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  • Brunno Borges - Câncer de Rim
    "Eu quero contar para as pessoas um pouco do meu processo de descoberta do câncer."

Tenho 41 anos, sou casado com a Morgana e pai do Martín, de 5 anos, meu maior presente. Antes de formar minha família, nasci e cresci em São Paulo, mas aos 30 anos fui transferido para Santa Catarina. Foi lá que conheci minha esposa, me encantei pela vida mais tranquila e decidi ficar. Trabalhei muitos anos viajando bastante, então o lugar onde eu morava não importava muito, desde que tivesse um aeroporto por perto.

Durante a pandemia, continuei trabalhando de casa e realizei um grande sonho: construir uma casa exatamente como eu queria. Era o nosso lar perfeito. Mas, no começo deste ano, minha empresa anunciou o retorno ao trabalho presencial em São Paulo. A notícia caiu como um banho de água fria, não queríamos deixar a nossa casa nem mudar nossa rotina. Colocamos como condição que só iríamos para São Paulo se conseguíssemos alugar nossa casa.

E aí aconteceu a primeira manifestação de Deus: um inquilino interessado desistiu de última hora, mas, no mesmo dia, apareceu outro e fechou negócio rapidamente. A mudança, que parecia distante, se tornou inevitável. Confesso que perguntei para Deus: “Por que o Senhor quer tanto que eu volte para São Paulo?”. Só mais tarde entendi.

Em Jaraguá do Sul, mesmo com uma boa rede de saúde, o acesso pelo meu plano era muito limitado. Fiquei anos sem fazer check-up. Já em São Paulo, com tudo mais acessível, marquei uma consulta com um endocrinologista para cuidar do meu sobrepeso. Ele solicitou exames de rotina e, num exame de imagem aparentemente simples, veio a descoberta: eu tinha um tumor no rim, já em estágio 3.

No dia seguinte à descoberta, já estava no urologista. Ele me encaminhou para cirurgia de urgência. A data inicial seria em agosto, mas, com ajuda da minha empresa e muito empenho, conseguimos antecipar para 23 de julho. Nesse dia, retirei todo o rim direito. A cirurgia foi bem-sucedida, mas o pós-operatório trouxe um susto: saí do hospital com dores de cabeça insuportáveis, que só passavam quando eu me deitava.

Descobri que tive uma reação rara, chamada cefaleia pós-raqui, que atinge apenas 1% das pessoas que tomam anestesia raquidiana. A agulha perfurou a membrana da medula, fazendo vazar o líquor (o líquido que protege o cérebro). Para resolver, precisei voltar ao hospital e fazer um procedimento chamado blood patch, onde injetaram meu próprio sangue no local para selar o vazamento. Foi um processo difícil, tenho veias finas e tiraram apenas 7 ml dos 20 ml previstos, mas, graças a Deus, deu certo, e a dor passou na mesma hora.

Agora, já em casa e me recuperando, me preparo para iniciar a imunoterapia esta semana. Estou otimista e com o coração grato. Olho para trás e vejo claramente duas manifestações de Deus nesse processo. A primeira foi através da minha empresa, que me trouxe para São Paulo contra a minha vontade, mas que acabou sendo o que salvou a minha vida. Se eu tivesse continuado em Jaraguá, provavelmente não teria descoberto o tumor a tempo.

A segunda foi através das pessoas: uma rede de apoio incrível, com amigos, inclusive alguns com quem eu não falava há anos, que me procuraram para mandar boas energias, me emocionar e renovar minha vontade de viver.

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