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Ana Paula. - Câncer de Mama
"Minha vida sempre foi marcada pelo câncer."
Minha vida sempre foi marcada pelo câncer.
Primeiro, minha avó: câncer de útero. Quando descobriu, já estava com metástase em todo o corpo. Faleceu em menos de três meses. Dez anos depois, minha mãe recebeu o diagnóstico de câncer de mama. Infelizmente, o câncer já havia atingido os linfonodos. Mesmo com cirurgia e quimioterapia, teve metástase no cérebro e faleceu em menos de dois meses.
Dois anos após a perda da minha mãe, o irmão dela foi diagnosticado com câncer de próstata. Infelizmente, faleceu em um mês, também com metástase em todo o corpo.
A partir daí, eu e meus irmãos já imaginávamos que o câncer era genético. Dezesseis anos após a morte do meu tio, em um exame de rotina, descobri um nódulo de 1 cm na mama esquerda. Fiz biópsia, testes genéticos... e foi aí que descobrimos o "RG e CPF" do câncer da nossa família: câncer de mama triplo negativo e a mutação no gene BRCA1.
A partir desse diagnóstico, iniciei o tratamento: 4 quimioterapias vermelhas, 12 brancas, 36 injeções na barriga para aumentar a imunidade. Um mês depois, realizei a cirurgia: adenomastectomia bilateral com esvaziamento axilar. O resultado da biópsia da cirurgia mostrou resposta completa da quimioterapia adjuvante.
Como fiquei apenas com a pele, três meses depois fiz 15 sessões de radioterapia. Por conta da mutação no BRCA1, o câncer pode retornar nos órgãos reprodutivos e no pâncreas. Por isso, três meses após a radioterapia, fiz uma cirurgia preventiva: histerectomia e colpectomia.
Hoje, continuo em tratamento com fisioterapia, drenagem e acompanhamento com neurologista, pneumologista, cirurgião oncológico e oncologista. A radioterapia deixou sequelas: contratura capsular, lesões na área dos linfonodos e também no pulmão. Na próxima semana, farei a retirada da vesícula, pois tenho uma pedra que pode se tornar um câncer.
Descobri o câncer em 2023. Hoje é 10 de junho de 2025. Depois de tudo isso, às vezes sinto como se tudo fosse uma espécie de profecia na minha família.
Mas agradeço a Deus por me permitir estar aqui, por tudo o que aprendi, por ter sido comigo e não com alguém que eu amo. Agradeço pelas pessoas boas, calorosas e dedicadas que conheci. Estamos de passagem neste mundo. Não vejo sofrimento no que estou passando, vejo aprendizado e tranquilidade.
E sigo, todos os dias, agradecendo pela vida que tive nesses 1 ano e 8 meses que Deus tem me permitido até agora.