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Pesquisas sobre tumores cerebrais e do sistema nervoso central estão em desenvolvimento em diversos centros médicos no mundo inteiro, promovendo grandes avanços em diagnóstico e tratamentos. Confira alguns deles.

  • Alterações genéticas

Os pesquisadores continuam investigando as alterações nos genes, cromossomos e proteínas nas células do tumor cerebral que podem ser usadas para prever o prognóstico ou orientar o tratamento de uma criança. Alguns exemplos dessas alterações incluem:

  1. Mutações no gene IDH1 ou IDH2.
  2. Co-deleções cromossômicas 1p19q.
  3. Metilação do promotor MGMT.

Para crianças com meduloblastoma, os pesquisadores estão testando outras alterações genéticas que podem mostrar se é provável que tenham um melhor prognóstico e, portanto, pode ser necessário um tratamento menos intensivo.
 
Os pesquisadores, também, estão avaliando outras alterações nas células tumorais que possam a orientar melhor o tratamento.

  • Técnicas de imagem e cirúrgicas

Os recentes avanços tornaram a cirurgia de tumores cerebrais muito mais segura e eficaz. Essas técnicas incluem:

  1. Ressonância magnética espectroscópica. Nesta abordagem, as informações coletadas com o exame são usadas para criar um mapa dos elementos químicos importantes envolvidos no metabolismo tumoral. Isso está sendo desenvolvido para ajudar os cirurgiões a direcionar suas biópsias para as áreas com mais alterações e para ajudar os clínicos a direcionar a radioterapia e avaliar o efeito da quimioterapia ou da terapia-alvo.
  2. Imagem por tensor de difusão (tractografia). É um tipo de exame de ressonância magnética que identifica áreas importantes do cérebro e a cirurgia guiada por imagens, que permite a remoção do tumor de forma segura.
  3. Cirurgia guiada por fluorescência. Nesta abordagem, a criança ingere um corante especial algumas horas antes da cirurgia. O corante é absorvido principalmente pelo tumor, que brilha quando o cirurgião aponta uma luz especial sob o microscópio durante a cirurgia. Isso permite que o cirurgião separe o tumor do tecido cerebral normal.
  4. Abordagens cirúrgicas mais recentes para alguns tipos de tumores. Uma abordagem mais recente para tratar alguns tumores da hipófise ou suas proximidades, é o uso do endoscópio, que é inserido através do nariz, limitando qualquer dano ao cérebro. Uma técnica similar pode ser usada para alguns tumores nos ventrículos, onde uma pequena abertura no crânio perto da linha do cabelo serve como ponto de inserção do endoscópio. O uso dessa técnica é limitado ao tamanho do tumor, forma, posição e a quantidade de vasos sanguíneos.
  • Radioterapia

Novas técnicas radioterápicas, como radiocirurgia estereotáxica, radioterapia conformacional tridimensional, radioterapia de intensidade modulada e radioterapia com feixes de prótons, permitem que os radiooncologistas planejem o tratamento de forma que a dose de radiação seja liberada diretamente no órgão alvo com mais precisão.
 
Os estudos clínicos mostram que em algumas situações, administrar a quimioterapia pode permitir doses menores de radioterapia sem reduzir a eficácia do tratamento. Os pesquisadores estão avaliando o quanto podem diminuir as doses de radiação sem interferir no resultado do tratamento.

  • Quimioterapia

Abordagens mais recentes podem ajudar a tornar a quimioterapia mais eficaz:
 
Quimioterapia adjuvante. Em algumas crianças e recém-nascidos com tumores cerebrais, a quimioterapia é administrada imediatamente após a cirurgia, o que se denomina quimioterapia adjuvante. Alguns estudos estão avaliando se administrar uma quimioterapia mais prolongada pode evitar a necessidade da radioterapia em determinados casos.
 
Quimioterapia de altas doses e transplante de células-tronco. Um dos principais fatores que limitam a dose de quimioterapia a ser administrada são seus efeitos na medula óssea, onde as novas células sanguíneas são produzidas. O transplante de células-tronco permite que doses mais elevadas de quimioterapia sejam administradas. Para o transplante, as células-tronco do sangue são removidas e armazenadas. A criança é tratada com doses muito elevadas de quimioterapia. Após, a quimioterapia, as células-tronco são infundidas novamente no corpo, onde se espera que cheguem à medula óssea e comecem a produzir novas células sanguíneas. Apesar de algumas crianças terem respostas muito boas com este tratamento, outras tiveram efeitos colaterais severos. Ainda não se sabe se o transplante é suficientemente eficaz para se tornar um tratamento padrão. Atualmente, esse tratamento é considerado experimental para tumores do SNC. Ensaios clínicos estão em andamento para determinar sua utilidade.
 
