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Ademar. - Câncer de Pâncreas
"Câncer de pâncreas neuroendócrino - minha despedida."
Foi no dia 31 de maio de 2024 que tudo desmoronou.
Em uma manhã corrida, já havia uns 3 meses que Ademar vinha sentindo muita fraqueza e dor nas costas. Pensando bem, no Natal de 2023 ele já apresentava uma perda de peso acentuada, mas sem dor, apenas reclamando de cansaço.
Naquela manhã do dia 31, a médica pediu uma tomografia e, exatamente às 7 da noite, ela chamou a família e deu o diagnóstico: câncer de pâncreas neuroendócrino com metástase no fígado. Já bem avançado, tanto no pâncreas quanto no fígado.
Choramos muito. Reunimos as filhas e prometemos entre nós que, se tudo desse errado, não terminaria aqui. A gente iria se encontrar novamente, nós quatro, lá na nossa primeira casa, onde tudo começou.
Daí começou a procura por um médico oncologista, já que ele entrou na lista do CROSS. No dia 13 de junho, na consulta, foi pedida uma ecoendoscopia com biópsia. Esperamos, mas nada de ser marcada. Entramos com um processo e o exame foi agendado para o dia 13 de agosto, um tempo que ele não tinha.
Nesse meio tempo, foram várias idas ao pronto-socorro. Ele teve vários episódios de hipercalemia, até que no dia 7 de agosto foi internado no Hospital das Clínicas. Foram feitos todos os exames e descobriram que os tumores do pâncreas e do fígado haviam crescido ainda mais. Apesar de ser um tumor neuroendócrino grau 2, ele se tornou muito agressivo.
No dia 20 foi colocado um stent nas vias biliares.
Ademar não fez quimioterapia. Ele não chegou a tratar do câncer. Foi colocado em cuidados paliativos.
Na noite do dia 25, teve uma convulsão, pois seu fígado já começava a falhar.
No domingo, ele teve um dia bom, um dia feliz, com a visita das filhas.
Mas, na segunda-feira, teve duas convulsões. E então veio a notícia que eu nunca quis ouvir:
"Seu Ademar está com insuficiência hepática. Ele tem poucas horas de vida. Chame a família. A hora de se despedir é agora. Vamos colocá-lo na bomba de morfina, para que ele morra com dignidade, sem dor."
Assim foi feito.
E naquela segunda-feira, com todo mundo em volta dele, mesmo com ele confuso, pedindo para ir para casa, pedindo para Nossa Senhora não deixar ele morrer, ele dormiu.
E exatamente às 7h30 da manhã do dia 27 de agosto de 2024, eu o virei, pois já estava na mesma posição há muito tempo.
Ele olhou para cima.
Aqueles olhos verdes estavam tão brilhantes, como se tivesse visto um anjo.
Ele sorriu, deu um último suspiro e morreu.