Painel de Políticas Públicas do Câncer

Voltar

Abertura do Outubro Rosa no INCA tem divulgação de dados sobre desigualdades regionais e raciais

Desigualdades Sociais

No dia 3 de outubro de 2025, durante o lançamento da campanha Outubro Rosa, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) apresentou um panorama aprofundado sobre os avanços, desafios e desigualdades no enfrentamento do câncer de mama e do colo do útero no Brasil. O evento, realizado na sede do Instituto no Rio de Janeiro, reuniu José Barreto, diretor do Departamento de Atenção ao Câncer do Ministério da Saúde, representantes da Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro, profissionais da atenção primária e pesquisadores, que trouxeram à tona dados atualizados e reflexões fundamentais para o fortalecimento da política pública de cuidado à saúde da mulher.

O foco principal foi a análise dos dados mais recentes sobre mortalidade, cobertura de rastreamento e fatores de risco associados aos dois tipos de câncer, com destaque para as persistentes desigualdades raciais, regionais e sociais que atravessam o sistema de saúde. Segundo os dados apresentados, o câncer de mama segue como o tipo mais incidente entre as mulheres brasileiras (excluindo o de pele não melanoma) e também como a principal causa de morte por câncer na população feminina.

O diretor-geral do INCA, Roberto Gil, comentou sobre o anúncio recente do Ministério da Saúde a respeito da ampliação da idade para realização de mamografia no SUS. Ele também desmistificou a ideia equivocada de que haveria uma “proibição” da mamografia antes dos 50 anos, esclarecendo que a realização do exame nessa faixa etária deve ser baseada em decisão informada entre médica(o) e paciente. Gil reforçou que, apesar de alguns avanços, os indicadores brasileiros ainda estão aquém do desejável, o que exige uma revisão urgente das estratégias adotadas.

Renata Maciel, chefe da Divisão de Detecção Precoce do INCA, apresentou a nova publicação "Controle do câncer de mama no Brasil: dados e números 2025", um levantamento técnico construído ao longo de seis meses com dados do Sistema Único de Saúde (SUS). A publicação traz informações detalhadas sobre incidência, mortalidade, fatores de risco, acesso a exames e tratamento, e tem como objetivo subsidiar gestores e profissionais da saúde na tomada de decisões estratégicas.

Ela também apresentou uma nota que esclarece as recomendações do Instituto sobre os riscos e benefícios da mamografia de 40 a 49 anos.

Letícia Cardoso, diretora na Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA) do Ministério da Saúde, apresentou dados do Boletim Epidemiológico: Mortalidade por Câncer de Mama e Colo do Útero na População Feminina Segundo Raça/Cor da Pele feito pela SVSA. No caso do câncer de mama, as maiores taxas de mortalidade ocorrem entre mulheres brancas, mas o crescimento proporcional é mais acelerado entre negras (pretas e pardas) e indígenas. Em contrapartida, no câncer do colo do útero, as maiores taxas de mortalidade estão entre mulheres indígenas e negras, com destaque para a região Norte, onde o índice é o mais alto do país.

A cobertura do rastreamento mamográfico pelo SUS ainda está abaixo de 30% da população alvo (mulheres entre 50 e 74 anos), percentual bem inferior ao recomendado internacionalmente. Embora 4,4 milhões de mamografias tenham sido realizadas em 2024, a desigualdade no acesso se mantém, com mulheres brancas, de maior escolaridade e renda realizando mais exames que mulheres pretas, pardas e indígenas.

“Seguimos com mais de 40% dos diagnósticos já com tumores avançados, muitas biópsias demorando 30 ou até mais de 60 dias para serem realizadas e mais de 50% das pacientes demorando mais de 60 dias para receber o 1° tratamento. Números iguais aos do início do século, o que é extremamente preocupante”, comenta dr Gilberto Amorim, oncologista e membro do comitê científico do Oncoguia. 

Outro tema de destaque no evento foi a prevenção primária. Thainá Alves Malhão, da Coordenação de Prevenção e Vigilância do INCA (Conprev), apresentou dados que mostram que cerca de 17% dos casos de câncer de mama poderiam ser evitados por meio de mudanças no estilo de vida, como a redução do consumo de álcool, o controle do peso corporal, uma alimentação saudável, a prática regular de atividade física e o aleitamento materno prolongado. Essas medidas, além de reduzir o risco da doença, são essenciais para a promoção da saúde feminina de forma geral. Com isso, foi lançada no evento a cartilha do INCA “Estilo de Vida Saudável Durante e após o Tratamento do Câncer: Atividade Física”, com recomendações para a realização de atividades físicas por pacientes oncológicos.

Para o Oncoguia, estes dados fundamentam a luta por políticas públicas mais justas e equitativas, além de mostrar a importância da implementação de protocolos clínicos e a ampliação de exames no SUS, especialmente para as populações vulneráveis.

Assista ao evento na íntegra.

Conteúdo produzido pela equipe do Instituto Oncoguia.

Precisa de ajuda? Fale com o Oncoguia aqui!