Painel de Políticas Públicas do Câncer

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FOSP divulga panorama do Câncer gástrico no Estado de São Paulo

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Um Boletim Epidemiológico divulgado em outubro pela Fundação Oncocentro de São Paulo (FOSP) mostrou o cenário do câncer gástrico no estado, destacando a alta proporção de diagnósticos em estágios avançados. 

O boletim analisou dados do Registro Hospitalar de Câncer do Estado de São Paulo (RHC/SP) no período de 2000 a 2021, quando foram registrados 41.421 casos de câncer gástrico. Nesse período, a avaliação do estadiamento clínico revelou que 70,8% dos pacientes (24.618 casos) já se encontravam em estágio avançado da doença (III e IV) no momento do diagnóstico. 

A distribuição dos estágios demonstrou proporção mínima de casos detectados precocemente: 0,6% em estágio in situ, 14,4% em estágio I, 14,2% em estágio II, 24,4% em estágio III e 46,4% em estágio IV. Além disso, todos os Departamentos Regionais de Saúde (DRS) do estado apresentaram predominância de casos avançados em relação aos iniciais, evidenciando um padrão de diagnóstico tardio.

O boletim também mostrou que 65% dos casos ocorrem em homens e 35% em mulheres. Também houve diferenças importantes entre faixas etárias, sendo que na população de 20 a 29 anos, constatou-se que 78,3% dos diagnósticos ocorreram em estágio avançado.

No que se refere ao acesso ao tratamento e ao fluxo de atendimento, verificou-se que 60,4% dos pacientes chegaram ao hospital já com diagnóstico estabelecido e sem tratamento prévio. Entre todos os casos registrados, 18,8% não realizaram nenhum tipo de tratamento, enquanto, entre aqueles que receberam cuidado terapêutico, 53% foram submetidos à cirurgia. 

A evolução temporal dos registros demonstrou que, entre 2000 e 2021, o número anual de casos variou entre aproximadamente 500 e 2.000 notificações por ano. Embora os dados referentes a 2022, 2023 e 2024 ainda sejam preliminares, eles indicam continuidade da tendência histórica observada ao longo das últimas duas décadas, sem sinais claros de redução expressiva da incidência.

Um dos pontos mais críticos identificados no estudo foi o impacto do estadiamento sobre a sobrevida global: pacientes diagnosticados em estadiamento inicial (I e II) apresentaram sobrevida média de cerca de 3 anos, ao passo que aqueles em estadiamento avançado (III e IV) tiveram sobrevida inferior a 1 ano. Essa diferença dramática reafirma a relevância do diagnóstico precoce como fator determinante para melhores desfechos.

O boletim evidencia desafios estruturais significativos para o sistema público de saúde. A predominância de diagnósticos tardios, a elevada proporção de pacientes que não chegam a iniciar tratamento e a baixa sobrevida nos estágios avançados apontam para limitações importantes no acesso oportuno ao diagnóstico e na capacidade de intervenção precoce dos serviços de saúde. 

O câncer gástrico permanece como um relevante problema de saúde pública no estado, gerando impacto expressivo em mortalidade, desigualdade assistencial e carga sobre o sistema. Sem ações articuladas que promovam equidade, agilidade diagnóstica e fortalecimento da atenção oncológica, a tendência observada ao longo das últimas décadas tende a se perpetuar, comprometendo tanto os resultados clínicos quanto a sustentabilidade da rede de cuidado.

Leia o boletim na íntegra.

Conteúdo produzido pela equipe do Instituto Oncoguia.
 

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