Painel de Políticas Públicas do Câncer
Voltar[ARTIGO] Tumores
Políticas Públicas Relacionadas ao CâncerTumores cerebrais
Tumores cerebrais do adulto são tratados em princípio com cirurgia seguida de radioterapia, sendo a radioterapia acompanhada de uma medicação denominada Temozolamida, que é continuada por mais 6 meses após a radioterapia. Lamentavelmente a grande maioria dos tumores acaba recidivando (voltando). Algumas publicações de estudos relativamente pequenos mostraram que a associação de duas medicações já usadas para outros tipos de tumor, Bevacizumabe e Irinotecano, retarda a progressão (piora) da doença e proporciona diminuição do tumor em número significativo dos casos. De fato, na prática do dia-a-dia temos observado respostas importantes com este esquema, mas ainda há limitação ao acesso a estas drogas para este tipo de tumor pela falta de estudos maiores que comprovem definitivamente que pacientes de fato vivem mais e também, pelo elevado custo do tratamento.
Tumores de cólon e reto
Descobriu-se que a presença de determinada mutação (alteração) em um gene chamado de KRAS impede que uma determinada medicação que vinha sendo utilizada com certa frequência em câncer de cólon metastático (disseminado) tenha atividade anti-tumoral. A medicação, denominada de Cetuximabe, agiria somente em pacientes cujos tumores não apresentam esta mutação (para a qual já existem testes no Brasil), mas agiria bem contra tumores que não têm a mutação. Embora não pareça um avanço, é sim um imenso avanço pois poupa um grande número de pacientes de efeitos colaterais da medicação que não estaria agindo, e evita um gasto importante de recursos ao economizar os custos do tratamento daqueles que não se beneficiariam da medicação em questão. Como esta medicação, Cetuximabe, também é utilizada em outros tumores (cabeça e pescoço, pulmão), provavelmente poderemos prever melhor quem deve e quem não deve ser tratado com a droga nestas doenças também.
Tumor de pâncreas
Este tipo de tumor é tratado com cirurgia sempre e quando possa ser retirado em sua totalidade. Foram publicados estudos que mostram que pacientes operados que recebiam uma medicação chamada Gemcitabina por 6 meses após a cirurgia tinham menos recidiva (volta da doença) e viviam mais que os que não recebiam a medicação. Da mesma maneira, aqueles que não podiam ser operados, quando tratados com radioterapia associada a Gemcitabina, viviam mais que aqueles que apenas recebiam radioterapia. Desta maneira, pacientes com este diagnóstico, certamente devem discutir com seus médicos a opção de se utilizar esta droga como parte do tratamento. A medicação não é nova, e já era utilizada rotineiramente em casos de doença avançada.
Câncer de cabeça e pescoço
Tumor de tireóide metastático
A grande maioria dos tumores de tireóide são curados com cirurgia e iodo radioativo. Apesar disso, alguns casos sofrem progressão da doença e quando param de responder a iodoterapia, apresentam poucas opções terapêuticas. Em 2008 se descreveu que uma classe de drogas, chamadas inibidoras de angiogênese (inibidoras de crescimento de vasos) leva a uma significativa taxa de resposta (diminuição do tumor) e prolongamento do tempo em que o tumor permanece sob controle. Embora os dados sejam preliminares, como antigamente nenhum tratamento tinha resultados expressivos, esta novidade abre caminho para um tratamento com maior sucesso nesta situação rara.
Câncer de pulmão
O câncer de pulmão continua sendo um imenso desafio no campo da oncologia, mas em 2008 foram publicados dados que mostram que pacientes com doença metastática tratados com quimioterapia associada a uma terapia alvo denominada Cetuximabe, tinham uma maior chance de retardar a progressão de doença. Embora isto de maneira nenhuma represente cura, é mais um dado alentador em relação a uma doença sabidamente de difícil tratamento.


