Painel de Políticas Públicas do Câncer

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The Lancet: Câncer se consolida como 2ª causa de morte global no mundo e expõe desigualdades sociais

Desigualdades Sociais

O cenário da oncologia global nas próximas décadas será marcado por um crescimento acelerado e por disparidades profundas entre nações ricas e em desenvolvimento. De acordo com a mais recente análise do estudo Global Burden of Disease (GBD 2023), publicada pela prestigiada revista científica The Lancet, o câncer já é a segunda principal causa de morte no planeta, atrás apenas das doenças cardiovasculares.

Em 2023, o mundo registrou 18,5 milhões de novos casos de câncer e 10,4 milhões de óbitos. No entanto, as projeções estatísticas até 2050 indicam um salto preocupante: os diagnósticos anuais devem atingir 30,5 milhões, enquanto o número de mortes pode chegar a 18,6 milhões — um aumento de 74,5% em comparação a 2023.

A desigualdade econômica como fator de risco

A carga da doença expõe um abismo social. Segundo o estudo, cerca de 65,8% das mortes por câncer ocorrem atualmente em países de baixa e média renda. A previsão é que o aumento da mortalidade nessas regiões seja de 90,6% até 2050, enquanto nos países de alta renda esse crescimento será de 42,8%. 

Embora o envelhecimento populacional seja o principal motor desses números, a falta de infraestrutura para tratamento em países em desenvolvimento agrava o prognóstico.

Câncer de mama: 3,5 milhões de casos e o alerta para jovens

Dentro do espectro oncológico, o câncer de mama permanece como uma das maiores preocupações de saúde pública para as mulheres. Em um segundo estudo, também publicado na The Lancet Oncology e voltado especificamente para o câncer de mama, pesquisadores projetaram que os novos casos da doença saltem de 2,3 milhões (2023) para 3,5 milhões por ano em 2050.

Um dado que chamou a atenção dos pesquisadores é a mudança no perfil das pacientes. Enquanto a incidência se manteve estável em mulheres mais velhas, os casos entre mulheres jovens (20 a 54 anos) cresceram 29% desde 1990, exigindo uma revisão das estratégias de rastreamento e diagnóstico precoce para faixas etárias mais baixas.

O cenário brasileiro: diagnóstico sem redução de óbitos

O Brasil apresenta um quadro de "atenção". Desde 1990, o país expandiu significativamente sua capacidade de realizar diagnósticos e tratamentos oncológicos. 

Apesar destes avanços, isso não foi suficiente para reduzir significativamente a taxa de mortalidade pela doença. Essa relativa estabilidade aponta para a importância de investir de forma mais organizada nas estratégias de prevenção, diagnóstico precoce e tratamento oncológico.

Prevenção e Estilo de Vida

A escalada nos casos da doença, no entanto, não é inevitável. Dados do estudo revelam que 41,7% de todas as mortes por câncer no mundo ocorrem devido a fatores de risco que poderiam ser evitados, reforçando a urgência de investimento em estratégias de prevenção.

Nesse sentido, é essencial investir em sistemas para combater os principais fatores de risco ligados ao câncer: tabagismo, consumo de álcool, sedentarismo, obesidade e glicemia elevada. A adoção de hábitos mais saudáveis e o controle desses indicadores teriam o potencial de reduzir drasticamente as projeções alarmantes traçadas para 2050.

Próximos passos e políticas públicas

O estudo aponta para a urgência de combinar esforços políticos para o controle e combate ao câncer. A meta é que os países promovam sistemas de saúde e políticas públicas capazes de oferecer cuidados preventivos, rastreamento sistemático e, fundamentalmente, protocolos de tratamento eficazes para todos, independentemente de sua renda ou localização geográfica. Só assim será possível reverter o presente cenário de desigualdade na oncologia. 

Conteúdo produzido pela equipe Oncoguia
 

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