Virada de chave
Estamos num novo ano, mas não temos como desconsiderar esse período para iniciar uma fala sobre o ano que nos encontramos.
Dezembro normalmente sou a doida da faxina onde organizo gavetas, descarto boletos antigos, limpo o banheiro correndo risco de uma intoxicação e os demais espaços como se a vigilância sanitária fosse ceiar conosco.
Sabe, resolvi fazer diferente: _ pô, eu nem passo Natal em casa, pra quê essa agonia? Pra não dizer que não fiz nada, joguei alguns papéis fora, separei roupas para doação e fui arrumando aos pouquinhos, no meu tempo. Houveram dias do “cisco” ficar no meio da casa e “quem diabos liga?”, pois a casa impecável ou não vai ter quem critique.
Passei minhas tardes de dezembro, ora dormindo, ora ensinando o caçula que ficou de recuperação em Matemática, acredita que ele teve o disparate de tirar dez na recuperação, só pra ganhar uma aposta que fizera com o pai, mas “eu, arrumar casa a tarde? Nunca na galáxia!”
Tive momentos extremamente felizes com minha família . Sabe, o que mais quero é criar momentos, a roupa no varal nem será lembrada, mas a festa do pijama, essa, ah, com certeza.
E, em meio aos momentos felizes, existem as perdas, ah Emilinha, como sentimos a sua partida no dia de Natal! A ceia que teria festa e alegria, teve silêncio, contações de causas e questionamentos de “como você se manteve quieta diante de tantos sinais…”
E seguimos do Natal para o ano novo na capital, eu e minha pequena família, com nada extraordinário, só aproveitando os momentos juntos e refletindo sobre a vida e tudo que nela existe.
E que a gente siga vivendo um dia de cada vez, aproveitando a luz do sol, a magia do andar de mãos dadas, o abraço antes de dormir e aquele cafuné da mãe que canta com a mão.
Marta Maria da Silva
Paciente de câncer de mama metastático
Brinco de escrever para trazer acolhimento e risadas nesta nada mole vida
- De paciente para paciente
- Chá revelação
- Natal Real
- Retrospectiva
- Linha da vida
- A vida é tão rara
- Laços e lições
- Humildemente falando...
- Propósito
- Outubro em flor
- Outubro (nem sempre) Rosa
- Qua(trilha) da vida
- Vivências
- ArreDORES
- Redes sociais à parte, você está bem?
- Fígado indigesto
- Casulo
- A salsicha, o câncer e o nosso discurso bonito
- Quantas somos?
- Sobre lutos (as)
- Fases e faces
- Celebrar
- E esse tal de HPV?
- A mãe tá on
- A via dupla
- Gatilhos
- Nutella, pipoca e paçoquinha
- A estupidez da morte
- Memories
- Rotina
- PaliATIVA, eu?
- Carta para Júnior
- Um fenômeno chamado fake news
- Câncer com ascendente em tanta coisa
- Ressignificando a jornada oncológica com a comunicação não-violenta
- Entre ramos e folhas
- Eu ainda estou aqui