Painel de Políticas Públicas do Câncer

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Oncoguia apoia incorporação do abemaciclibe para mama no SUS

Participação Social (ATS)

O Oncoguia enviou sua contribuição à Consulta Pública nº 72/25 da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), que avaliou a inclusão do abemaciclibe para o tratamento de câncer de mama precoce, receptor hormonal positivo, HER2 negativo, linfonodo positivo e alto risco de recorrência, no Sistema Único de Saúde (SUS).

Realizamos nossa contribuição à consulta pública com respaldo do Comitê Científico do Oncoguia e com base em oito relatos de pacientes, coletados por meio de um formulário on-line. Essa escuta ativa permitiu reunir experiências reais de mulheres que utilizaram o abemaciclibe no contexto analisado.

O câncer de mama é o tipo mais incidente entre as mulheres no Brasil e apresenta alta mortalidade, o que reforça a urgência de acesso a tratamentos que aumentem as chances de cura e reduzam o risco de recidiva. O abemaciclibe, primeiro inibidor de CDK4/6 aprovado no país para câncer de mama precoce , demonstrou nos estudos clínicos uma redução de 32% no risco de doença invasiva e de recorrência à distância, a famosa recidiva.

O levantamento conduzido pelo Oncoguia com oito mulheres que utilizaram a medicação para essa indicação reforça sua relevância. Todas classificaram o medicamento como essencial em suas jornadas de tratamento - sete atribuíram nota 10 e uma nota 9, ao grau de essencialidade do abemaciclibe em suas vidas. 

Entre os principais benefícios relatados, destacam-se a sensação de estar mais protegida contra a recidiva, a esperança concreta de alcançar a cura e a percepção de que o tratamento oferece maior controle sobre o futuro da doença. As pacientes relataram que o uso do abemaciclibe trouxe alívio ao medo constante da volta do câncer, o que impactou positivamente seu bem-estar psicológico e trouxe mais tranquilidade para seguir com suas vidas.

Frases como “me deixou bem mais segura, protegida e com menos medo da recidiva” e “uma pena minha avó e mãe não terem o privilégio que eu tenho hoje em dia de ter essa medicação” evidenciam o impacto subjetivo positivo da tecnologia no cotidiano das pacientes.

Embora efeitos colaterais como diarreia, fadiga, dor abdominal e náusea tenham sido mencionados, nenhuma das pacientes interrompeu o uso do medicamento. Pelo contrário, todas afirmaram que fariam a mesma escolha novamente, considerando os benefícios alcançados. 

Uma das respondentes resumiu esse sentimento ao dizer: “vale a pena suportar os efeitos colaterais”. As pacientes também relataram estratégias para o manejo desses efeitos, como o ajuste de dose e o uso de medicamentos de suporte, o que destaca a importância de incorporar, junto com a tecnologia, diretrizes claras de acompanhamento e cuidado multidisciplinar.

Além da eficácia clínica reconhecida por entidades como a European Society for Medical Oncology (ESMO), o abemaciclibe também promove benefícios emocionais relevantes, reduzindo o medo da recidiva, um fator que afeta profundamente a saúde mental e a qualidade de vida. Os relatos evidenciam que o medicamento contribui não apenas para prolongar a vida, mas para vivê-la com mais tranquilidade e esperança.

Diante disso, o Oncoguia defende que a Conitec leve em consideração não apenas os dados técnicos, mas também a voz das pacientes, que vivenciam diretamente os impactos do tratamento. 

A incorporação do abemaciclibe ao SUS representa um passo importante rumo a um cuidado mais eficaz, seguro e humanizado para mulheres com câncer de mama precoce e de alto risco.

Seguimos comprometidos com a defesa do direito ao acesso às melhores tecnologias em saúde, colocando a experiência do paciente no centro das decisões.

Leia a contribuição do Oncoguia na íntegra.

Conteúdo produzido pela equipe do Instituto Oncoguia.

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