Painel de Políticas Públicas do Câncer
VoltarOncoguia abre Outubro Rosa no estado de São Paulo
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No dia 6 de outubro, o Oncoguia, em parceria com o deputado estadual Altair Moraes, realizou a abertura oficial do Outubro Rosa no estado de São Paulo. O evento, realizado na ALESP, reuniu parlamentares, autoridades das secretarias estadual e municipal de saúde, profissionais da saúde, pacientes e representantes da sociedade civil. Muito além de um ato simbólico, o encontro foi um espaço de escuta, troca de experiências e mobilização em torno de um tema urgente: o câncer de mama ainda é a principal causa de morte por câncer entre mulheres no Brasil, e a resposta precisa ir além da conscientização. É preciso garantir acesso, equidade e transformação concreta no cuidado.
A primeira mesa do evento foi focada na discussão sobre dados e políticas públicas para o controle do câncer de mama no Estado de São Paulo. Neste contexto, o deputado Altair Moraes reforçou a importância de enfrentar o medo que muitas mulheres ainda têm, tanto de realizar os exames quanto de receber os resultados. Ele destacou que o câncer de mama, quando diagnosticado precocemente, tem até 95% de chances de cura, e que esse é o verdadeiro foco da prevenção: salvar vidas.
Luciana Holtz, presidente do Instituto Oncoguia, apontou que cuidar também é um ato político e que o Outubro Rosa precisa ir além da conscientização. Para ela, é urgente garantir a mamografia, o funcionamento dos mamógrafos, a entrega dos laudos em tempo adequado, além do início rápido do tratamento. Ela defendeu que nenhuma mulher deve passar sozinha pelo processo de diagnóstico e enfrentamento do câncer.
Regina Célia Santana, Secretária de Direitos Humanos e Cidadania do Município de São Paulo, destacou que o município tem investido na saúde e segurança das mulheres, pois entende que elas só conseguem se cuidar plenamente quando têm garantias de tranquilidade, autonomia e proteção contra violências. Ela reforçou que políticas públicas devem considerar essas condições para que o autocuidado seja uma realidade.
A pesquisadora Carolina Terra Luizaga, da Fundação Oncocentro (FOSP) e da Faculdade de Saúde Pública da USP, trouxe dados que evidenciam a desigualdade no enfrentamento do câncer de mama. Segundo ela, 45% das mortes por câncer de mama ocorrem entre mulheres de 50 a 69 anos, e 25% antes dos 50. Esses números revelam que o perfil de adoecimento não é homogêneo e que fatores como raça, classe social e localização geográfica impactam diretamente no acesso ao diagnóstico precoce e no desfecho do tratamento.
Edmund Baracat, coordenador da área técnica de saúde da mulher da Secretaria de Estado da Saúde, apresentou ações que estão sendo implementadas no estado de São Paulo para facilitar o acesso ao diagnóstico. Ele destacou a utilização das carretas da saúde, a implantação do protocolo de alta suspeição de câncer de mama que prioriza casos mais urgentes, além de informar que dos 1.532 mamógrafos do estado, 670 estão disponíveis para o SUS. Apesar desses avanços, ele reconheceu que o tempo médio entre a biópsia e o início do tratamento ainda é alto e precisa ser reduzido.
A Dra. Ligia Santos Mascarenhas, coordenadora da área técnica de saúde da mulher da Secretaria de Saúde do Município de São Paulo, reforçou que o sistema está sendo reestruturado para tornar a jornada do diagnóstico e cuidado mais rápida e leve. Ela destacou o programa Avança Saúde, que permite atendimento aos sábados, como uma medida para ampliar o acesso. Ela também mencionou que o sistema precisa enfrentar desafios como o envelhecimento da população, desigualdades sociais e barreiras culturais que afastam as mulheres dos cuidados preventivos.
