[Câncer de Via Biliar] Anderson Frazão

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    Passarei a contar a história da minha avó. Ela tinha 72 anos, era ativa, trabalhava e levava uma vida independente quando foi diagnosticada com colangiocarcinoma grau 3A.

    Muitos anos antes, minha avó havia apresentado um problema na vesícula biliar. Fez uma ultrassonografia, que mostrou uma pedra muito grande na vesícula. O médico informou que, por ser grande, não haveria perigo naquele momento.

    No ano de 2025, ela começou a apresentar sintomas de incontinência fecal. Iniciamos a investigação e ela realizou uma colonoscopia, que não apontou nenhuma alteração. Em agosto de 2025, percebemos que minha avó estava muito amarelada, com olhos e pele visivelmente icterícios. Levamo-la imediatamente a um hospital público, onde deram início a uma investigação mais aprofundada.

    Em cerca de uma semana, após tomografias e ressonâncias com contraste, veio o diagnóstico: câncer de vias biliares. Nesse momento, meu mundo desabou. A expectativa média de vida apresentada era de apenas seis meses.

    A partir daí, iniciamos uma verdadeira luta para tentar viabilizar uma cirurgia de grande porte. Conseguimos que minha avó fosse avaliada por um dos melhores médicos de Pernambuco, um cirurgião geral com subespecialidade em vias biliares. Após consulta e novos exames, recebemos a notícia que não queríamos ouvir: o tumor era inoperável, apesar de não haver metástases. O médico explicou que seria necessário retirar uma grande parte do fígado junto com o tumor e que ela não suportaria o porte da cirurgia.

    Ouvir isso ao lado da minha avó, segurando sua mão, foi extremamente difícil. Ainda assim, me mantive firme para oferecer o suporte que ela precisava. Nos apegamos a Deus, e minha avó passou a buscar outras opiniões médicas e novas análises. Todas apontavam para o mesmo desfecho.

    Nesse período, ela já apresentava muita dificuldade para se alimentar. Esse tipo de câncer tira completamente a vontade de comer. Foi então submetida a um procedimento de drenagem biliar para proporcionar mais conforto, com a colocação de um dreno nas vias biliares, ligado a um coletor externo.

    Após o procedimento, minha avó apresentou uma pequena melhora. O fígado estava menos sobrecarregado, a icterícia diminuiu, mas ela continuava sem conseguir se alimentar adequadamente, sem apetite algum. Passamos a oferecer suplementos nutricionais para tentar manter sua nutrição.

    Três dias após a colocação do dreno, minha avó sentiu uma dor muito intensa e precisou ser socorrida. Foi diagnosticada com pancreatite, causada pelo próprio dreno. Esse tipo de dreno provoca muita desidratação, exigindo aumento significativo da ingestão de líquidos.

    Depois dessa internação, a situação foi se agravando dia após dia. Foram cerca de 30 dias internada, até que, no Natal, ela recebeu alta. Voltou a andar, e comemoramos intensamente esse momento, que era muito especial para ela. Todos os anos, o Natal era celebrado ao seu redor, com toda a família reunida.

    Após o Ano Novo, uma nova infecção fez com que ela retornasse ao hospital. Dessa vez, a dor era intensa, e ela já não conseguia comer nem beber absolutamente nada. Foram quatro dias no setor de cuidados paliativos até que minha avó partisse.

    Ainda tive tempo de agradecer por tudo o que ela havia feito por mim.

    Antes do diagnóstico, minha avó pesava cerca de 85 kg. Faleceu com aproximadamente 45 kg.

    Aproveitem seus familiares enquanto podem. Esse câncer tira completamente a dignidade da pessoa. Muitas vezes, o corpo entra em um processo de inanição, pela impossibilidade de comer ou beber. Diarreia, vômitos e desconfortos abdominais são frequentes.

    Espero que meu relato contribua para famílias que convivem com esse diagnóstico. Preparem-se física e espiritualmente para cuidar e, aos poucos, se despedir de quem enfrenta essa doença. É importante dizer que há, sim, possibilidades de cura quando o colangiocarcinoma é descoberto precocemente, mas, nos estágios mais avançados, as chances são muito pequenas.


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