Propósito

Estamos no outubro Rosa. Mês que abordamos sobre a prevenção do câncer de mama... Desde que me entendo por gente, me sinto engajada nessa ação, de estudar sobre prevenção. Lembro bem daquela campanha do Alvo do câncer de mama uma camiseta branca com um alvo azul. Quando adolescente, numa dessas revistas teens, Carícia, Toda Teen, Capricho, não me recordo, trazia numa de suas edições uma reportagem sobre prevenção ao câncer de mama. Eu lembro bem que ela explicava questões a nível hormonal, em que mulheres que menstruam cedo demais, o uso de anticoncepcionais seriam fatores de risco e citava a gestação e a amamentação como fatores que minimizavam os riscos, em função dos hormônios nela produzidos. Mas, tais fatores não são 100% nem pra uma coisa, nem pra outra, outros fatores devem ser levados em conta. Sim, “eu enquanto adolescente”¹ (rindo alto aqui entendedores entenderão) sempre procurei estar bem informada. 

De fato, alguns tipos de câncer têm receptor hormonal, mas nem todos. Eu mesma amamentei praticamente 4 anos e meio, somando o tempo da amamentação dos meninos e, mesmo assim tive câncer. Mas, existiam outros fatores que propiciaram o surgimento dele, mas não estou a fim de discutir esses termos técnicos.

Retomando sobre câncer... lembro de pessoas famosas que falaram de seus diagnósticos, tais como Patrícia Pillar, Sabrina Parlatore o que acendeu a luz de que, mulheres jovens também têm câncer. E, vendo pessoas próximas sendo acometidas, sempre trazia uma sombra, em função do histórico familiar. Eu fui acometida por ele e, depois do diagnóstico, senti na pele os olhares de reprovação, críticas ditas, comparações absurdas e uma espécie de competição para ver quem tem a “desgraça maior na vida”, tipo “o que ela fez de errado?”, “ah, mas o câncer dela é leve porque o tumor foi pequeno”, “ah, mas ela faz tratamento por plano de saúde, é fácil”, enfim, sem comentários.

E, depois de quase cinco anos de diagnóstico, de conhecer muitas pessoas que me acolheram, que mostram suas histórias, me ensinam e me fortalecem, observo uma deturpação do verdadeiro sentido do Outubro Rosa, onde nos deparamos com vitrines rosa, mas sem uma proposta. Laço no peito das operadoras de caixa dos hipermercados, mas presas a função, com pouco tempo até para ir ao banheiro, quiçá ao médico ou ainda, os bônus absurdos, como uma hidratação no cabelo para cliente que está careca. De verdade, é compreensível que as pessoas queiram ser porta vozes, mas precisamos de ações mais efetivas, com o foco no diagnóstico precoce e políticas públicas que o permitam isso.

Sobre campanhas e entrevistas, observo que as vezes mostram uma realidade diferente de uma boa parcela da população o que, a meu ver, frusta muitas vezes aquela paciente que se sente o caco após uma quimioterapia, enquanto a outra pessoa tem acesso a alimentação adequada, rede de apoio para cuidar da casa, dos filhos, das finanças, a medicamentos diversos está lá, linda e plena. Escrevendo isso, me faz pensar no Titanic: “estamos todos no mesmo barco”, mas na hora de afundar, se salvou na maioria a primeira e a segunda classe. E, no universo oncológico, quem é que está na terceira classe? Sim, os periféricos, os mais de 70% de pessoas que fazem tratamento pelo SUS que infelizmente ainda não tem acesso a medicamentos incorporados tal qual quem tem plano de saúde, os pretos e pardos... Todavia, começam a despontar mais pessoas comuns levando sua voz a outros, principalmente pelas redes sociais e, o “mercado” vendo o potencial destas pessoas, têm investido nessa diversidade, para chegar no que todos querem que seja a prevenção.

Que nós consigamos, cada um a sua maneira, sejam pelas redes, nos hospitais, nas Ong’s, no corpo a corpo, chegar em quem mais precisa, evitando que tantas mulheres passem pelo que eu e tantas outras como eu, têm vivido.

Por mais outubros, com menos rosa! 

Marta Maria da Silva

(Paciente de câncer de mama metastático, que odeia rosa e tem os outubros marcados por diagnósticos e partidas, Membro do Comitê de Pacientes do Instituto Oncoguia)

¹ o termo foi adaptado de uma fala da colunista, em tom de indignação “eu, enquanto educadora” , diante da falta de parceria com os espaços educacionais na discussão de pautas relacionadas ao social e a saúde e que para os colegas do voluntariado, acabou virando bordão. 

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