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  • Rita Menezes - Câncer de Ovário
    "História de como descobri o câncer de ovário. Hoje acompanho tumores neuroendócrinos no estômago e aguardo o resultado de uma biópsia na mama esquerda."

Olá, me chamo Rita Maria Menezes Pereira, mas todos me conhecem como Rita Menezes. Tenho 56 anos e sou engenheira civil. Quero compartilhar com vocês um pouco da minha história de descoberta e enfrentamento da doença.

Eu tinha 41 anos quando comecei a desconfiar do abdômen aumentado, do sangramento intenso durante o ciclo menstrual e de uma fraqueza constante, acompanhada de sonolência. A princípio, achei tudo normal. Nunca fui magra, estava fazendo exercícios físicos e sempre tive o ciclo irregular por conta da síndrome dos ovários policísticos. Além disso, costumava ir ao médico com frequência.

Em uma dessas consultas com a ginecologista que já me acompanhava há algum tempo, comentei sobre o que estava sentindo. Ela me informou que minha ferritina estava em 4 e pediu alguns exames para que eu pudesse colocar um implante hormonal subcutâneo e interromper o fluxo menstrual. Fiz os exames e, na ultrassonografia, apareceu uma imagem estranha. Por orientação médica, esperei o ciclo seguinte e repeti o exame com doppler. A imagem se confirmou e a médica me encaminhou para uma cirurgiã, com suspeita de endometriose.

Fui internada para a cirurgia, mas, ao acordar no quarto, percebi que algo estava diferente. Meu marido não quis me contar o que havia acontecido. No dia seguinte, liguei para a cirurgiã, que me explicou que não havia feito o procedimento e apenas colheu material para biópsia. Passei quinze dias em angústia, até que, ao folhear uma revista Saúde para ajudar meu filho, então com sete anos, em um trabalho da escola, encontrei uma matéria intitulada “O câncer silencioso”. Reconheci meus sintomas naquele texto e comentei com minha mãe, que tentou me tranquilizar dizendo que eu não tinha histórico familiar e era muito nova para pensar nessa possibilidade.

Quando o resultado da biópsia saiu, a cirurgiã informou que estaria viajando e que aquele tipo de cirurgia não era de sua especialidade, mas me indicou dois profissionais. Imediatamente marquei uma consulta particular com um deles, mesmo sem cobertura do plano de saúde. Era outubro de 2010. Durante a consulta, o médico chamou a secretária e agendou a cirurgia para a quarta-feira seguinte — estávamos em uma sexta-feira. Perguntei o que seria feito, e ele explicou que se tratava de uma histerectomia total, com possibilidade de quimioterapia após a cirurgia.

Perguntei se a médica anterior não havia me explicado, e respondi que não. Chorei. O médico perguntou se eu tinha filhos ou desejava ter mais. Contei que tinha um menino de sete anos. Ele me pediu calma, dizendo que tumores dessa natureza raramente voltam.

Fiz a cirurgia, e o diagnóstico foi de tumor seroso borderline. No lavado peritoneal, foram encontradas células neoplásicas. Fiz quimioterapia e fui acompanhada por uma equipe multidisciplinar. Perdi os cabelos, cílios e sobrancelhas, mas renasci com fé, apoio da família e dos amigos.

Durante um tempo, me questionei sobre o porquê de tudo isso e se não teria havido descuido médico. Mas decidi não alimentar mais essa dúvida. Gravei alguns podcasts sobre o câncer de ovário e segui em frente, embora o fantasma do câncer ainda ronde de vez em quando.

Em setembro, nos exames anuais de acompanhamento, foi identificada a presença de tumores neuroendócrinos no estômago, que sigo acompanhando. Em julho, a mamografia anual revelou um nódulo suspeito. Fiz uma mamotomia na quarta-feira, dia 17, e aguardo o resultado da biópsia.

Para completar, fiquei desempregada em janeiro e ainda não consegui um novo trabalho. Tenho, porém, o apoio do meu esposo. Hoje, o que mais desejo é poder me aposentar e viver fazendo o que amo: cuidar das plantas, praticar exercícios físicos e estudar para o mestrado. Mas, como a situação financeira pesa, sigo trabalhando e me mantendo positiva.

Procuro conscientizar as pessoas sobre a importância de manter hábitos saudáveis. Fiz o teste genético e nada foi encontrado em relação à hereditariedade. Continuo me cuidando, preservando minha saúde e tentando ajudar outras pessoas que estão enfrentando a doença.

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