Painel de Políticas Públicas do Câncer
VoltarMinistério apresenta status atual para oferta de medicamentos oncológicos em atraso
Políticas Públicas Relacionadas ao CâncerO Ministério da Saúde apresentou relatório ao Tribunal Regional Federal da 4ª região (TRF-4) com as providências que vem tomando para que a oferta dos medicamentos oncológicos incorporados ao SUS seja efetivada na prática. O relatório faz parte da prestação de contas que o Ministério deve apresentar no âmbito de Ação Civil Pública a fim de acompanhar e garantir que o problema de acesso a tratamentos incorporados ao SUS seja sanado.
No documento, a pasta traz as 9 tecnologias incorporadas nos últimos anos para o tratamento oncológico e apresenta o status atual das discussões para que aquela droga chegue de fato ao paciente. Das 9 tecnologias, 3 se encontram “aguardando revisão dos procedimentos”, 4 estão em processo de criação de procedimento APAC e 1 está em avaliação do impacto financeiro. Até o momento, apenas 1 droga teve a situação de fato resolvida: o blinatumumabe para leucemia linfoblástica aguda (LLA) B, que teve a criação de procedimento APAC publicada em dezembro de 2023 com valor que cobre os custos com o medicamento.
A partir das informações disponibilizadas, o Oncoguia elaborou uma tabela simplificada para dar visibilidade ao status de cada medicação e procuramos classificar esses status em etapas até a solução da situação. É importante ressaltar que a classificação das etapas foi feita pelo Oncoguia com base nas informações que conhecemos do processo até a oferta efetiva, mas pode haver equívocos uma vez que esse não é um processo transparente para a sociedade.

Legenda Oncoguia:
- Aguardando análise: ainda precisa que a equipe do Ministério realize análise sobre a droga e sua demanda no sistema de saúde, inclusive com atualização dos valores da medicação e elaboração de nota técnica
- Processo de criação de APAC exclusiva: após avaliação da situação, o processo é encaminhado para criação de procedimento que abarque apenas aquela droga, para que o valor de reembolso seja usado exclusivamente naquele tratamento, sem faltas ou sobras
- Avaliação da disponibilidade de recursos: a partir do momento que se conhece o cenário atual daquela droga, é realizada análise de qual será o peso dessa disponibilização no orçamento do Ministério (essa nova avaliação é necessária por causa da defasagem de anos, na maioria dos casos, após a análise da Conitec, que já realiza esse cálculo)
- Solução da situação: publicação da nova APAC com os valores corrigidos e o orçamento destinado para cobrir o tratamento de forma adequada
O relatório completo está disponível aqui.
É importante ressaltar que o atraso na disponibilização dessas medicações chega a completar 9 anos (saiba mais aqui). Ao longo dos últimos anos, o Oncoguia acompanha as discussões feitas pelo Ministério da Saúde sobre o tema e vem cobrando providências para que a situação seja solucionada, mas já há vários meses a pasta sinaliza que as mesmas medicações estão em processo de análise, sem aparente avanço na discussão.
O Oncoguia acompanha o processo no TRF sobre o assunto e vem cobrando mais agilidade do Ministério da Saúde para que tome as medidas necessárias para a disponibilização desses medicamentos. Esse problema já é reconhecido pelo Ministério e pelo Poder Judiciário e precisa ser priorizado para que os pacientes do SUS consigam acesso ao tratamento. Até quando os pacientes vão esperar para ter acesso ao tratamento mais adequado?
A Ação Civil Pública
Tramita na 2° Vara Federal de Porto Alegre a Ação Civil Pública n° 5044034-65.2020.4.04.7100 feita pelo Ministério Público Federal (MPF) a respeito da falta de financiamento adequado para a disponibilização das medicações oncológicas incorporadas ao SUS. O objetivo principal da ação é que o Ministério da Saúde revise o valor da APAC do procedimento oncológico correspondente ou crie um procedimento específico que assegure a cobertura financeira dos tratamentos oncológicos incorporados pela Conitec.
Em discussão desde 2018, o processo vem recebendo contribuições de organizações para averiguar a extensão do problema. Nesse sentido, o Oncoguia foi convidado para contribuir como amicus curiae (ou “amigo da corte”) na ação civil pública, quando uma instituição conhece o problema que está sendo discutido e é convidada para apresentar contribuições para o debate. Também atua como amigo da corte neste processo a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC).
Desdobramentos recentes
Em setembro de 2023, foi agendada audiência de conciliação entre o Ministério Público Federal e o Ministério da Saúde - as duas partes envolvidas no processo - para se tentar chegar em uma solução para o problema de forma que ambos estejam satisfeitos. O Oncoguia e a SBOC também participaram da audiência como amicus curiae.
Na oportunidade, o Ministério da Saúde apresentou as medidas que vem adotando para garantir a oferta efetiva das drogas oncológicas, com discussões para criação de procedimentos específicos da APAC no caso de cada incorporação. Apesar disso, a pasta informou que vem encontrando dificuldades burocráticas, principalmente no que diz respeito à disponibilidade orçamentária, o que depende também de várias áreas diferentes do Ministério.
Como forma de buscar uma solução comum, foi acordado na audiência que o Ministério deveria continuar os esforços nesse sentido, apresentando periodicamente relatórios de avanço na situação e sinalizando caso novas dificuldades fossem apresentadas ao longo do caminho. O último relatório, apresentado em janeiro de 2024, traz a situação atual de cada uma das drogas em atraso.
Conteúdo produzido pela equipe do Instituto Oncoguia


