Transplante com células-tronco para mieloma múltiplo

O transplante de células-tronco é um tratamento comum para o mieloma múltiplo, especialmente para pacientes mais jovens e relativamente saudáveis. Muitas vezes, ele aumenta a sobrevida dos pacientes e mantem a doença em remissão por mais tempo do que apenas com os tratamentos com medicamentos.

No transplante de células-tronco, o paciente é tratado inicialmente com altas doses de quimioterapia para destruir as células da medula óssea. Após a quimioterapia, o paciente recebe uma infusão de novas células-tronco hematopoiéticas saudáveis para substituir as células destruídas.

Quando os transplantes de células tronco foram desenvolvidos, inicialmente, as novas células tronco eram coletadas da medula óssea, portanto, era conhecido como transplante de medula óssea. Agora, as células-tronco são frequentemente coletadas do sangue (transplante de células tronco do sangue periférico).

Em comparação com os transplantes de medula óssea, os transplantes de células tronco do sangue periférico tendem a apresentar resultados mais rápidos. Além disso, as células-tronco têm menor probabilidade de serem contaminadas por células do mieloma.

Não existem critérios rígidos para determinar quem pode receber um transplante de células-tronco. Mas, em geral, uma pessoa pode ser elegível para um transplante de células-tronco se:

  • Tiver boas condições de saúde.
  • For capaz de realizar a maioria das atividades diárias de forma independente.
  • Não tiver doença hepática ou cardíaca grave.

Normalmente, as pessoas recebem pelo menos alguns meses de tratamento com diferentes medicamentos antes de se submeterem a um transplante de células-tronco. Isso pode reduzir o número de células de mieloma na medula óssea e no sangue, aliviar os sintomas e auxiliar na recuperação dos órgãos dos danos que o mieloma possa ter causado.

  • Transplante de células-tronco precoce. Alguns pacientes recebem um transplante de células-tronco após os primeiros meses de tratamento com medicamentos.
  • Transplante de células-tronco tardio ou atrasado. Alguns pacientes continuam o tratamento com medicamentos e aguardam a progressão do mieloma antes de receberem o transplante.

Em geral, os transplantes de células-tronco precoces têm maior probabilidade de serem úteis a curto prazo, embora não esteja claro se eles aumentam a sobrevida em comparação com os transplantes tardios.

Transplante autólogo

O tipo de tratamento com células-tronco usado para tratar o mieloma múltiplo é conhecido como transplante de células-tronco autólogo.

No transplante autólogo, as células-tronco do próprio paciente são coletadas antes do tratamento e, posteriormente, reinfundidas para reconstruir sua medula óssea. Isso difere de um transplante de células-tronco alogênico, onde as células-tronco provêm de outra pessoa.

Embora um transplante autólogo possa controlar o mieloma desaparecer por um determinado tempo (até anos), ele não cura o câncer, e muitas vezes a doença recidiva.

Transplante em tandem

Algumas vezes, recomenda-se que os que os pacientes com mieloma múltiplo recebam dois transplantes autólogos, geralmente com um intervalo de três a seis meses. Essa abordagem é denominada transplante em tandem ou transplante duplo.

Isso pode ajudar alguns pacientes comparando com um transplante único, especialmente se o mieloma for considerado de alto risco, devido a determinadas alterações genéticas ou cromossômicas presentes nas células do mieloma. Uma desvantagem dessa abordagem é que ela provoca mais efeitos colaterais.

Alguns meses após um transplante de células-tronco, os pacientes geralmente começam a receber terapia de manutenção, na maioria das vezes com lenalidomida, isoladamente ou combinada com outro medicamento.

Efeitos colaterais

Os efeitos colaterais do transplante são semelhantes aos da quimioterapia, embora possam ser mais importantes devido às altas doses utilizadas. Um dos efeitos colaterais importantes é a diminuição das taxas sanguíneas, que pode levar ao aumento de risco de infecção e hemorragia.

Texto originalmente publicado no site da American Cancer Society, em 28/02/2025, livremente traduzido e adaptado pela Equipe do Instituto Oncoguia para pacientes e familiares brasileiros.

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