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Familiar - Tumores Cerebrais / Sistema Nervoso Central
Te perdi muito antes da despedida, te perdia a cada dia e para o medo de não te ter mais aqui."
Descobrir o diagnóstico de câncer cerebral no meu tio foi como ver a vida virando ao avesso. O câncer não antecedeu com sinais e, quando o primeiro sintoma surgiu, logo veio o diagnóstico: não havia mais o que fazer. Não tinha possibilidade de quimioterapia e nem de cirurgia devido ao estágio e à localização do tumor.
Em poucos dias, nossa dinâmica familiar se modificou. O medo de perdê-lo era gigante. Fizemos de tudo para dar o cuidado mais digno possível, mas a doença progrediu rápido demais. Não tivemos tempo de assimilar tudo o que estava acontecendo. A cada dia, víamos ele partir. Era como se aquela pessoa sorridente, cheia de vida e de vontade de viver que conhecíamos fosse se afastando pouco a pouco e, junto com ele, iam embora nossas certezas e nossos planos para o futuro.
Tínhamos esperança de que um milagre pudesse acontecer e que toda aquela situação pudesse se resolver, mas, ao mesmo tempo, parecia hipocrisia da nossa parte essa esperança. O que tomava conta era o medo. A cada visita na UTI, a notícia de uma complicação. O sofrimento que só aumentava. O medo de ser a última vez que iríamos vê-lo. O medo de não poder mais tocar e senti-lo.
A rotina passou a ser marcada pela incerteza e pela espera. Espera por notícias, por respostas, por alguma mudança que aliviasse o sofrimento. Já não tínhamos mais noção do tempo. A vida de toda a nossa família parou enquanto o mundo continuava caminhando.
E, para ser sincera, na madrugada em que recebi o telefonema do hospital com a notícia da sua partida, fui tomada por um sentimento de apatia. Foi algo que finalizou longos dias em que eu já vinha te perdendo.