Confira aqui os depoimentos

  • B. - Câncer de Ovário
    "Meu corpo deu todos os sinais de algo estava errado, mas os médicos não perceberam."

Eu havia ficado viúva do meu primeiro casamento. Meu marido teve uma doença neurodegenerativa (Parkinson) nos últimos anos de vida, além de dois tipos de câncer ao longo da vida, ambos descobertos no início e curados. Foram momentos difíceis, mas enfrentamos com leveza. Tive um casamento muito feliz, que durou quase 28 anos.

Durante a pandemia, já viúva, resolvi voltar a estudar e comecei a faculdade de Nutrição. Na mesma época, iniciei um novo relacionamento e estava muito feliz. Sempre fiz atividade física, mantive uma alimentação super regrada e tinha ótima composição corporal. Porém, em meados de 2023, comecei a me sentir cansada, sem ânimo, e surgiram algumas manchas vermelhas nas mãos e nas coxas.

Procurei dermatologista, alergologista, reumatologista e angiologista, mas não tive um diagnóstico. Por cinco vezes fui parar no pronto-socorro, com febre de 40 graus e pressão 18x12, sem outros sintomas de infecção ou inflamação. Chegaram a suspeitar de esclerodermia e vasculite, mas os tratamentos não evoluíam. Hoje sei que eram manchas paraneoplásicas.

Em janeiro de 2024, um ultrassom ginecológico de rotina apontou que um mioma que eu já tinha havia crescido de 1 para 2 cm. Parei a reposição hormonal e, três meses depois, ele havia aumentado para 3 cm. Em julho, estava com 4 cm. Procurei um cirurgião especialista em miomas para fazer a retirada. Como eu estava em ano de estágio e não era urgente, resolvemos esperar até dezembro.

Em agosto, tive um mal-estar e o ginecologista diagnosticou início de candidíase. Prescreveu um tratamento de sete dias, que não resolveu. Em seguida, comecei a ter um tipo de sangramento, apesar de usar DIU Mirena e não menstruar há mais de 20 anos. Resolvi então fazer a ressonância magnética, exame pré-operatório para a miomectomia prevista para dezembro.

O resultado apontou uma lesão de 6,7 cm, com suspeita de neoplasia. Eu não tinha um mioma, mas sim um tumor que crescia rapidamente. Ainda assim, os radiologistas, inclusive de hospitais diferentes, não conseguiram identificar antes. Foi muito difícil aceitar que a doença estava dando sinais claros, mas não foi percebida.

Em novembro de 2024, fiz uma laparotomia considerada bem-sucedida e, em seguida, seis ciclos de quimioterapia com carboplatina e taxol. A lesão já estava com 9,7 cm.

Ainda assim, considero que tive sorte, porque o câncer de ovário não apresenta sintomas típicos e, geralmente, é descoberto em estágios mais avançados. Esse câncer foi como um raio que me atingiu repentinamente. Cuidei das consequências, e a vida segue.

Precisa de ajuda? Fale com o Oncoguia aqui!