Redes sociais à parte, você está bem?

Quando 2025 começou, as emoções estavam em pauta. Na trend dos sentimentos, posts e textos encaixavam o tema nos seus nichos. Mas, passou. Janeiro Branco ficou para trás e não deu tempo de aprofundar, ficamos no raso. O tema mudou, e as redes sociais têm pressa e outros assuntos para engajar.

E a gente se perde tantas vezes nesse frenesi. Mal digerimos um assunto e já é tarde. Tudo desce “goela abaixo”, como diria meu avô. Numa velocidade que pode nos oprimir. Gatilhos, lembranças, feito caixas abertas que ninguém volta para fechar.  Você consome o conteúdo ou o conteúdo consome você?      

Entre likes e filtros, setembro chegou e o feed ficou amarelo. A saúde mental voltou para o debate. Lembramos que sentimentos são mensageiros importantes. Eles sinalizam o que realmente precisamos no momento. 

No mundo do câncer o medo é uma emoção bem presente. Mas não falamos muito sobre ele. Ainda preferimos vestir a couraça apertada da coragem, não mostrar os bastidores difíceis da jornada e "lutar". Lutamos inclusive contra nós mesmos. Cansativo. Talvez a gente precise baixar a guarda, tirar a capa, falar do medo, sair do "estado de guerra", antes mesmo de querer mudar os termos bélicos que ainda nos rotulam.

Que tal dispensar o pedestal e assumir que sente medo? E ele está presente em toda a jornada. No diagnóstico, no tratamento, e até no pós câncer, quando, para muitos, já não é mais permitido sentir. 

Foi bem nessa fase que me senti estranha dentro desse medo. Quase todo mundo estava encontrando o tesouro no fim do arco íris, celebrando a última quimioterapia, tocando e badalando o sino, e eu ainda estava aprendendo a lidar com o medo. E eles eram tantos! Medo do que viria pela frente, medo das sequelas, medo dos resultados, a cada novo exame. 

Mesmo assim, no meio desse medo, consegui dar meus saltos de coragem a cada despertar. E também descobri um tanto de esperança no meu peito, mesmo no meio daquele nó. Porque não somos só medo ou coragem. 

Ainda lutamos contra os sentimentos. Ainda queremos mostrar que somos alegria e euforia de domingo a domingo. Somos humanos, mas falamos bem pouco sobre a nossa humanidade. E como quase ninguém fala, achamos que é melhor silenciar também. Afinal, o medo não é assim tão midiático. E seguimos nos escondendo e performando coragem. Mas a verdade é que tudo isso é bem comum. Coisa de gente, porque gente é assim: sente. 

Sentimentos não são negativos. Sentimentos são para serem sentidos. Eles também não são a causa do surgimento de um câncer. Entender isso nos ajuda a quebrar esse tabu que culpa e machuca o paciente. O câncer é uma doença que tem muitas causas. Algumas ainda estão sendo estudadas. Depende do tipo de tumor, de fatores genéticos e ambientais. 

Cuidar da saúde mental é essencial. E isso, sim, ainda é um tabu! Com ou sem câncer, durante ou depois do câncer, nomear sentimentos e descobrir as necessidades por trás de cada um, são exercícios importantes para viver melhor. 

Há quem sinta calado, mas desconfio que sentir compartilhado seja melhor.  E depois de um tempo, quem sabe, até consiga sorrir de tudo isso. Dos frios na barriga e das boas notícias também. Porque elas vêm! Seja a cura, o controle, ou a qualidade de VIDA, apesar do câncer. As boas notícias sempre vêm! 

O Oncoguia tem um ambiente seguro e acolhedor para você falar sobre os seus sentimentos e nomear os seus medos: as Rodas de Conversa que acontecem toda quinta-feira, às 16h30, à distância - mas não distante - e totalmente gratuitas. 

Juntos a gente aprende todo dia a lidar com o medo, Se reconstrói, apesar do medo.  Se enche de informação para ele ficar menor. Se fortalece, em rede, de fé em fé e esperança também. Mas a gente tem medo sim! E é bom que você saiba disso. 

Com carinho, de paciente para paciente. ♡

Quézia Queiroz
(Jornalista, Membro do comitê de pacientes Oncoguia e sempre teve “medos bobos e coragens absurdas")

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