Painel de Políticas Públicas do Câncer
Voltar[ARTIGO] Medicação Lodamina: esclarecimento aos nossos leitores
Políticas Públicas Relacionadas ao CâncerEm face de recentes reportagens sobre uma "nova droga" contra o câncer, denominada Lodamin (lodamina), e das inúmeras perguntas geradas a respeito, decidimos tentar ajudar com alguns esclarecimentos.
Esta droga faz parte de um grande grupo de novas medicações com potencial para tratamento do câncer. A ideia é que como o tumor precisa de sangue para receber nutrientes, se impedirmos o crescimento dos pequenos vasos que crescem no tumor e o alimenta, poderemos impedir o crescimento do tumor. De fato, este conceito revolucionário descoberto há algumas décadas, vem gerando grande número de descobertas e hoje já podemos contar com medicações deste tipo para nos auxiliar a tratar pacientes com câncer.
Lodamin, a medicação usada em estudo publicado recentemente em uma revista de grande respeitabilidade, vem sendo aperfeiçoada há décadas. Agora finalmente parece que se atingiu uma formulação adequada, que pode ser tomada por via oral, é bem absorvida no intestino, e de fato impede o crescimento de tumores ao menos nos camundongos em que a nova fórmula foi testada.
É de fato muito provável que consiga inibir o crescimento de tumores também em humanos. O que é muito precoce porém, é a afirmação de que ela não terá efeitos colaterais. Não há drogas sem efeitos colaterais. Frequentemente não se detectam efeitos colaterais em um primeiro momento, mas com uso mais prolongado estes efeitos aparecem. O fato de em camundongos não ter sido notado nenhum efeito de maneira nenhuma prevê que estes não venham a ocorrer em humanos.
Agora começa uma nova jornada de pesquisas em humanos com esta medicação, inicialmente para descobrir a dose máxima que não tenha toxicidade (efeitos colaterais) grave, depois para avaliar se tem eficácia, e finalmente para compará-la a medicações já existentes no mercado.
Para pacientes interessados, passarão alguns anos (não menos que 3 a 5 anos) até que esta medicação seja aprovada para uso fora de estudos clínicos. Vale sim a pena sempre prestar atenção na disponibilidade de pesquisas com a medicação (esta e muitas outras novas medicações em testes) no Brasil.
Já temos algumas drogas aprovadas para uso em oncologia, e que afetam o tumor por mecanismo semelhante. Exemplos são as drogas Bevacizumabe, Sorafenibe e Sunitinibe.
Reforço que existem vários centros de pesquisa clínica com diversas novas modalidades de tratamento à disposição de pacientes em todo o país.


