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  • M.G. - Tumores Cerebrais / Sistema Nervoso Central
    “Meningioma grau II, de comportamento incerto, em seio sagital e parassagital bilateral, com infiltração no parênquima cerebral e na calota craniana.”
 

Faz alguns anos que diversas vezes passava mal, vivia desmaiando, achava que era pressão. Tinha dias em que estava com a pressão baixa, mal-estar, coração acelerado no meu local de trabalho, conhecida como “a desmaiona” rs...

Em 2020, engravidei do meu segundo filho. Graças a Deus, fiquei afastada durante toda a gestação, pois sou técnica de enfermagem e foi logo no início da pandemia de COVID. Tive uma gestação normal, ocorreu tudo bem.

Logo após o parto, em janeiro de 2021, alguns dias depois, senti meus lábios formigando, escutava o coração batendo muito devagar na minha cabeça. Ao verificar os batimentos cardíacos, eles estavam muito baixos e não passavam de 40 bpm. Comecei a ter uma crise de ansiedade, com a certeza de que iria morrer. Entrei em desespero, meu esposo me levou ao hospital onde tive o bebê. Fizeram um eletrocardiograma e constataram uma bradicardia. Me deram um calmante, orientaram a marcar consulta com cardiologista e me liberaram.

Fiz exames cardíacos, como eletrocardiograma, ecocardiograma, MAPA e Holter, e tudo estava normal. Passou-se o tempo, voltei a trabalhar após a licença-maternidade. Às vezes tinha uns desmaios e, no final de dezembro de 2021, tive uma síncope na escada do meu trabalho. Fui encaminhada ao pronto atendimento, lá mesmo onde trabalho. Fiz exames como ECG, tomografia da coluna e raio-X do tornozelo, no qual não conseguia apoiar no chão, e fui liberada de alta.

Iniciei novamente uma investigação por conta desses desmaios. Rotina cardíaca, tudo normal. Segui a vida, mesmo às vezes passando mal, desmaiando...

Em maio de 2022, engravidei e, com 8 semanas, perdi meu bebê. Eu estava tentando engravidar de uma menina.

Seguindo na minha “normalidade de desmaiona”, em outubro de 2023 engravidei novamente e novamente perdi o bebê, com 6 semanas. Com isso, iniciei uma investigação para entender o porquê das perdas, e todos os exames estavam dentro da normalidade.

No início de 2024, percebi que meu psicológico não estava bom. Eu trabalho no setor de oncologia e sabia que aquele ambiente estava me fazendo muito mal, pois toda história, todo sofrimento daqueles pacientes fazia com que eu vivesse dentro do banheiro chorando. Isso estava me deixando totalmente desequilibrada em todos os âmbitos da minha vida. Então passei em um psiquiatra, que me afastou por depressão e ansiedade, me passou medicação e logo descobri uma nova gestação.

Aí então iniciou o que eu não imaginava. Eu passava mal de uma forma diferente das outras gestações. Minha visão do olho direito às vezes sumia ou ficava com uns raios, minha perna direita do nada perdia força e eu caía. Eu achava que era a coluna, pois já havia retirado uma hérnia.

Passei a gestação assim: sentindo tonturas, desequilíbrio, caindo, desmaiando. Toda essa situação me deixava muito ansiosa. Percebi que eu tinha mudanças de comportamento e vivia chorando. Me despedia das pessoas e falava que achava que eu ia morrer no parto.

Até que um dia sonhei que descobri um tumor cerebral. Não sei se meu subconsciente estava me avisando, talvez porque eu trabalhava com isso. Meu esposo ficou muito bravo comigo quando contei meu sonho, então parei de pensar nisso.

Minha obstetra antecipou meu parto, pois a bebê, uma menina, não estava ganhando peso e ela não entendia o que estava acontecendo.

Ela nasceu em 26/12/24. Logo na alta da maternidade, tive uma crise de pânico. Achava que ia morrer. Uma angústia, medo. Fiquei extremamente descontrolada.

Então iniciou, em 09/01, no aniversário do meu filho do meio, uma dor de cabeça que não passava com nada. Fui ao pronto-socorro. O médico me medicou, me encaminhou para o ortopedista e pediu uma ressonância de coluna, que fiz na mesma semana. Eu estava sem força na perna direita, tinha uma sensação de coração batendo na perna e uns espasmos.

No final de janeiro, com uma dor insuportável de cabeça, meu esposo me levou ao pronto-socorro do hospital onde trabalhamos. O médico ortopedista fez alguns testes físicos, me medicou e pediu uma tomografia de coluna e uma de crânio. Me deixou internada na observação da neurologia. Estávamos eu, meu esposo e nossa bebê.

Realizei mais exames de ressonância e angiorressonância.

Logo no dia seguinte de manhã, fui internada no setor onde eu trabalhava e, com a visita do médico do trabalho, ele entrou no quarto, eu amamentando, e disse:
— Sobrou pra mim dar essa notícia! Você está com um tumor cerebral!

O nosso chão caiu. Eu, em choque, pensei: estou morrendo.

Até que Deus enviou um neurocirurgião abençoado, que interrompeu o que o médico do trabalho estava falando e disse:
— Olá, sou o Dr. (...). Eu vou explicar direitinho o que está acontecendo. Fiquem calmos, que não é bem assim.

Ele, com muita paciência, explicou:
— Você tem um machucado na cabeça. Ele não é pequeno, está medindo quase 10 cm no seio sagital e parassagital. Ele obstruiu a veia que irriga o cérebro, mas Deus cuidou de você e fez com que seu corpo arrumasse outros caminhos para a circulação. Vamos cuidar de tudo.

