Painel de Políticas Públicas do Câncer

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Audiência debate desafios no diagnóstico de câncer de pulmão

Discussões Legislativas

No dia 19/08, o Oncoguia participou da audiência pública na Câmara dos Deputados,realizada a pedido dos deputados Flávia Morais, Geraldo Resende e Júnior Mano e que contou com a presença de especialistas e representantes do governo. A audiência, realizada em alusão ao Agosto Branco, mês de conscientização sobre o câncer de pulmão, buscou ouvir especialistas sobre a possível implementação de um programa de rastreamento desse tipo de câncer no Brasil. 

Por ser um câncer silencioso e com sintomas inespecíficos nas fases iniciais, quase 90% dos casos são descobertos nas fases avançadas, com pouca chance de cura. Assim, o rastreamento, que consiste na realização de exames periódicos em pessoas sem sintomas mas com risco aumentado para aquele tipo de câncer, pode ter grandes benefícios e inclusive salvar vidas, como foi apontado pela dra Fabíola Perim, presidente da Aliança de Combate ao Câncer de Pulmão e representante da Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica. 

Além da dificuldade de detecção precoce do câncer de pulmão, ainda nas fases iniciais, a grande maioria dos casos da doença estão ligados ao uso de tabaco e seus derivados, chegando a mais de 80%. Por isso, a recomendação das sociedades médicas é para rastreamento de pessoas com mais de 50 anos consideradas tabagistas pesados (20 anos-maço) com a realização de tomografia de baixa dose anualmente, como esclareceu o Dr. Thiago Lins Fagundes de Sousa, da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT). 

O médico apresentou ainda um estudo recente, do qual fez parte, que avaliou os custos de implementar um programa de rastreamento para o câncer de pulmão no Brasil e concluiu que é custo-efetivo, ou seja, vale a pena para o sistema de saúde. O Dr. Thiago também ressaltou que a medida pode reduzir a mortalidade por câncer de pulmão em até 17%, destacando que para salvar uma vida é preciso rastrear apenas 320 pessoas.

Já Roberto de Almeida Gil, diretor do Instituto Nacional de Câncer (INCA), enfatizou que a prevenção é o principal caminho no enfrentamento do câncer de pulmão. Ele reforçou que, antes de se implementar um programa de rastreamento, é fundamental garantir uma estrutura sólida para detecção precoce, considerando as dificuldades de infraestrutura que ainda persistem no país, com baixa disponibilidade de tomógrafos, e gargalos para o seguimento desses pacientes após o diagnóstico da doença. 

Nesse sentido, Helena Esteves, gerente de advocacy do Oncoguia, ressaltou a importância da criação de uma linha de cuidado para o câncer de pulmão, guiando profissionais de saúde para mais agilidade e melhor seguimento do paciente desde o diagnóstico até o tratamento. Ela ainda destacou as múltiplas barreiras enfrentadas pelos pacientes na jornada antes e após o diagnóstico. Entre os principais entraves estão a dificuldade de acesso a exames como tomografia e broncoscopia no SUS, a falta de capacitação dos profissionais da atenção primária e a desinformação que ainda cerca a doença, frequentemente acompanhada de estigmatização dos pacientes.

Patrícia Canto Ribeiro, vice-presidente adjunta da Fiocruz, lembrou que o Brasil está entre os 10 países com maior incidência de câncer de pulmão no mundo. Ela reforçou que, embora o tabagismo seja o principal fator de risco, a poluição, o fumo passivo e exposições ocupacionais também contribuem para o aumento dos casos, e que a prevenção primária deve ser uma prioridade.

Denise Blaques, diretora de projetos do Instituto Lado a Lado pela Vida, destacou a desinformação como um dos grandes riscos atuais, especialmente entre os jovens, que têm sido fortemente atraídos pelos dispositivos eletrônicos para fumar (vapes), aumentando o número de fumantes e, consequentemente, o risco de câncer de pulmão no futuro.

Rodrigo Lacerda, assessor técnico do CONASEMS, reforçou a necessidade de organização e implementação de uma rede de saúde eficiente, capaz de garantir diagnóstico precoce e acesso oportuno à atenção especializada, o que é essencial para o enfrentamento da doença de forma eficaz no SUS. Segundo Rodrigo, o Brasil tem enfrentado dificuldades de efetivação de programas de rastreamento, não tendo alcançado as metas para o câncer de mama e de colo de útero, e afirmou que é necessário investir na reorganização de toda a rede de atenção oncológica para que, posteriormente, novos programas sejam criados olhando para tipos de câncer específicos. 

Por fim, Eduardo David Gomes de Sousa, coordenador-geral de Prevenção e Controle do Câncer do Ministério da Saúde,  destacou a recente apresentação do Manual de Alta Suspeição Oncológica, voltado aos profissionais da atenção primária, para acelerar os encaminhamentos e facilitar o diagnóstico precoce do câncer de pulmão. O coordenador ressaltou ações que o Ministério vem fazendo pela prevenção e diagnóstico precoce do câncer e concordou com os colegas do INCA e do Conasems a respeito da necessidade de organização da rede de saúde antes de implementar um programa de rastreamento do câncer de pulmão.

Assista à Audiência Pública completa.

Conteúdo produzido pela equipe do Instituto Oncoguia.

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