Painel de Políticas Públicas do Câncer
VoltarOncoguia contribui com protocolo de câncer de mama do DF
Políticas Públicas Relacionadas ao CâncerA Secretaria de Saúde do Distrito Federal abriu uma consulta pública para ouvir a sociedade sobre o Protocolo Clínico de Câncer de Mama. Confira a versão posta para análise aqui.
A Consulta Pública é um mecanismo de transparência utilizado pelo órgão público para possibilitar a participação da sociedade (profissionais de saúde, gestores, pacientes, organizações sociais, associações, órgãos e outras representações) a partir de informações, opiniões e críticas a respeito de determinados assuntos.
As sugestões desta consulta pública foram encaminhadas via email pela sociedade durante o período de 15/06/2023 a 30/06/2023 à SES/DF.
Nesta oportunidade, o Oncoguia, por meio do respaldo técnico do nosso comitê científico, formado por médicos oncologistas renomados em suas áreas, enviou suas contribuições à matéria escopo desta CP, destacando a importância da avaliação de toda a classe dos inibidores de ciclina (ribociclibe, abemaciclibe e palbociclibe) para o tratamento do câncer de mama, de acordo com as respectivas indicações clínicas.
Confira abaixo o inteiro teor da nossa contribuição!
Viemos através deste contribuir com a consulta pública n 14, a respeito do protocolo clínico de câncer de mama do distrito federal. O Instituto Oncoguia é uma ONG de atuação nacional que trabalha na defesa dos direitos dos pacientes com câncer, buscando contribuir nos espaços de participação social, com o respaldo técnico do nosso comitê científico, formado por médicos oncologistas renomados em suas áreas. Neste sentido, consideramos importante a avaliação de toda a classe de inibidores de ciclina (ribociclibe, abemaciclibe e palbociclibe) para o tratamento do câncer de mama metastático RH+ e Her2- tanto em primeira quanto em segunda linha de tratamento, no Protocolo Clínico de Câncer de Mama do Distrito Federal, pelos motivos abaixo elencados:
- Todos os três inibidores de ciclina (palbociclibe, abemaciclibe e ribociclibe) atingiram seu objetivo primário (aumentar o tempo de controle da doença, também chamado de sobrevida livre de progressão) nos estudos de fase 3, randomizados, em primeira e segunda linha de tratamentos (como consta no próprio relatório técnico da CONITEC para esta avaliação);
- Ribociclibe prolongou a vida das pacientes pós-menopáusicas tratadas em primeira linha em 12,5 meses no estudo MONALEESA-2 (aumento de SG de 51,4m para 63,9m, HR 0.76, p 0,004; estes dados não constavam do relatório técnico por serem recém apresentados, Hortobagyi, ESMO 2021) Obs.: MONALEESA-2 Na sua última atualização com análise final de SG, então com seguimento mediano de 80 meses, o grupo da combinação experimentou uma SG mediana de 63,9 meses, em contraste com 51,4 meses do grupo placebo/letrozol (HR=0,76; IC de 95%: 0,63-0,93; p=0,004) [N EngLJ Med 386:942,2022];
- Ribociclibe prolongou a vida de mulheres na pré e peri-menopausa tratadas em primeira linha em 10,7 meses no estudo MONALEESA-7 (aumento de SG de 48m para 58,7m, HR 0.76, além de adiar em 14 meses a necessidade de uso de quimioterapia; Tripathy, SABCS 2020);
- Ribociclibe prolongou a vida de pacientes na pós-menopausa tanto em primeira quanto em segunda linhas de tratamento, quando associado a fulvestranto. Para a população como um todo, a adição do ribociclibe prolongou a vida em 12,2 meses no estudo MONALEESA-3 (aumento da SG de 41,5m para 53,7m, HR 0.72, Slamon, ASCO 2021);
- Abemaciclibe prolongou a vida de mulheres tratadas em segunda linha (independente do estado menopausal) em 9,4meses no estudo MONARCH3 (SG aumentou de 37,3m para 46,7m, HR 0,75, p 0,01; Sledge, ESMO 2019);
- Dados de “vida real”, ou seja, pacientes acompanhados fora de estudos mas de maneira sistemática confirmaram os resultados de prolongamento no controle de doença (SLP) e sugeriram prolongamento da sobrevida global com Palbociclibe no banco de dados Flatiron (DeMichele, SABCS 2020) e com Ribociclibe (Laurentiis, Campone, estudo CompLEEment-1 trial)
Após recebidas as contribuições, elas serão analisadas e posteriormente será publicada a versão final do Protocolo de Câncer de Mama. Continuaremos acompanhando este processo e trazendo atualizações.
Conteúdo produzido pela equipe do Instituto Oncoguia.


