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[ENTREVISTA] Amamentar reduz riscos de Câncer de Mama

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 15/09/2015 - Data de atualização: 15/09/2015


Sergio Simon

Teve início no dia primeiro de agosto a Semana Mundial da Amamentação. Criada pela World Alliance for Breastfeeding Action (Aliança Mundial para Ação em Aleitamento Materno), a data é celebrada anualmente desde 1992, por mais de 150 países, com o propósito de promover, proteger e apoiar o aleitamento materno – tão fundamental para a saúde dos bebês.

Mas, além dos bebês, a amamentação é importante para a preservação da saúde da mulher: Diversos estudos conduzidos no mundo apontam para o fato de que amamentar é sinônimo de reduzir os riscos do câncer de mama.

No momento em que mulheres de todo o mundo mudam de comportamento social, ocupam mais efetivamente o mercado de trabalho e, consequentemente, optam por ter menos filhos ou por tê-los mais tardiamente, é importante que conheçam e reflitam sobre este risco.

Para discorrer sobre o assunto, o Instituto Oncoguia conversou com o Dr. Sérgio Simon, conselheiro científico da Organização não Governamental Américas Amigas. O oncologista é professor da Escola Paulista de Medicina e atua em hospitais de referência no tratamento do câncer no Brasil.

Dr. Simon alerta:

"(..,) a maioria das mulheres está relativamente ciente dos riscos. Mas acredito que devam bater na tecla da educação, para que possam fazer uma escolha consciente”.

Confira a entrevista na íntegra e multiplique a informação com outras mulheres!

Instituto Oncoguia - Qual a relação que existe entre amamentação e redução do risco do câncer de mama?

Dr. Simon - O que sabemos a partir de estudos epidemiológicos é que, pelo menos para os tipos de câncer de mama mais comuns, a amamentação e número de gestações da mulher diminui o risco do câncer de mama.

Instituto Oncoguia - Por via de qual mecanismo se tem essa redução de riscos?

Dr. Simon - Na realidade a razão não é conhecida. Acreditamos que seja relacionada à redução de ciclos menstruais da mulher. Pois enquanto ela amamenta, não menstrua. Por exemplo, a índia brasileira - que sabidamente tem uma taxa muito baixa de câncer de mama - se ela vive no contexto tribal, ou está grávida, ou está amamentando. Acreditamos que essa seja a razão dos baixos índices de câncer de mama entre tais mulheres.

Instituto Oncoguia - Há estudos brasileiros que apontam para isso?

Dr. Simon - Há um estudo brasileiro que foi feito no Mato Grosso em conjunto com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), que estudou a incidência de câncer de mama nas índias da região, da Tribo Terena. Foram estudados dois grupos, de índias que ainda moram na tribo e seguem o estilo de vida tribal, e daquelas que se mudaram para cidades e que seguem um estilo de vida ocidental (...) que trabalham fora, seguem alimentação diferente. O estudo mostrou que entre as índias que moram na tribo, que estão sempre grávidas ou amamentando e que seguem uma dieta especial à base de peixe e vegetais, a incidência de câncer de mama é praticamente zero. Já entre as índias que estão fora da tribo, que adotaram o hábito de ter poucos filhos ou de os ter mais tardiamente e que se alimentam de forma diferente, há câncer de mama. Realmente acreditamos que com relação ao câncer de mama, o estilo de vida é favorável. Para diminuição de riscos, muita amamentação e muita gestação também.

Instituto Oncoguia - O que não acontece muito hoje em dia, certo Dr. Simon?

Dr. Simon - De fato. Esses são comportamentos que a mulher não segue mais. A mulher trabalha, cuida da carreira (...). Acredito que ela, a mulher, não voltará atrás.

Instituto Oncoguia- Podemos dizer então que o contrário seja válido, ou seja, que a não amamentação possa ser considerada um fator de risco para o câncer de mama?

Dr. Simon - Achamos que sim. Que mulher que não engravida e não amamenta tem maiores riscos de câncer de mama. Achamos que há sentido sim. Provavelmente teremos mais casos de câncer de mama em decorrência dessa mudança de comportamento da mulher. Nos países em que a mulher está mudando de hábitos de vida, marcadamente no oriente, o aumento da incidência do câncer de mama é impressionante. A mulher japonesa tinha taxas baixíssimas de câncer de mama até os anos 80; quando ela passou a se profissionalizar, a adentrar o mercado de trabalho, as taxas quase que duplicaram (...) em apenas 30 anos. É muita coisa. E esse fenômeno foi observado em outros países da Ásia; na Índia e na China o aumento foi muito grande também.

Instituto Oncoguia - E as mulheres que já têm fatores de risco para o câncer de mama, tais como casos da neoplasia entre parentes de primeiro grau, devem ficar mais atentas à questão da amamentação?

Dr. Simon - Em um caso familiar a gente não acredita que tenha qualquer influência, porque o fator genético é tão preponderante, o risco é tão alto, que um pequeno aumento na amamentação não é forte o suficiente para contrabalanceá-lo. Uma mulher que não tem risco familiar, tem mais ou menos 12% de chances de ter câncer de mama ao longo da vida e se ela tiver várias crianças (pontuo: não duas, mas várias crianças), terá o risco diminuído para 9% a 10%. Uma diferença importante para ela. Uma mulher que tem mutação genética, como Angelina Jolie, por exemplo, a amamentação abaixará o risco dela de 80% para 75%. Comparativamente, é uma redução pequena. Então, neste caso, a profilaxia primária, a mastectomia, causa um efeito mais importante.

Instituto Oncoguia - E a gestação e amamentação tardias, são também fatores de risco para o câncer de mama?

Dr. Simon - Acreditamos que a primeira gravidez depois dos 30 anos seja um fator de risco para o câncer de mama. Assim como achamos que a primeira gravidez antes dos 18 anos seja um fator protetor. Mas são dados estatísticos. É difícil dizer como acontece isoladamente, para uma ou outra mulher.

Instituto Oncoguia - Há outros tipos de câncer que atingem a mulher que podem ter seu risco aumentado ou diminuído a partir da amamentação?

Dr. Simon - Acredita-se que no câncer de endométrio haja alguma relação, mas os dados não são definitivos, absolutos. O grande fator é mesmo relativo ao câncer de mama. E vale ressaltar aqui que continuamos enfatizando muito a importância da detecção precoce.

Instituto Oncoguia - E qual deve ser, dentro de tudo isso, a nossa recomendação às mulheres?

Dr. Simon – A maioria das mulheres está relativamente ciente dos riscos. Mas, acredito que vocês devam bater na tecla da educação, para que a mulher possa fazer uma escolha consciente. Se quer ser gerente de um banco ou reduzir os riscos de ter câncer de mama!



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