Aperfeiçoamento da quimioterapia. Muitos quimioterápicos têm uma eficácia limitada devido a barreira hematoencefálica, que impede a passagem dos medicamentos da corrente sanguínea para algumas áreas do tumor cerebral. Atualmente, os pesquisadores estão tentando modificar a estrutura de alguns desses medicamentos de modo que possam atravessar a barreira hematoencefálica e serem mais eficazes. Esta é uma área de pesquisa ativa.
 
Administração da quimioterapia no tumor. Algumas das novas abordagens podem permitir a administração da quimioterapia diretamente no tumor. Por exemplo, um método chamado de entrega por convecção melhorada, pequenos tubos são colocados durante a cirurgia no tumor através de um pequeno orifício no crânio. Os tubos se situam abaixo do couro cabeludo e são ligados a uma bomba de infusão, através da qual podem ser administrados medicamentos quimioterápicos. Isso pode ser feito por horas ou dias e pode ser repetido mais de uma vez, dependendo do medicamento utilizado. Essa técnica também pode ser usada para administrar novos tipos de medicamentos. O método ainda se encontra em investigação.

  • Novas estratégias de tratamento

Os pesquisadores também estão testando novas abordagens para o tratamento que ajudem os médicos a alcançar os tumores de forma mais precisa. Em teoria, isso deve permitir tratamentos mais eficazes com menos efeitos colaterais. Vários desses tratamentos ainda estão sendo estudados.

  • Terapia-alvo

Com o conhecimento sobre as alterações dos genes nas células tumorais, os pesquisadores desenvolveram novos medicamentos que visam essas mudanças. As terapias-alvo agem de forma diferente dos medicamentos quimioterápicos padrão. Alguns exemplos de terapias-alvo que estão sendo estudados ou em uso:

  1. Everolimus é um medicamento que tem como alvo o mTOR, uma proteína envolvida no crescimento celular, que pode reduzir ou retardar o crescimento de astrocitomas subependimários de células gigantes (SEGAs), que não podem ser removidos cirurgicamente.
  2. Uma pequena porção de gliomas de baixo grau apresenta uma alteração no gene BRAF conhecida como mutação V600E, que pode ajudá-los a crescer. Pesquisas mostraram que os medicamentos que têm como alvo a proteína BRAF são úteis no tratamento de tumores com mutações BRAF V600E se outros tratamentos não responderem. As terapias-alvo dabrafenibe e trametinibe foram aprovadas para uso no tratamento desses tumores, e outros medicamentos também estão sendo estudados.
  3. Alguns tipos de meduloblastoma podem ter alterações em genes que fazem parte de uma via de sinalização celular denominada via hedgehog. A via hedgehog é crucial para o desenvolvimento do embrião e do feto, mas pode ser hiperativa em algumas células do meduloblastoma. Os medicamentos que tem como alvo as proteínas desta via estão sendo testadas para meduloblastoma em estudos clínicos.

Várias terapias-alvo já são utilizadas para outros tipos de câncer, e no momento estão sendo avaliadas para uso em tumores cerebrais.

  • Inibidores da angiogênese

Os tumores necessitam criar novos vasos sanguíneos (angiogênese) para manterem as células nutridas. Novos medicamentos que atacam esses vasos sanguíneos são usados para tratar alguns tipos de câncer, incluindo tumores cerebrais em adultos. Vários medicamentos que bloqueiam o crescimento dos vasos sanguíneos estão sendo estudados para uso em tumores cerebrais em crianças.

  • Sensibilizadores de células hipóxicas

Alguns medicamentos aumentam o teor do oxigênio nos tumores, tornando as células tumorais mais susceptíveis à radioterapia. Estudos estão em andamento para avaliar se esse tipo de drogas pode melhorar a eficácia do tratamento.

  • Imunoterapia

O objetivo da imunoterapia é fazer com que o próprio sistema imunológico do corpo combata o tumor.
 
Várias vacinas têm sido desenvolvidas contra as células tumorais do cérebro. Ao contrário das vacinas contra doenças infecciosas, estas vacinas são destinadas ao tratamento da doença. O objetivo das vacinas é estimular o sistema imunológico a atacar os tumores cerebrais.
 
Os primeiros resultados do estudo de uma vacina para tratar o glioblastoma se mostraram promissores, mas ainda são necessárias mais pesquisas para determinar sua eficácia. Atualmente, as vacinas para tumores cerebrais estão disponíveis apenas em ensaios clínicos.
 
Outros tipos de medicamentos que afetam o sistema imunológico também estão sendo estudados.

  • Vírus terapêuticos

Os pesquisadores em laboratório estão realizando um grande trabalho com vírus que se reproduzem apenas nas células do tumor cerebral e levam essas células à morte, sem atingir as células normais. A pesquisa com esses vírus em humanos com tumores cerebrais ainda está em fase inicial.
 
Texto originalmente publicado no site da American Cancer Society, em 17/03/2023, livremente traduzido e adaptado pela Equipe do Instituto Oncoguia.

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