Uma em quatro mulheres com câncer de pulmão nunca fumou; qual a explicação?
Quando uma mulher se preocupa em prevenir ou em fazer o rastreamento precoce de tumores, ela certamente pensa em mama, ovários, útero... Mas "basta ter pulmões para ter câncer de pulmão" — a frase não é minha, mas do oncologista paraibano Vladmir Cordeiro, presidente do GBOT (Grupo de Oncologia Torácica) e médico do A.C. Camargo Cancer Center, em São Paulo.
E, diga-se, até 25% das mulheres com a doença nunca colocaram um único cigarro na boca— nem cachimbo, charuto, narguilé, vape, nada com tabaco. Em homens, não é bem assim: só 1 em cada dez pacientes masculinos nunca fumou.
O câncer de pulmão em não tabagistas tende a aparecer mais cedo, por volta dos 50 anos, ao contrário dos tumores relacionados ao cigarro, que em geral surgem só depois dos 60. E, tanto em homens quanto em mulheres, sua proporção aumenta ao longo dos últimos anos, porque — ainda bem! — as pessoas andam fumando menos.
Só que, mesmo quando a gente olha para o número absoluto de casos, ele também cresce. Sinal de fumaça... Ou, melhor, de poluição. Ou, quem sabe, de radônio vindo da solo — já ouvir falar?
A principal pergunta é: por que a diferença entre homens e mulheres? "Há vários grupos de pesquisa no mundo investigando a razão", conta o doutor, que falou sobre algumas hipóteses na última sexta, durante o evento Mulheres em AntecipAÇÃO, em São Paulo, organizado por diversas entidades ligadas ao câncer, como a SBOC (Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica), o EVA (Grupo Brasileiros de Tumores Ginecológicos) e o próprio GBOT.
Se há casos de tumor pulmonar na família da mãe...
Olhando bem de perto, os cientistas começam a entender que os tumores de pulmão nas mulheres têm características ligeiramente diferentes e não descartam, inclusive, que possam ser influenciados pelos hormônios femininos. O que se nota é que o fator genético é importante.
Há sinais claros disso. "Quando você vê casos de câncer de pulmão na linhagem materna, sabe que o risco de os filhos desenvolverem essa doença é maior do que quando a doença ocorreu no lado paterno", diz o doutor Cordeiro, mostrando um deles.
A forte contribuição dos fatores hereditários nas mulheres poderia estar por trás de uma maior sensibilidade dos pulmões a toda sorte de substâncias carcinogênicas.
Isso valeria até para o cigarro: "As mulheres expostas ao tabaco também correm um risco um pouco maior de desenvolverem tumores pulmonares do que homens fumantes", compara o médico.
A ameaça da poluição
"Tudo leva a crer que os poluentes na atmosfera sejam o fator mais importante por trás do câncer de pulmão em não fumantes", diz o oncologista. "E, como a qualidade do ar vem piorando, isso justificaria o aumento na incidência desses tumores."
Os principais acusados são os materiais particulados em suspensão. "São partículas de poluentes de até 2,5 milésimos de milímetro que, chegando nos pulmões, desencadeiam uma reação inflamatória", descreve o doutor Cordeiro. "Em células pulmonares que, por azar, já apresentem mutações ligadas a uma tendência ao câncer, essa inflamação pode levar a um estado mais imaturo, semelhante ao das células-tronco, que são capazes de se transformar em qualquer coisa."
E no caso, infelizmente, elas têm facilidade para se transformar exemplares cancerosos. Lembrando: os pulmões femininos podem ser mais sensíveis a tanta sujeira no ar.
O radônio que vem do solo
"Trata-se de um gás radioativo que, no Brasil, ainda é pouco comentando", lamenta o médico. "Em algumas regiões você irá encontrá-lo mais, como parece acontecer em algumas áreas de Minas Gerais e da Bahia, por exemplo. Mas faltam dados, já que não nunca foi feito um mapeamento completo do radônio no país."
Insípido e inodoro, esse gás é gerado espontaneamente pelo decaimento, isto é, pelo rompimento de átomos de metais radioativos, como o urânio. Hoje não há dúvida: emanado do chão, eventualmente passando até mesmo por barreiras de asfalto e concreto, ele é um enorme causador de câncer de pulmão.