Ele nos acalmou e me liberou para casa até conseguir a liberação do convênio para a cirurgia.

Nesse meio tempo, apresentei confusão, tive crises convulsivas, não conseguia andar, tomar banho sozinha, comer, não lembrava das coisas e nem do nome da minha bebê. Estava totalmente dependente. Estava sendo medicada com analgésicos, anticonvulsivantes e corticoides.

Até que, em março, no dia 27/03/25, aniversário do meu filho mais velho, realizei a craniotomia e ressecção do machucado. Meu Deus, era muito grande. Não sei como coube dentro da minha cabeça!

Depois do resultado do exame anatomopatológico, foi confirmado um meningioma atípico grau II, de comportamento incerto, com infiltração na calota craniana e parênquima cerebral.

Meu médico fez uma raspagem na minha calota e não houve necessidade de prótese.

Voltei da UTI confusa, sem conseguir andar, com muita tontura. Fui cuidada pelas minhas colegas e amigas de trabalho, além do meu esposo.

A equipe nos explicou o comprometimento da estrutura cerebral (massa branca e cinza), as sequelas e que não foi possível retirar todo o machucado que estava aderido a uma veia importante, e que esse pedacinho pode ou não voltar a crescer.

Eu tinha uma sutura na cabeça, de uma orelha à outra, e escutava um pingo dentro da cabeça. Eu achava que estava doida. Quando eu falava para a equipe médica, eles me olhavam estranho.

Até que meu esposo, deitado ao meu lado, escutou aquele barulho que estava me deixando doida. No outro dia, meu médico auscultou minha cabeça e ouviu. Enfim, nos exames estava tudo dentro da normalidade de um procedimento complexo.

Eu não fiquei com nenhum tipo de dreno e, próximo à incisão, havia uma coleção de líquido que teoricamente seria absorvida pelo organismo.

Na internação e em casa, me esforcei muito para ficar bem. Comecei a caminhar, cuidar das crianças com ajuda do meu esposo e sogros, mas aquela coleção na minha cabeça estava aumentando e o barulho de pingo não parava. Uma sensação muito estranha.

Em abril, no dia 17, passei mal na madrugada e acordei com febre e confusa. Fomos correndo para o hospital e lá internei em protocolo de infecção generalizada.

Quando tomei a primeira dose de antibiótico, aquela coleção desceu por dentro do meu rosto e pescoço, parecia desmanchar. O couro cabeludo vermelho e pegando fogo já não tinha mais aquela bolsa de líquido e o barulho de pingo sumiu.

Porém, não vazou nenhum líquido ou secreção pela cicatriz.

Após 15 dias de antibiótico e melhora dos exames, fui de alta.

Na mesma semana, em casa, ao lavar a cicatriz, meu esposo observou que, em dois pontos da sutura, estava saindo pus e havia uma deiscência (abertura). Voltei ao hospital e os exames tinham uma discreta alteração.

Então, meu médico suturou a deiscência em consultório. Foram 5 pontos sem efeito de anestesia, pois ela não pegou. Fui ao céu e voltei.

Ele prescreveu antibiótico e 10 sessões de câmara hiperbárica. Após todo esse processo, o exame ainda alterado e saída de secreção dos pontos suturados, mais antibióticos e mais 10 sessões de hiperbárica.

Glória a Deus, deu certo.

Era só lidar com o tratamento, fisioterapia, acupuntura, caça-palavras, cruzadinhas, cuidar dos filhos e, aos poucos, colocar as coisas no lugar.

Mas tendo que lidar com convulsões, perda de equilíbrio, perda de força nas pernas, alterações cognitivas, adquiri uma dor insuportável nas articulações e alterações na visão.

Mesmo após a cirurgia, eu sinto as mesmas coisas de antes dela, só que menos acentuadas.

Passei em perícia médica no INSS em setembro de 2025 e fui afastada até setembro de 2026.

Estou aprendendo a lidar com as minhas limitações e me conformar com minha nova condição.

Faço acompanhamento a cada 4 meses com neurocirurgião, oncologista, reumatologista e neurologista clínico.

Não poderei mais exercer minha função de técnica de enfermagem.

Deveria fazer acompanhamento psicológico, mas tenho resistência a isso. Uso meus filhos como terapia para seguir em frente firmemente.

A oncologista optou por não acrescentar nenhum tratamento para o “machucadinho” que ficou, pois não está crescendo.

A reumatologista adicionou medicação e suplementação para controlar a dor.

A neurologista clínica está ajustando o anticonvulsivante, pois tenho crises com frequência.

Estou tomando Levetiracetam e, graças a Deus, consigo pegar gratuitamente na farmácia de alto custo.

Estou praticando remo seco, com indicação da fisioterapeuta, para fortalecimento, coordenação e parte cognitiva.

Tenho dias bons e dias ruins. Eu entendo porque passei por isso. Tenho dificuldade em aceitar, mas, se logo no início, quando comecei a desmaiar e passar mal, eu tivesse descoberto o meningioma, não teria tido meus dois filhos.

Meu machucado, no resultado do anatomopatológico, constatou que era induzido 80% pela progesterona. Então, assim, eu não poderia engravidar.

Deus cuidou de mim de uma forma minuciosa. Meu corpo sempre me avisou, me deu sinais...

Mas o propósito foi maior.

Me sinto abençoada.

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