não pensar no universo oncológico. Sobre os profissionais que trabalham muitas vezes em situações pouco favoráveis, mas estão ali, cuidando dos “seus doentes”. Que criam laços, que acolhem, que solicitam medicamentos “de ponta” em prol da qualidade de vida de seus pacientes. Temos aí ótimas propostas como a Bahiafarma por exemplo, a vir produzir medicamentos contra o câncer, barateando por sua vez os custos para o SUS. Temos a incorporação de inúmeros medicamentos pelo SUS, mas “sem dizer de onde sairão os recursos para compra e fornecimento, de que adianta?”
Temos nosso SUS maravilha_ sim, é maravilha porque atende a todos, não só pensando na Atenção Básica, mas na alta e média complexidade, sem distinção, que é responsável por programa de vacinação, vigilância sanitária, vigilância epidemiológica, entre outras ações. SUS gigante, tal qual Oscar Schmidt e tal qual esse país de proporções continentais, que até 1988 só tinha acesso a saúde quem podia pagar ou tinha carteira assinada.
Enfim, mais nacionalista do que isso, acho que não posso ser. Sim brasileira e nordestina!
Eu, enquanto educadora, ainda acredito no Brasil e nos Brasileiros. E sigamos, porque esse ano temos copa do Mundo e Eleição.
Marta Maria da Silva, que em meio aos seus devaneios, sente a cabeça pulsar de ideias e as espalha por aí, Embaixadora da rede de Pacientes Negros com Câncer e do Comitê de Pacientes Oncoguia.
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