Perguntas e respostas

A radioterapia é usada apenas para destruir tumores?
Não. Ela também pode ser usada de forma profilática, ou seja, para evitar a formação de células cancerígenas. Em situações em que não é possível eliminar completamente o tumor, a radioterapia pode ser utilizada para diminuir seu tamanho, com o objetivo de reduzir a dor, a pressão e outros sintomas, a fim de melhorar a qualidade de vida do paciente. Quando a radiação é usada desta maneira, é chamada de radioterapia paliativa.

Como funciona a radioterapia?
A radiação destrói as células cancerígenas, danificando seu DNA, as moléculas que contêm a informação genética, que destrói a sua capacidade de se dividir e se reproduzir. A radiação também destrói as células normais e as células cancerígenas que crescem e se dividem mais rapidamente do que as normais e como resultado são mais susceptíveis aos danos da radiação. Além disso, as células normais são mais capazes do que as células cancerosas de se recuperar e de se reparar dos efeitos da radiação. Essa é uma razão pela qual as sessões de tratamento são administradas ao longo de várias semanas, pois dá às células normais a possibilidade de se repararem durante o tempo entre as sessões. Este processo é chamado de "fracionamento", porque a dose de radiação total é dividida em frações, que são dadas durante um tempo e que se acumulam ao término do tratamento. Além disso, o médico pode modelar o feixe de radiação de acordo com o tamanho e a localização do tumor, minimizando a dose que atinge o tecido adjacente saudável.

Quanto tempo dura uma sessão de radioterapia?
Embora o número de tratamentos administrados varia dependendo do tipo de tumor, estado de saúde geral do paciente e da técnica de radiação utilizada, os tratamentos são normalmente realizados cinco dias por semana durante seis a sete semanas. Quando a radiação é usada para cuidados paliativos, o decurso do tratamento pode ser mais curto, normalmente de duas a três semanas. Cada sessão de tratamento normalmente dura de 10 a 20 minutos.

Quais são os possíveis efeitos colaterais da radioterapia?
Os efeitos colaterais, se houver algum, são cumulativos, o que significa que se desenvolvem ao longo de todo o tratamento conforme a radiação se acumula no tumor. Eles podem ser leves ou severos, dependendo do tamanho e da localização do tumor, condição clínica geral do paciente e tempo de cada tratamento. Dois dos efeitos colaterais mais comuns são irritação ou danos à pele próxima ao local de tratamento e fadiga.

A radioterapia torna o paciente radioativo?
O feixe de radioterapia externo, onde a fonte de radiação está em um equipamento externo ao corpo, não torna o paciente radioativo. Após a radiação ser emitida, não existe radiação persistente. Se você receber radioterapia interna, também denominada braquiterapia, onde pequenas sementes radioativas são colocadas no interior de seu corpo, a maior parte da radiação é absorvida pelos tecidos adjacentes, mas os baixos níveis de radiação podem ser emitidos a partir de seu corpo por um período limitado de tempo. Durante esse período, você terá de tomar certas precauções para reduzir a exposição de outras pessoas, em especial de crianças e mulheres em idade fértil.

A radioterapia provoca queda de cabelo?
A radioterapia só afeta a área do corpo em que o tumor está localizado. Você não terá queda de cabelo a menos que o seu tratamento tenha como alvo a cabeça. Se você perder seu cabelo, ele provavelmente voltará a crescer após o término do tratamento.

A radioterapia causa náuseas?
A radioterapia afeta apenas as áreas que estão sendo irradiadas, por isso, se você não está recebendo a radiação na região do abdome, é improvável que sinta náuseas. Em alguns casos, as náuseas de um paciente são causadas por outros tratamentos,  como a quimioterapia ou medicação para dor.

O próprio tratamento radioterápico pode causar câncer?
Teoricamente, sim, mas é altamente improvável. Além das células cancerígenas serem atingidas, algumas células normais, ao redor da área a ser tratada podem ser danificadas pela radiação, o que pode eventualmente provocar outro câncer, conhecido como segundo câncer primário. No entanto, a possibilidade de que isso aconteça é bastante pequena, porque as técnicas atuais de radioterapia permitem ao médico irradiar o tumor com precisão, minimizando a dose para os tecidos adjacentes saudáveis. As estatísticas sobre os cânceres induzidos por radioterapia indicam que a probabilidade de causar um novo câncer é menor do que 5% em 30 anos após o tratamento. Esse risco futuro é muito menor do que o risco imediato de morte pelo câncer inicial se não for tratado.

É possível dirigir após o tratamento radioterápico?
Quase todos os pacientes são capazes de conduzir durante o tratamento e, de fato, são capazes de continuar todas as suas atividades diárias normais, incluindo o trabalho. Você deve, no entanto, perguntar ao seu médico sobre a sua situação individual.

A radioterapia pode ser administrada simultaneamente a outros tratamentos?
A radioterapia é, por vezes, o único tipo de tratamento que um paciente pode precisar, mas alguns tipos de tumores respondem melhor a uma combinação de terapias, o que pode envolver radioterapia e cirurgia, quimioterapia, hormonioterapia e/ou imunoterapia. Quando a radioterapia é realizada para potencializar a eficácia de outro tipo de tratamento, é denominado terapia adjuvante.

A radioterapia pode afetar minha fertilidade?
Se a região irradiada for próxima a seus órgãos reprodutivos, sua fertilidade pode ser afetada temporária ou permanentemente. Discuta essa possibilidade com o seu médico.

Texto originalmente publicado no site American Cancer Society (27/12/2019), livremente traduzido e adaptado pela Equipe do Instituto Oncoguia.

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