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  • L.F - Sarcoma de Partes Moles
    "Narrativa de história acerca de um lipossarcoma na mama, descoberto aos 24 anos."

Aos 24 anos, em uma consulta ginecológica de rotina, a minha médica apalpou um nódulo na minha mama direita. Fui encaminhada para a ecografia mamária, da qual fui fazer muito tranquilamente, afinal, com esta idade, não passa pela nossa cabeça que descobriremos um câncer.

Na ecografia, veio um BI-RADS 4, solicitação de biópsia e encaminhamento ao mastologista. Do mastologista, saiu a primeira cirurgia: a remoção do tumor.

Me sentia sequestrada da minha vida. Os exames se arrastavam e davam inconclusivos, porém os médicos e eu sabíamos que tinha uma coisa mais grave ali, e, por isso, seguimos na investigação minuciosa daquele tumor misterioso.

Oitenta dias depois da consulta ginecológica que mudou radicalmente o rumo da minha vida, obtive o diagnóstico de câncer. Tratava-se de um lipossarcoma, câncer em tecidos moles, mais especificamente no tecido de gordura.

Meu lipossarcoma instalou-se na mama. Trata-se de um tumor raro, mais comumente acometendo adultos de 50 a 65 anos e aparecendo geralmente na perna ou abdômen. O meu tumor, além de raro para a minha idade e totalmente aleatório, acometeu a mama, caso que surpreende até hoje a todos os médicos que me acompanham nessa jornada.

Felizmente, tive a oportunidade de um diagnóstico precoce, graças à minha consulta de rotina, feita sempre com muito rigor desde os meus 15 anos, facilitando o meu tratamento, do qual foi composto por duas cirurgias: uma de remoção do tumor e, posteriormente, a mastectomia radical unilateral.

Perder a mama é perder uma parte de si, é um luto silencioso que ninguém vê da mesma forma de quem vive isso na pele e carrega as cicatrizes.

Recentemente, completei o meu 1º ano de remissão. Sigo em acompanhamento semestral. O medo ainda faz parte da minha vida, porém sinto que, depois do câncer, ganhei também alguns presentes, como uma reeducação alimentar radical e o início da prática regular de esportes de resistência, que hoje fazem parte inegociável da minha rotina de cuidado com o corpo e a mente.

Se você está passando pelo câncer, receba o meu abraço. Se você está passando pelo câncer e tem menos de 30 anos, receba o meu maior respeito.

E lembre-se: somos a maior geração de sobreviventes do câncer, e essa doença não define quem somos.

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