Painel de Políticas Públicas do Câncer
VoltarSociedades Médicas fazem posicionamento sobre a mamografia
Posicionamentos InstitucionaisDiante da consulta pública da ANS sobre a criação das linhas de cuidado para o câncer e a criação de programa de rastreamento na saúde suplementar com a mamografia a partir dos 50 anos, as sociedades médicas se posicionaram. A proposta da ANS é que as operadoras de planos de saúde sejam incentivadas a fazer busca ativa de suas beneficiárias na faixa etária indicada (entre 50 e 69 anos) para que realizem a mamografia a cada dois anos. Apesar disso, sociedades médicas acreditam que essa busca ativa deveria acontecer com mulheres já a partir dos 40 anos.
A Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e o Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por imagem (CBR) escreveram uma nota afirmando que o rastreamento do câncer de mama visa detectar a doença precocemente, antes de se tornar sintomática e se espalhar, aumentando as chances de cura.
Por isso, a detecção precoce e os tratamentos avançados são responsáveis por grande parte da redução da mortalidade em países desenvolvidos, mas no Brasil, a mortalidade tem aumentado. Estudos mostram que o rastreamento (através da mamografia) entre 40 e 50 anos pode reduzir a mortalidade em 25%, especialmente no Brasil, onde 40% das mulheres diagnosticadas com câncer de mama têm menos de 50 anos.
No Brasil, a cobertura mamográfica é insuficiente, especialmente no SUS, onde apenas 23% dos casos são detectados precocemente, enquanto na rede privada o número sobe para 53%.
Apesar das limitações do rastreamento mamográfico, seus benefícios superam os riscos, o que é defendido por várias entidades médicas, que recomendam o rastreamento anual a partir dos 40 anos.
Diante da nota das sociedades médicas, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) publicou uma nota esclarecendo que em 2024 revisou sua posição sobre a faixa etária do rastreamento, com base em novas evidências científicas. Segundo o Instituto, a maioria dos estudos não mostrou benefícios consistentes para mulheres abaixo de 50 anos ou acima de 69 anos. A sensibilidade da mamografia é menor em mulheres jovens (53% a 77%) comparado com a faixa etária de 50 a 69 anos (88%).
Ainda em sua nota, o INCA reforçou a importância da atualização das políticas públicas de oncologia, com base nas melhores evidências científicas, e reconheceu o direito das sociedades médicas de questionar as diretrizes.
Leia a nota das sociedades médicas aqui.
Leia a nota do INCA aqui.
Conteúdo produzido pela equipe do Instituto Oncoguia.


