Quantas somos?
Enquanto vivemos e convivemos dentro das periferias, essa pergunta nem sempre se acende dentro de nós. É quando alçamos voo, que olhamos ao redor e os ambientes se apresentam majoritariamente embranquecidos.
Na Câmara, no Senado, nos Congressos, Fóruns e nos melhores hospitais. Quantas somos? Se você é como eu, também segue contando. Na comunicação, nas lideranças de saúde, no mundo da oncologia. Por onde vamos, seguimos contando nos dedos quantas somos.
Isso porque ainda colhemos as consequências da nossa história. Durante muito tempo, mulheres negras foram arrancadas de sua terra, de sua língua. Escravizadas, silenciadas. A liberdade chegou sem teto, sem pão. Empurradas para os cantos da cidade, da economia, muitas mulheres que vieram antes de nós permaneceram à margem.
Por isso, o dia 25 de julho é uma data para reconhecer e valorizar a história e a luta das mulheres negras na América Latina e no Caribe. A data é celebrada desde 1992, quando mais de 300 mulheres, de 32 países, se reuniram e discutiram estratégias para combater o racismo e promover políticas públicas com objetivo de melhorar a qualidade de VIDA das mulheres afrodescendentes.
É tempo de celebrar essas mulheres. É tempo de inspirar outras mulheres. Porque é muito importante e acolhedor olhar para o lado e se reconhecer. Sigamos ocupando espaços e abrindo mais espaços para outras de nós!
E quanto ao outro lado, não criem mais barreiras do que as que já temos, conhecemos e superamos. Não alterem a linha de chegada, quando chegarmos.
Bônus. O Oncoguia reconhece a importância de acolher de forma única a pessoa negra tocada pelo câncer e criou a Rede de Pacientes Negros com Câncer. Você já conhece? Me chame: @quezia.queiroz Eu posso te apresentar.
Quézia Queiroz
(Jornalista de saúde e Embaixadora da Rede de Pacientes Negros com Câncer do Oncoguia)