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  • Brunna. - Gliomas
    "A história do meu pai que foi acometido por um glioma de alto grau."

Tudo começou em agosto de 2023, quando meu pai saiu para trabalhar bem e voltou para casa com bastante afasia, falando frases e palavras sem sentido. Nossa cidade, no interior, não tem condições de oferecer tratamento em situações mais complexas, e ele foi encaminhado para Goiânia.

Chegando ao hospital, ele teve uma convulsão e foi entubado. Aí começou todo o nosso sofrimento. Mesmo estando internado por uma semana em um hospital referência em neurologia, os exames não detectaram nada grave e ele voltou para casa com diagnóstico de enxaqueca com aura, porque o único sintoma apresentado até então eram umas luzes que ele dizia ver com frequência.

De agosto até outubro, ele ficou assim. No geral, muito bem, porém as luzes tratadas como aura continuavam. Marquei um neurologista para ele no mesmo hospital onde esteve internado e a ressonância foi repetida, mas sem laudo conclusivo. Sendo assim, o médico solicitou que fosse feita uma ressonância que o plano não cobria. Era mais invasiva, mas sanaria as dúvidas em relação ao caso dele.

Consegui marcar para o fim de novembro a tal ressonância com perfusão e espectroscopia. O médico do local chegou a questionar o porquê de ele estar lá, porque aparentemente estava tudo bem.

Contudo, no dia 04 de dezembro de 2023, fomos com o laudo ao neurologista que estava acompanhando o caso e tivemos a pior notícia que poderíamos imaginar: meu querido pai estava com um glioblastoma multiforme grau 4. O médico conversou a sós comigo, minha mãe e minha irmã, e foi bem direto ao explicar a gravidade. Era um câncer incurável e devastador.

Realmente, a vida do meu pai acabou ali naquele dia. Entre a cirurgia, realizada três dias depois, a radioterapia, que foram 30 sessões, e a quimioterapia, que durou 11 meses, ele não viveu. Nós não vivemos mais. Foi muito triste, muito devastador.

Meu pai, que até então não tinha nenhum tipo de comorbidade, era saudável e independente, se encontrou com uma doença tão grave e terrível. No total, foram um ano e meio entre o tratamento e o seu falecimento, sendo os últimos seis meses acamado, sem andar, sem conversar e sem comer, usando uma sonda GTT.

Hoje faz exatamente seis meses que ele partiu, com 65 anos, e deixou um vazio enorme em meu coração. Hoje consigo falar com mais maturidade sobre o assunto, mas senti muita revolta, e ainda sinto, pelo meu pai e por todos que enfrentam essa grave doença.

O que desejo é fé e sabedoria para os familiares. São dias sombrios e muito difíceis, mas tudo passa. Sinto falta dele todos os dias e sei que será assim enquanto eu tiver vida. Mas sei que, pelo menos, ele não sofre mais, e tenho certeza de que está descansando ao lado de Deus.

O que resta agora é saudade.

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