Cirurgia para câncer de pênis

A cirurgia é o tratamento mais frequente para todos os estágios do câncer de pênis. Se a doença for diagnosticada em estágio inicial, o tumor pode, muitas vezes, ser tratado sem que seja necessária a remoção do pênis. O cirurgião discutirá com o paciente as opções de tratamento que oferecem a melhor chance de cura, de modo a preservar o máximo possível o órgão.

Os tipos de cirurgia utilizados no tratamento do câncer de pênis são:

  • Circuncisão. Neste procedimento é retirado o prepúcio e parte da pele ao redor. A circuncisão também é realizada para remover o prepúcio antes do tratamento radioterápico, uma vez que a radioterapia pode causar inchaço e estreitamento do prepúcio, levando a outros problemas.
     
  • Preservação da glande. Essa pode ser uma opção para tumores em estágio precoce na glande do pênis. Neste procedimento, a camada externa de pele sobre a glande, incluindo o tumor, é removida. A pele retirada é congelada e examinada ao microscópio para garantir que o tumor não tenha invadido camadas mais profundas no pênis. Caso isso tenha ocorrido, será necessária uma cirurgia mais extensa, como uma glansectomia. Após a remoção da pele, um enxerto de pele de outra parte do corpo é realizado.
     
  • Excisão simples. Neste procedimento, o tumor é retirado junto com o tecido normal adjacente. Se o tumor for pequeno, a pele remanescente é suturada. Este procedimento é similar a uma biópsia excisional. Em uma excisão local mais ampla, o tumor é retirado junto com uma margem de tecido normal adjacente para garantir que não restaram células cancerígenas. Se a quantidade de pele remanescente for insuficiente para cobrir toda a área, pode ser realizado um enxerto de pele a partir de outra parte do corpo.
     
  • Cirurgia de Mohs. Na técnica de Mohs, o cirurgião retira a camada de pele que o tumor possa ter invadido e verifica a amostra sob um microscópio de imediato. Se contiver doença na amostra, outra camada é retirada e examinada. Este processo é repetido até que as amostras de pele estejam livres de células cancerígenas. Este processo é lento, mas significa que mais tecido normal, próximo ao tumor pode ser preservado, possibilitando um melhor aspecto e função após a cirurgia. Este procedimento é realizado para condições pré-cancerosas e para alguns tipos de câncer que não se desenvolveram nas camadas mais profundas do pênis.
     
  • Glansectomia. Se o tumor for pequeno e estiver localizado apenas na glande, parte ou sua totalidade pode ser removida. Enxertos de pele podem ser usados para reconstruir a glande após a cirurgia.
     
  • Penectomia parcial ou total. Neste tipo de cirurgia, o cirurgião retira parte ou a totalidade do pênis. O objetivo é retirar todo o tumor. Este procedimento é denominado penectomia parcial se apenas a parte mais distal do pênis é retirado. Na penectomia total todo o pênis é retirado, incluindo as raízes que se estendem até a pelve. Neste procedimento, o cirurgião cria uma nova abertura para a urina, o que é denominada uretrostomia perineal. A micção pode ainda ser controlada porque o esfíncter (válvula) na uretra é preservado, no entanto, o homem terá que se sentar para urinar. Para tumores avançados, às vezes, o pênis é removido juntamente com os testículos. Esta cirurgia é denominada castração, por remover a principal fonte natural do hormônio masculino testosterona. Os homens submetidos a este procedimento deve usar uma versão artificial do hormônio para o resto da vida. Qualquer um destes procedimentos pode afetar a autoimagem do homem, bem como sua capacidade de manter relações sexuais. 

Cirurgia dos linfonodos

Nos casos em que o tumor se desenvolveu nas camadas mais profundas do pênis é necessária a retirada de alguns linfonodos próximos para verificar a disseminação da doença.

  • Biópsia do linfonodo sentinela. Esta cirurgia identifica se os linfonodos da virilha contêm a doença sem que todos os linfonodos sejam retirados. É frequentemente realizada quando os linfonodos não estão aumentados e existe uma chance da doença ter atingido os mesmos. 
     
  • Linfadenectomia inguinal. Muitos pacientes com câncer de pênis apresentam aumento de tamanho dos linfonodos da virilha quando diagnosticados. Entretanto, esses linfonodos só devem ser retirados se contiverem células cancerígenas. Em muitos casos, o inchaço é devido a uma infecção ou inflamação. Se os linfonodos se encontram nessas condições, os médicos administram rotineiramente antibióticos e aguardam algumas semanas após a cirurgia de retirada do tumor. Se o inchaço não desaparecer, é realizada a linfadenectomia inguinal para retirar os linfonodos.
     
  • Cirurgia do linfonodo pélvico. Se o câncer for encontrado em dois ou mais linfonodos inguinais, os linfonodos pélvicos também serão removidos e verificados. Isso pode ser feito no momento da retirada dos linfonodos ou posteriormente numa nova cirurgia. O risco de linfedema aumenta se esses linfonodos também forem removidos.

Efeitos colaterais da linfadenectomia. Os linfonodos da virilha são parte do sistema que normalmente drena o excesso de líquido das pernas para a corrente sanguínea. A remoção dos linfonodos pode provocar linfedema. Entretanto, atualmente, poucos linfonodos da virilha são retirados, o que reduz a chance do linfedema ocorrer. Ainda assim, o linfedema pode acontecer mesmo quando apenas um linfonodo ou os linfonodos de apenas uma região da virilha são removidos. Outros efeitos colaterais raros, como problemas de cicatrização, infecção, coágulos sanguíneos e necrose, podem apresentar-se após a linfadenectomia.

Para saber mais, consulte nosso conteúdo sobre Cirurgia oncológica.

Para saber mais sobre alguns dos efeitos colaterais listados aqui e como gerenciá-los, consulte nosso conteúdo Efeitos colaterais do tratamento.

Texto originalmente publicado no site da American Cancer Society, em 08/09/2025, livremente traduzido e adaptado pela Equipe do Instituto Oncoguia para pacientes e familiares brasileiros. 

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