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Diagnóstico precoce do Câncer de Pulmão

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 15/12/2016 - Data de atualização: 20/04/2020


O rastreamento do câncer de pulmão é a realização de exames para diagnosticar uma doença em pessoas assintomáticas. As radiografias convencionais de tórax foram analisadas para a realização do rastreamento do câncer de pulmão, mas não aumentaram a sobrevida da maioria dos pacientes. Nos últimos anos, foi realizado um estudo com tomografias computadorizadas de baixa dose em pessoas com maior risco de contrair câncer de pulmão. Essas tomografias permitiam diagnosticar áreas anormais nos pulmões que poderiam ser câncer. Esse estudo mostrou que o uso das imagens de tomografias no rastreamento em pessoas com maior risco de desenvolver câncer de pulmão salvou mais vidas em comparação às radiografias de tórax. Para as pessoas do grupo de risco, a realização de exames de imagem anuais com tomografias computadorizadas de baixa dose antes do início dos sintomas diminuiu o risco de morte por câncer de pulmão.

Geralmente, os sintomas do câncer de pulmão não aparecem até que a doença esteja em um estágio avançado. Mesmo quando o câncer de pulmão apresente sintomas, muitos pacientes podem confundi-los com outros problemas, como infecções ou efeitos provocados pelo tabagismo de longa data, o que pode lamentavelmente, retardar o diagnóstico.

Recomendações para o rastreamento do câncer de pulmão

As recomendações para o rastreamento do câncer de pulmão são para pessoas com idade entre 55 e 74 anos, com bom estado geral de saúde e que também atendam os seguintes critérios:

  • Ser fumante ou não ter fumado nos últimos 15 anos.
  • Ter pelo menos histórico de tabagismo de 30 maços/ano (1 maço por dia por 30 anos).
  • Ter recebido aconselhamento para deixar de fumar se for fumante.
  • Ter recebido informações sobre os possíveis benefícios e malefícios, bem como suas limitações.
  • Ter um local onde poder fazer o rastreamento e o tratamento do câncer de pulmão.

Benefícios do rastreamento

O principal benefício do rastreamento é a diminuição da chance de morte  por câncer de pulmão que é a causa de muitos decessos de fumantes e ex-fumantes. Ainda assim, é importante estar ciente de que, como com qualquer tipo de exame, nem todos os pacientes que preenchem os critérios de seleção serão beneficiados. Esse tipo de rastreamento não diagnostica todos os tipos de câncer de pulmão e nem todos os tipos de câncer detectados serão diagnosticados precocemente.

Mesmo se um câncer de pulmão seja diagnosticado pelo rastreamento, isso não significa que o paciente morrerá devido a doença. Além disso, esse estudo pode diagnosticar outras anomalias que não sejam câncer, mas que devem ser investigadas com outros exames para o diagnóstico. Isso pode significar a realização de mais tomografias ou mesmo de exames invasivos, como a biópsia pulmonar.

Se você e seu médico decidirem pelo rastreamento com tomografia de baixa dose, você deve realizá-la anualmente até os 74 anos, desde que seu estado geral de saúde seja bom.

Se você é fumante, deve receber orientações para parar de fumar. Você deve ser informado sobre o risco de câncer de pulmão e a participação de um programa de cessação de tabagismo. O rastreamento não é uma boa alternativa para parar de fumar.

O que significa estado de saúde razoavelmente bom?

O rastreamento tem o objetivo de diagnosticar o câncer de pulmão em pessoas assintomáticas. As pessoas que apresentam sintomas que podem ser causados ​​pelo câncer de pulmão podem precisar de outros exames de imagem. Alguns dos possíveis sintomas de câncer de pulmão que impediram a participação de pessoas no estudo do rastreamento do câncer de pulmão foram tosse com expectoração e presença de sangue, assim como perda de peso inexplicada.

Para ter o potencial benefício do rastreamento, os pacientes precisam estar em boas condições de saúde. Por exemplo, eles precisam ter boa condição clínica para poder realizar, uma cirurgia e outros tratamentos para câncer de pulmão, caso a doença seja diagnosticada. Os pacientes que necessitam de suporte de oxigênio domiciliar provavelmente não suportariam a retirada de uma parte do pulmão, por isso não são candidatos ao rastreamento. Os pacientes com outros problemas importantes de saúde também não serão beneficiados pelo rastreamento, portanto não devem se submeter aos possíveis riscos do mesmo.

Implantes metálicos no tórax podem interferir com a radiação e produzir imagens de baixa qualidade dos pulmões. As pessoas com qualquer tipo de implante metálico também não foram aceitas no estudo do rastreamento por imagem do câncer de pulmão e não devem ser rastreadas com uso de tomografia computadorizada.

Estudo para rastreamento por imagem do pulmão

O rastreamento por imagem do pulmão consistiu em um grande estudo clínico para detecção do câncer de pulmão utilizando tomografia computadorizada com doses baixas de radiação. A tomografia computadorizada do tórax fornece imagens mais detalhadas do que radiografias de tórax e permitem observar pequenas anormalidades nos pulmões. A tomografia de baixa dose utiliza uma menor quantidade de radiação quando comparada a uma tomografia padrão e não requer a utilização de contraste intravenoso.

O estudo incluiu mais de 50.000 pessoas com idades entre 55 e 74 anos, entre fumantes e ex-fumantes, com bom estado geral de saúde. Um dos critérios para participar do estudo era ter um histórico de tabagismo de 30 maços/ano. Outro critério de inclusão era que os ex-fumantes tivessem parado de fumar há 15 anos. O estudo não incluiu pessoas com histórico prévio de câncer de pulmão, com sintomas de câncer de pulmão, que já tinham realizado cirurgia de pulmão, que usavam oxigênio domiciliar e se apresentavam outros problemas de saúde.

Os participantes do estudo realizaram três tomografias de baixa dose ou três radiografias de tórax, com intervalo de um ano, para a detecção de áreas anormais nos pulmões que poderiam indicar a doença. Após alguns anos, o estudo mostrou que aqueles que realizaram a tomografia com baixas doses de radiação diminuíram em 20% o risco de morrer de câncer de pulmão em comparação com aqueles que fizeram radiografias de tórax. Eles também diminuíram em 7% o risco de morrer por outras causas comparadas àqueles que fizeram radiografias de tórax.

O rastreamento com tomografia de baixa dose também mostrou algumas desvantagens que precisam ser consideradas. Uma delas é a detecção de uma série de anomalias que devem ser verificadas com mais exames, mas que acabam não sendo câncer. Uma em cada 4 pessoas participantes do estudo tiveram essa constatação. Isso pode requerer exames complementares, como tomografia computadorizada ou outros exames invasivos, como biópsias por agulha ou mesmo cirurgia para retirar uma parte do pulmão. Esses exames podem, às vezes, levar a complicações, ou raramente, a morte, mesmo naqueles que não têm câncer de pulmão ou que têm a doença em estágio inicial.

A tomografia computadorizada de baixa dose também expõe as pessoas a uma pequena quantidade de radiação a cada exame, que é menor do que na tomografia padrão, mas é maior do que a dose recebida numa radiografia de tórax. Algumas pessoas selecionados podem acabar precisando de mais tomografias, o que significa mais radiação. Deve ser mencionado que essa radiação pode fazer com que algumas pessoas desenvolvam câncer de mama, pulmão ou tireoide mais tarde.

Texto originalmente publicado no site da American Cancer Society, em 01/10/2019, livremente traduzido e adaptado pela Equipe do Instituto Oncoguia.



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