Tratamento do câncer de esôfago por estágio
Na maioria das vezes, o tratamento inicial do câncer de esôfago é baseado em seu estadiamento. Mas, outros fatores, como estado de saúde geral do paciente, também podem influenciar na escolha das opções de tratamento. Converse com seu médico se tiver dúvidas sobre o esquema de tratamento proposto.
Estágio 0
No estágio 0, o tumor contém células anormais denominada displasia de alto grau, e é uma lesão pré-cancerígena. As células anormais se parecem às cancerígenas, mas só são encontradas na camada interna de células que reveste o esôfago (epitélio). Este estágio é muitas vezes diagnosticado quando alguém portador de esôfago de Barrett faz uma biópsia de rotina.
As opções de tratamento geralmente incluem tratamentos endoscópicos, como terapia fotodinâmica, ablação por radiofrequência ou ressecção endoscópica da mucosa. O acompanhamento a longo prazo com endoscopia digestiva alta é importante após o tratamento endoscópico para observar as células pré-cancerígenas (ou câncer) do esôfago.
Outra opção é a remoção da lesão por esofagectomia. A vantagem dessa abordagem é que não necessita de acompanhamento com endoscopia ao longo da vida.
Estágio I
Neste estágio, o tumor atingiu uma das camadas mais profundas da parede do esôfago, mas não atingiu os linfonodos ou outros órgãos.
Tumores T1. Alguns tumores em estágio inicial estão apenas numa pequena área da mucosa e não invadiram a submucosa (tumores T1a), podendo ser tratados com ressecção endoscópica da mucosa, geralmente seguido por algum tipo de procedimento endoscópico para destruir qualquer área anormal remanescente no revestimento do esôfago.
Mas, a maioria dos pacientes com tumores T1 estão saudáveis o suficiente para a cirurgia (esofagectomia) de remoção da parte do esôfago que contém a doença. Se existirem sinais de que a doença não foi removida cirurgicamente, a quimioirradiação pode ser indicada após a cirurgia.
Tumores T2. Para pacientes com câncer de esôfago que invade a muscular própria, o tratamento com quimioirradiação, muitas vezes, é administrado antes da cirurgia. A cirurgia por si só pode ser uma opção para tumores menores (menor do que 2 cm). Se o tumor se encontra próximo ao estômago, apenas a quimioterapia pode ser administrada antes da cirurgia.
Se o tumor se encontra na parte superior do esôfago pode ser indicada a quimioirradiação como tratamento principal, em vez da cirurgia. O acompanhamento endoscópico é importante para detectar uma possível recidiva da doença.
Os pacientes em estágio I que não podem fazer a cirurgia por outros problemas de saúde ou que não querem fazer a cirurgia, podem ser tratados com ressecção endoscópica da mucosa, ablação endoscópica, quimioterapia, radioterapia ou quimioirradiação.
Estágio II e III
O estágio II inclui tumores que invadiram a camada muscular do esôfago ou o tecido conjuntivo fora do esôfago. Este estágio inclui alguns tipos de câncer que se espalharam para um ou dois linfonodos próximos.
O estágio III inclui alguns tipos de câncer que cresceram através da parede do esôfago para a camada externa bem como aqueles que cresceram em tecidos ou órgãos próximos. Ele também inclui a maioria dos cânceres que se disseminaram para os linfonodos adjacentes.
Para pacientes saudáveis, o tratamento para esses tipos de câncer é a quimioirradiação seguida por cirurgia. Os pacientes com adenocarcinoma na junção gastroesofágica são, às vezes, tratados com quimioterapia seguida de cirurgia. A cirurgia isolada pode ser uma opção para alguns tumores pequenos.
Se a cirurgia foi o primeiro tratamento, a quimioirradiação pode ser indicada, principalmente se o tumor é adenocarcinoma ou se existem sinais de doença remanescente da cirurgia.
