Painel de Políticas Públicas do Câncer

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Alesp e OPAS celebram Dia Mundial de Ação para a Eliminação do Câncer do Colo do Útero

Discussões Legislativas

O Dia Mundial de Ação para a Eliminação do Câncer do Colo do Útero, celebrado em 17 de novembro, impulsionou uma série de discussões voltadas à prevenção e ao diagnóstico precoce da doença. A data reforçou a urgência de fortalecer políticas públicas para ampliação de acesso à informação e a estratégias de prevenção da doença.

O principal foco das discussões foi a vacinação contra o HPV: uma das principais estratégias para a eliminação do câncer de colo de útero. A vacina já está disponível no SUS gratuitamente em dose única para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, para pessoas imunocomprometidas (incluindo pacientes oncológicos) de 15 a 45 anos, vítimas de violência sexual e usuários de PrEP.

Apesar dessa disponibilidade, ainda há baixa cobertura vacinal, principalmente entre as crianças e adolescentes, principal grupo foco da campanha de vacinação. Diante disso, o Ministério da Saúde lançou uma mobilização específica para alcançar adolescentes de 14 a 19 anos que ainda não se vacinaram. A iniciativa busca reverter atrasos históricos e ampliar a proteção de uma faixa etária crítica para a transmissão do vírus. 

Discussões na ALESP reforçam caminhos para ampliar a vacinação contra o HPV

Atendendo a pedido da deputada Solange Freitas, a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP) promoveu uma Audiência Pública dedicada a discutir estratégias para elevar a cobertura vacinal contra o HPV no estado. O encontro contou com a presença de representantes do governo, academia, sociedade civil e gestores municipais.

Ana Goretti Maranhão, representando o Ministério da Saúde, apresentou as diretrizes da pasta e destacou a importância da atuação coordenada entre diferentes esferas da gestão pública. Em seguida, o professor Edmund Baracat, representando o Estado de São Paulo, e a pesquisadora Luisa Lina Vila, do ICESP/USP, reforçaram evidências científicas sobre o impacto da vacina na prevenção do câncer de colo do útero e detalharam ações desenvolvidas pelo estado.

A sociedade civil também marcou presença durante a audiência. Celina Rosa Martins (Instituto Vencer o Câncer) e Andreia Schroeder (Movimento Mulheres do Brasil) compartilharam iniciativas da sociedade civil organizada que tem trabalhado para combater a desinformação sobre HPV e incentivar a vacinação do público. 

Na etapa final do debate, representantes dos municípios de Guarujá, Cubatão, Santos e São Vicente apresentaram experiências locais, abordando tanto os avanços quanto os obstáculos enfrentados no dia a dia das campanhas de imunização.

Entre as propostas debatidas, ganharam destaque a vacinação em ambiente escolar, a realização de mutirões exclusivos para o HPV e o uso de unidades móveis para alcançar adolescentes em regiões de difícil acesso. Ao final, prevaleceu o consenso de que as políticas públicas precisam avançar em duas frentes essenciais: aprimorar a comunicação com jovens e famílias e garantir que a vacina chegue aos locais onde esses adolescentes estão, assegurando acesso simples, próximo e equitativo.

Assista ao evento na íntegra.

Webinar da OPAS reforça avanços das Américas na eliminação do câncer do colo do útero

A OPAS realizou um webinar para o Dia Mundial da Eliminação do Câncer do Colo do Útero, reunindo representantes de governos, especialistas e parceiros internacionais para discutir estratégias que ampliem a vacinação, rastreamento e tratamento na região. Na abertura, Silvana Luciani da OPAS destacou a importância da vacina do HPV e da adoção do teste molecular como método principal de rastreamento. O diretor da OPAS, Dr. Jarbas Barbosa, enfatizou que o câncer do colo do útero é totalmente prevenível e reforçou os avanços das Américas na introdução da vacina e no acesso regional a tecnologias diagnósticas.

O Ministro da Saúde do Brasil, Alexandre Padilha, apresentou ações estruturantes, incluindo a expansão do teste de HPV, o fortalecimento dos serviços de diagnóstico e tratamento e a inovação representada pelo primeiro teste de HPV produzido e desenvolvido no país. Ele também destacou os avanços em vacinação:o Brasil conseguiu atingir 82% de cobertura entre meninas e 67% entre meninos, além da adoção da dose única e da ampliação temporária da faixa etária para 9 a 19 anos.

Outros países também apresentaram seus esforços, como Antígua e Barbuda que relataram a implementação de uma testagem nacional gratuita, que avaliou 2.076 mulheres entre fevereiro e outubro de 2024, registrou cerca de 20% de testes positivos para HPV de alto risco e conseguiu garantir tratamento a 75% dessas mulheres. El Salvador apresentou resultados expressivos com sua estratégia baseada em vacinação, teste de HPV e termocoagulação, alcançando 84% de cobertura vacinal, 73% de rastreamento, 76% de tratamento das mulheres que testaram positivo, e uma redução da mortalidade de 11,12 por 100 mil habitantes para 6,4 por 100 mil habitantes entre 2017 e 2024.

No fechamento, a OPAS reconheceu o forte compromisso dos países e o impacto da cooperação regional, afirmando que as Américas têm potencial para se tornar a primeira região do mundo a eliminar o câncer do colo do útero como problema de saúde pública, mediante avanços contínuos em vacinação, rastreamento e tratamento oportuno.

Assista o evento na íntegra.

Conteúdo produzido pela equipe do Instituto Oncoguia.

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