"Por causa disso, nos Estados Unidos, para uma casa ser construída é preciso fazer uma quantificação do radônio liberado pelo solo", exemplifica o doutor Cordeiro. "Se a emação é alta, é feita uma proteção especial para diminui-la até níveis mais seguros. Afinal, o maior problema não é ser exposto ao radônio de vez em quando, mas viver por anos a fio em um lugar onde ele é aspirado."
Outros fatores de risco
Uma vez que as mulheres são mais sensíveis, é bom que elas saibam: cerca de 10 a 15% dos casos de câncer de pulmão têm a ver com a exposição ocupacional a substâncias que irritam as células pulmonares, como o amianto, o arsênico, a sílica e a fumaça dos fogões a lenha, que é cheia de material particulado.
"Na verdade, tudo o que causa inflamação nos pulmões aumenta a ameaça de câncer", informa o doutor Cordeiro. E aqui entram na lista a artrite reumatoide, que é mais frequente em mulheres, e a asma, cuja prevalência é 39% maior no sexo feminino em relação ao masculino.
Dieta pobre em frutas e vegetais coloridos, cujos antioxidantes afastam o perigo de cânceres de modo geral, também é algo para não ser esquecido, sendo uma das explicações por que os tumores de pulmão são mais prevalentes em homens e mulheres com menor poder aquisitivo.
Aliás, uma diferença a mais entre os sexos: o risco de câncer de pulmão de qualquer tipo é mais elevado entre homens negros. Mas, nas mulheres, ele é igual para brancas e negras. Nenhuma está mais a salvo.
Por que não se faz rastreamento em todas
Hoje, a recomendação de rastreamento é apenas para pessoas com altíssimo risco de terem um câncer de pulmão. Quem? Gente entre 50 e 80 anos que fume ou que tenha parado de fumar há menos de quinze anos, com uma carga tabágica que, aqui no Brasil, foi estipulada como maior que 20 anos/maço — ou seja, a criatura deve ter tragado no mínimo 1 maço diariamente por duas décadas.
Para essa população específica, é recomendada uma tomografia com baixa dose de radiação "Mas, se possível, cada caso deve ser discutido com o médico", pensa o doutor Cordeiro. "Uma mulher com parentes que tiveram câncer de pulmão na família, principalmente do lado materno, ou que é portadora de artrite reumatoide deveria conversar sobre a possibilidade de fazer essa tomografia."
Mas, veja, ela é cogitada quando o risco individual é elevado. Não valeria a pena fazer esse exame a torto e a direito. "Um quarto da população mundial tem nódulos pulmonares benignos e você não vai sair enfiando uma agulha em toda essa gente", justifica o oncologista. "Em pulmão, esse tipo de biópsia oferece algum risco de complicações, como de perfurar o órgão e de sangramentos. Daí que não fazemos o procedimento à toa."
Bom avisar que aquela chapa de raio-X lindona não garante que está tudo bem. Quando algo de errado aparece na radiografia, é sinal de que o tumor já avançou. Por falar nisso...
No que ficar de olho
Se não dá para fazer rastreamento, salvo em casos especiais, o jeito é as mulheres (e os homens também!) ficarem espertos. O principal sintoma de encrenca é, longe, a tosse persistente por mais de um mês ou, no caso de fumantes, que já viviam pigarreando, que piorou do nada. Se sair sangue, aí mesmo é que a pessoa deverá correr ao médico.
Perdas de peso não justificadas também devem chamar a atenção, bem como gânglios no pescoço, falta de ar, inchaços no rosto e dor torácica ao puxar o ar. Se a voz ficou feito taquara rachada sem motivo aparente, como um resfriado prévio, idem.
"Claro que isso não é o ideal porque, se há sintomas, o volume de tumor já é relativamente grande", observa o doutor Cordeiro. A esperança é que existem muitas pesquisas tentando detectar, na circulação, o DNA de um tumor de pulmão recém-nascido. Quando algo assim surgir, será possível descobrir a doença por um exame de sangue simples. Até lá, só está ao nosso alcance não ignorar o perigo, mesmo sem nunca ter dado uma tragada.
Fonte: UOL Viva Bem

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