Em alguns casos, a quimioirradiação pode ser recomendada como tratamento principal em vez da cirurgia. Os pacientes que não fizerem cirurgia precisam ter acompanhamento endoscópico para procurar possíveis sinais remanescentes da doença. Infelizmente, mesmo quando o câncer não pode ser visto, ainda pode estar presente sob o revestimento interno do esôfago, por isso o acompanhamento médico é importante.
Pacientes que não podem fazer a cirurgia, por outros problemas de saúde são normalmente tratados com quimioirradiação. Se a quimiorradiação não for uma opção, pode ser administrada quimioterapia, imunoterapia ou uma combinação de ambas. Para pacientes com câncer da junção gastroesofágica HER2 positivo, uma opção como tratamento inicial é a imunoterapia com pembrolizumabe, associada à quimioterapia e ao trastuzumabe.
Estágio IV
No estágio IV, a doença se espalhou para os linfonodos ou outros órgãos.
Em geral, esses tumores são difíceis de serem tratados, portanto a cirurgia curativa não é uma opção de tratamento. O tratamento é realizado para ajudar a manter a doença sob controle o maior tempo possível e aliviar os sintomas provocados pelo tumor.
A quimioterapia pode ser administrada junto com a terapia-alvo ou imunoterapia para ajudar os pacientes a se sentirem melhor e aumentar a sobrevida. A radioterapia ou outros tratamentos podem ser realizados para aliviar a dor ou melhorar a deglutição. Outra opção é o tratamento com imunoterápicos isoladamente. Se as células cancerígenas apresentarem alterações genéticas, a opção pode ser a terapia-alvo com larotrectinibe ou entrectinibe.
Para os tumores localizados na junção gastroesofágica, o tratamento com ramucirumabe pode ser uma opção. Ele pode ser administrado sozinho ou combinado com quimioterapia. Outra opção, pode incluir o tratamento com um medicamento imunoterápico, possivelmente junto com a quimioterapia, ou combinado com a quimioterapia oral trifluridina-tipiracil. Se o tumor for HER2 positivo, a opção como primeiro tratamento pode ser o trastuzumabe mais pembrolizumabe e quimioterapia. A terapia-alvo fam-trastuzumabe deruxtecano também podem ser uma opção.
Recidiva
Recidiva significa que o câncer voltou após o tratamento. A recidiva pode ser local ou em órgãos distantes.
O tratamento da recidiva depende da localização e dos tratamentos já realizados anteriormente. Se o tumor foi tratado inicialmente com ressecção endoscópica da mucosa ou terapia fotodinâmica, na maioria das vezes a recidiva é no esôfago. Esse tipo de recidiva é muitas vezes tratada com cirurgia para remover o esôfago. Se o paciente não tem condições clínicas para a cirurgia, a doença pode ser tratada com quimioterapia, radioterapia ou ambos.
Se a recidiva for nos linfonodos, após a cirurgia de remoção do esôfago, pode ser administrada radioterapia e/ou quimioterapia. A radioterapia pode não ser uma opção se já foi administrada como parte do tratamento inicial. Quando a quimioterapia foi administrada inicialmente, ainda é possível realizar novamente. Às vezes os mesmos medicamentos são administrados, mas podem ser utilizadas outras drogas. Outras opções de tratamento para recidiva local após a cirurgia podem incluir cirurgia ou outros tratamentos para prevenir ou aliviar os sintomas.
Se a recidiva é local após quimioirradiação, a esofagectomia pode ser uma opção se o paciente tiver condições clínicas para o procedimento. Se a cirurgia não é possível, as opções de tratamento podem incluir quimioterapia ou outros tratamentos para prevenir ou aliviar os sintomas.
O câncer de esôfago avançado é tratado como um câncer estágio IV.
Os pacientes com câncer de esôfago avançado geralmente receberão tratamentos destinados a prevenir ou aliviar os sintomas da doença.
Texto originalmente publicado no site da American Cancer Society, em 20/11/2023, livremente traduzido e adaptado pela Equipe do Instituto Oncoguia.