Painel de Políticas Públicas do Câncer
VoltarOncoguia contribui para a incorporação de novas tecnologias voltadas a pacientes de TNE e câncer de próstata no rol da ANS
No final de 2025 o Oncoguia enviou sua contribuição à Consulta Pública nº 166 da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que avaliou a proposta de inclusão do levomalato de cabozantinibe para pacientes com tumores neuroendócrinos bem diferenciados, irressecáveis, localmente avançados ou metastáticos, previamente tratados com duas ou mais terapias, e da enzalutamida em combinação com terapia de privação androgênica para o tratamento do câncer de próstata hormônio sensível não metastático, com recidiva bioquímica de alto risco. Ambas as contribuições contaram com o respaldo do Comitê Científico do Oncoguia.
No caso dos tumores neuroendócrinos, trata-se de doenças raras e complexas, com opções terapêuticas historicamente limitadas, especialmente após a falha das primeiras linhas de tratamento. Esses pacientes enfrentam um elevado grau de incerteza clínica e emocional ao atingirem estágios mais avançados da doença, muitas vezes sem alternativas terapêuticas disponíveis. Nesse contexto, o levomalato de cabozantinibe representa um avanço relevante ao preencher um importante vazio assistencial.
Dados do estudo CABINET demonstraram ganho expressivo em sobrevida livre de progressão, mais que dobrando esse desfecho em tumores extrapancreáticos e triplicando o tempo de controle da doença em tumores pancreáticos. Além da eficácia, o medicamento apresenta perfil de segurança conhecido e manejável, permitindo a preservação da qualidade de vida.
Apesar das limitações inerentes aos estudos em doenças raras, os resultados observados são robustos e clinicamente significativos. A interrupção precoce do estudo, motivada por razões éticas diante da clara superioridade do tratamento, deve ser interpretada como um elemento favorável, e não como fragilidade das evidências. Adiar a incorporação dessa tecnologia significa manter pacientes em um cenário de ausência terapêutica, com impacto direto em prognóstico e bem-estar.
Leia na íntegra a contribuição do Oncoguia aqui.
Em relação ao câncer de próstata hormônio sensível não metastático com recidiva bioquímica de alto risco, trata-se de uma condição com grande impacto na saúde pública, considerando a elevada incidência da doença no Brasil e o sofrimento associado à progressão para o estágio metastático.
Nessa fase, o objetivo do tratamento é retardar ao máximo a disseminação da doença, preservando qualidade de vida e reduzindo complicações futuras. A combinação de enzalutamida com terapia de privação androgênica demonstrou benefícios clínicos expressivos, com redução de 58% do risco de metástase e diminuição de 42% do risco de morte, conforme dados do estudo EMBARK. Esses ganhos não foram acompanhados por aumento significativo de toxicidade em comparação ao tratamento padrão. Soma-se a isso a possibilidade de tratamento intermitente, que permite pausas terapêuticas em pacientes com boa resposta, reduzindo efeitos adversos e favorecendo recuperação física, funcional e emocional.
Além do impacto positivo para os pacientes, o uso precoce de uma terapia eficaz pode gerar benefícios ao sistema de saúde, ao evitar custos mais elevados associados ao tratamento da doença metastática. A relevância clínica da enzalutamida nesse cenário é amplamente reconhecida por diretrizes nacionais e internacionais.
Leia na íntegra a contribuição do Oncoguia aqui.
Diante disso, o Oncoguia se posiciona favoravelmente à incorporação dos medicamentos no rol de coberturas obrigatórias dos planos de saúde. Seguimos comprometidos em garantir que pacientes com câncer tenham acesso a tratamentos seguros, eficazes e baseados na melhor evidência científica disponível, promovendo cuidado digno, oportuno e equitativo.
Conteúdo produzido pela equipe do Instituto Oncoguia.