A oncologista Abna Vieira, pesquisadora da FMUSP e integrante de grupos que atuam na saúde da população negra, apontou que a discriminação social no Brasil está diretamente ligada à discriminação racial. Segundo ela, 70% dos usuários do SUS são pessoas negras, e mulheres negras têm maior mortalidade por câncer de mama. Ela defendeu a necessidade urgente de falar sobre o impacto do racismo estrutural na saúde e implementar ações específicas para mudar esse cenário.
A segunda parte do evento foi voltada para discutir a vivência de pacientes, a importância do autocuidado e da criação de redes de apoio para mulheres enfrentando o câncer de mama.
A Dra. Fabiana Makdissi, mastologista do A.C. Camargo Cancer Center e membro do comitê científico do Oncoguia, trouxe à tona a importância do autoconhecimento e do autocuidado como parte do processo de prevenção. Ela ressaltou que cuidar do corpo, das relações e reconhecer os próprios limites são atitudes essenciais para uma vida saudável e consciente.
A apresentadora e ativista Sabrina Parlatore, que enfrentou um câncer de mama há mais de 10 anos, compartilhou sua experiência e destacou o avanço da medicina desde então. Ela reforçou que o diagnóstico precoce continua sendo a principal ferramenta de enfrentamento ao câncer de mama e que o autocuidado deve ser uma prioridade na vida das mulheres, incluindo a saúde mental e emocional.
Sandra Gonçalves, paciente metastática e voluntária do Oncoguia, emocionou o público ao relatar sua jornada com o câncer desde 2015. Ela afirmou que viver com câncer é possível e que os cuidados paliativos são fundamentais para garantir qualidade de vida. Sandra também enfatizou a importância de ser vista como ser humano, e não apenas como um prontuário. Sua fala reforçou o papel central da escuta e da presença da equipe de cuidados na dignidade da experiência de viver com a doença.
A Dra. Marina Sahade, oncologista do Hospital Sírio-Libanês e coordenadora do comitê científico do Oncoguia, ressaltou os avanços no diagnóstico do câncer, que hoje permite conhecer o subtipo do tumor e, com isso, personalizar o tratamento. Isso representa um salto na qualidade do cuidado e aumenta as chances de sucesso terapêutico. Ela lembrou que uma em cada oito mulheres vai ser diagnosticada com câncer de mama, e que é fundamental desmistificar a doença para tratá-la com a seriedade e naturalidade que merece.
A psico-oncologista Regina Liberato, coordenadora do comitê de saúde emocional do Oncoguia, falou sobre a importância de cuidar da saúde mental como parte do autocuidado. Ela destacou que a prática de atividades físicas, a atenção às emoções e o ato de se permitir ser cuidada por outras pessoas também fazem parte da prevenção e do enfrentamento do câncer de mama.
Vanessa Palazzi, criadora da Rede Mulheres de Quarenta Mais, reforçou que a palavra “câncer” ainda carrega um peso emocional muito grande, geralmente associado à morte. No entanto, ela defendeu que o câncer hoje não é mais uma sentença, e que é preciso falar sobre a doença de forma mais consciente e informada para quebrar tabus e incentivar o cuidado.
Por fim, Maria Claudia Gonçalves, criadora do método Escuta de Si, trouxe uma abordagem sensível sobre a importância da expressão corporal e da escuta das próprias emoções. Acompanhando de perto o câncer em sua mãe e irmã, ela defende que o corpo fala e que o cuidado também passa por sentir, dançar, respirar e se conectar com as próprias emoções.
A abertura do Outubro Rosa 2025 em São Paulo reforçou a necessidade de transformar a campanha em ações contínuas, concretas e estruturadas. Mais do que laços cor-de-rosa, é preciso garantir que todas as mulheres, independentemente de onde vivam ou de sua condição social, tenham acesso a diagnóstico, tratamento e acolhimento. O câncer de mama precisa ser tratado com urgência, humanidade e justiça.
Assista o evento na íntegra.
Conteúdo produzido pela equipe do Instituto Oncoguia.


