Painel de Políticas Públicas do Câncer
VoltarAP da ANS discute acesso ao Alectinibe para câncer de pulmão
O Oncoguia participou da audiência pública n° 59 promovida pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), em 19 de setembro, e discutiu a não recomendação do Alectinibe como terapia adjuvante para pacientes com câncer de pulmão ALK positivo em estágio inicial, nos planos de saúde.
Na audiência, médicos destacaram que o Alectinibe, já aprovado para uso em estágio metastático, demonstrou no estudo clínico ALINA resultados expressivos que mostram uma redução de 76% no risco de recorrência ou morte, com quase 90% dos pacientes livres da doença após três anos, comparado a pouco mais da metade dos tratados com quimioterapia.
Além disso, a medicação reduz significativamente o risco de metástase cerebral, um dos desfechos mais temidos nessa doença. Especialistas da Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica e do Grupo Brasileiro de Oncologia Torácica reforçaram que, embora a cirurgia seja essencial para o tratamento curativo, a adjuvância com Alectinibe melhora os resultados e que a exigência exclusiva de dados maduros de sobrevida global é inadequada diante do benefício já comprovado.
Especialistas ressaltaram ainda que o medicamento evita tratamentos posteriores mais agressivos e custosos, e que os pacientes desse perfil são geralmente jovens, produtivos, e sofrem um impacto devastador na qualidade de vida quando há recidiva, especialmente cerebral.
Durante a audiência, a voz dos pacientes foi central, com depoimento do Dr. Antônio, médico e paciente em uso do Alectinibe, que afirmou: “Eu já faço uso há um ano e digo que é excepcional o valor desse medicamento. Eu levo uma vida normal, uma atividade laborativa normal, e realmente entendo a necessidade de oferecer para outros pacientes com esse diagnóstico a oportunidade de uso do Alectinibe.” Ele destacou que a medicação não o restringe e que tem esperança de ser curado após o tratamento completo.
Helena Esteves, Gerente de Advocacy do Oncoguia, destacou o impacto não apenas clínico, mas emocional e econômico da doença e da recidiva, enfatizando que “se temos uma terapia que é capaz de segurar essa doença, evitar justamente que ela volte de forma mais devastadora, a gente está oferecendo tempo livre de doença com qualidade de vida e é isso que a gente precisa valorizar.” Para os pacientes, viver sem o medo constante de uma recidiva cerebral é tão importante quanto prolongar a vida.
No aspecto econômico, a fabricante Roche apresentou estimativas que indicam que cerca de 42 pacientes por ano na saúde suplementar seriam beneficiados, e que a incorporação do Alectinibe pode gerar economia a médio e longo prazo ao reduzir a incidência de metástases. A empresa também ressaltou que os custos e a relação custo-efetividade estão dentro dos parâmetros aceitos pela ANS e que modelos inovadores de precificação e reembolso podem assegurar sustentabilidade financeira.
Durante a audiência, vários participantes criticaram o atual processo decisório da ANS, apontando que as operadoras têm tido a palavra final, em detrimento das sociedades médicas e da experiência dos pacientes, o que pode comprometer o equilíbrio técnico e ético da decisão.
A principal demanda é a reconsideração da recomendação preliminar negativa e a incorporação imediata do Alectinibe na saúde suplementar, com maior participação técnica das sociedades médicas e valorização da experiência do paciente. Ressaltou-se que as decisões devem levar em conta as evidências clínicas atualizadas e não se basear exclusivamente em aspectos financeiros.
Seguimos comprometidos com o diálogo técnico, ético e colaborativo para garantir o acesso às melhores tecnologias em saúde. O Alectinibe representa não apenas um avanço clínico, mas uma escolha de cuidado humanizado e sustentável. Esperamos que as contribuições apresentadas sejam consideradas na etapa final da análise.
Assista a audiência pública na íntegra.
Você também pode contribuir na consulta pública sobre a inclusão dessa medicação no Rol da ANS, aberta até o dia 29/09, através do site da ANS.
Conteúdo produzido pela equipe do Instituto Oncoguia.


